Um Mundo à Parte

Jodi Picoult · Capítulo 96 de 121

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Um Mundo à Parte

Oliver

 

Eu sabia que Jacob teria problem as quando aqueles diários fossem apresentados com o provas. Eu não ia querer que o equivalente a m eu diário fosse lido para um j úri. Não que eu tenha um diário ou que fosse relatar as provas de um a cena de assassinato em um . Por isso j á é esperado quando ele com eça a balançar um pouco o corpo, assim que Helen apresenta o diário com o prova. Posso sentir o enrij ecim ento de sua coluna, o m odo com o ele respira m ais forte, o fato de que ele m al pisca.

Quando Jacob se inclina em direção à m esa, olho para Em m a sobre a cabeça dele. Agora, ela diz m ovendo os lábios, e, nesse exato m om ento, Jacob enfia um pedaço de papel em m inhas m ãos.

“F#”, está escrito.

Levo um m om ento para entender que ele m e escreveu um a nota — um a nota m usical —, com o eu lhe disse para fazer se precisasse de um intervalo sensorial.

— Excelência — digo, levantando-m e. — Poderíam os fazer um breve intervalo?

— Acabam os de ter um intervalo, sr. Bond — diz o j uiz Cuttings, e então ele repara em Jacob, cuj o rosto está m uito verm elho. — Cinco m inutos — ele anuncia.

Com igo de um lado e Em m a agarrada do outro, puxam os Jacob pelo corredor até a sala de descanso sensorial.

— Aguente m ais trinta segundos — Em m a m urm ura. — Mais dez passos. Nove... oito...

Jacob entra e se vira para nós.

— Meu Deus! — ele exclam a, com um sorriso enorm e no rosto. — Isso não foi incrível?

Só fico olhando para ele.

— Era essa a ideia! Eles finalm ente entenderam . Eu m ontei um a cena de crim e e os policiais solucionaram tudo, até as pistas falsas. — Ele bate no m eu peito com o dedo. — Você está fazendo um ótimo trabalho.

Atrás de m im , Em m a com eça a chorar.

Não olho para ela. Não consigo.

— Vou dar um j eito — digo.

 

Há um m om ento, quando m e levanto para fazer m inha inquirição do detetive Matson, em que penso que poderíam os estar em um a disputa pessoal. Ele dá um a espiada em Em m a, que ainda tem os olhos verm elhos e o rosto inchado, depois aperta os olhos para m im , com o se a condição dela fosse culpa m inha e não dele. E isso só m e faz querer afundá-lo ainda m ais.

— Na prim eira vez em que o senhor encontrou Jacob na casa dele, detetive — com eço —, ele citou o film e O exterminador do futuro, certo?

— Sim .

— E na segunda vez em que o senhor encontrou Jacob... ele recom endou um a série de testes que poderiam ser feitos na m ochila?

— Sim .

— Quantos?

— Vários.

Pego o bloco de notas que está na frente de Jacob.

— Ele recom endou um teste de DNA nas alças da m ochila?

— Sim .

— E um teste AP na lingerie que estava dentro.

— Acho que sim .

— Lum inol?

— Tam bém .

— E quanto à ninidrina no cartão encontrado dentro da m ochila?

— Escute, eu não m e lem bro de todos, m as provavelm ente ele falou desse tam bém .

— Na verdade, detetive — digo —, Jacob parecia conhecer seu trabalho m elhor que o senhor.

Ele aperta os olhos.

— Ele certam ente conhecia a cena do crim e m elhor do que eu.

— Esses cadernos que encontrou... o senhor leu todos eles?

— Sim .

— O que os outros cento e quinze cadernos continham ?

— Sinopses — diz ele. — De episódios de CrimeBusters.

— O senhor sabe o que é CrimeBusters, detetive?

— Seria preciso viver num a caverna para não saber — responde ele. — É um a série de TV sobre procedim entos policiais que j á deve ter sido vendida até para Marte.

— O senhor j á assistiu?

Ele ri.

— Procuro não ver. Não é exatam ente realista.

— Quer dizer que os casos não são crim es de verdade.

— Não, não são.

— Então é j usto dizer que os cento e dezesseis cadernos que o senhor confiscou do quarto de Jacob estão cheios de descrições de cenas de crim es de ficção?

— Bem , sim — Matson adm ite. — Mas eu não acho que a cena que ele escreveu no caderno núm ero cento e dezesseis fosse fictícia.

— Com o o senhor sabe? — Dou alguns passos na direção dele. — Na verdade, detetive, houve cobertura da im prensa sobre o desaparecim ento de Jess Ogilvy antes que o senhor pegasse esse caderno, não houve?

— Sim .

— O nom e dela estava nos noticiários, os pais dela estavam pedindo aj uda para solucionar o crim e?

— Sim .

— O senhor testem unhou que Jacob costum ava aparecer em cenas de crim e tentando aj udar, certo?

— Sim , m as...

— Ele j á lhe ofereceu inform ações que lhe pareceram surpreendentes?

Matson hesita.

— Sim .

— Então não é possível, especialm ente pelo fato de que ele conhecia essa vítim a específica, que ele não estivesse usando o caderno para se vangloriar de um assassinato... m as, com o fez com todos os episódios de CrimeBusters, que o estivesse usando para aj udar a solucionar o caso? — Eu m e viro para o j úri antes que ele possa responder. — Sem m ais perguntas.

Helen se levanta da m esa da prom otoria.

— Detetive Matson — diz ela —, poderia ler a anotação no fim da prim eira página do caderno?

— Diz “Solucionado: por m im , vinte e quatro m inutos”.

— E quanto à anotação no fim da página seis?

— “Solucionado: por eles, cinquenta e cinco m inutos... Muito bom !”

Ela cam inha em direção a Matson.

— O senhor tem algum a ideia do que a anotação indica?

— O Jacob m e contou na prim eira vez em que o vi escrevendo os diários. Ele anota se conseguiu solucionar o crim e antes dos detetives da TV e quanto tem po levou.

— Detetive — diz Helen —, poderia ler a anotação no fim da página catorze, no item com o título “Na casa dela”, que o senhor leu para nós anteriorm ente?

Ele olha para a página.

— Diz “Solucionado: por m im ”.

— Mais algum a coisa digna de nota quanto a essa linha?

Matson olha para os j urados.

— Está sublinhada. Dez vezes.