Um Mundo à Parte

Jodi Picoult · Capítulo 29 de 121

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Um Mundo à Parte

Theo

 

 

Estou descendo as escadas para pegar algum a coisa para com er quando ouço um a voz na cozinha que não reconheço. E isso é m uito incom um , porque eu não sou o único que não tem am igos com o resultado do Asperger de Jacob; provavelm ente posso contar nos dedos de um a só m ão o núm ero de pessoas em quem m inha m ãe j á confiou o bastante para convidar à nossa casa. O fato de ser um a voz masculina é ainda m ais bizarro. E então ouço m inha m ãe se referir a ele com o detetive Matson.

Droga.

Corro de volta para cim a e m e tranco no quarto. Ele está aqui por causa de Jess Ogilvy e estou oficialm ente em pânico.

E, a propósito, ainda com fom e.

Isto é o que sei com certeza: Jess estava viva e bem por volta da um a da tarde de terça-feira. Sei disso porque a vi. Vi toda ela. Seus peitos, por sinal, têm um a pontuação bem alta na escala das obras-prim as de arte.

Eu diria que ficam os igualm ente surpresos quando ela pegou a toalha, enxugou os olhos e se virou para o espelho. Ela certam ente não esperava dar de cara com um m enino dentro de sua casa, vendo-a sem roupa. E eu com toda certeza não esperava que o obj eto de m eu desej o m om entâneo fosse a instrutora do m eu irm ão.

— Ei! — ela gritou e, em um único m ovim ento rápido, pegou a toalha e enrolou no corpo. Eu, enquanto isso, fiquei totalm ente paralisado. Continuei ali parado com o um idiota até perceber que ela estava m uito brava e vindo em m inha direção.

A única razão de eu ter escapado é que o chão do banheiro estava m olhado. Quando ela escorregou e caiu, saí voando da suíte e desci as escadas. Na pressa, bati em parte da m obília e derrubei um m onte de papéis do balcão da cozinha, m as nem m e im portei. Só queria sair logo daquela casa e entrar para um m osteiro ou em um avião para a Micronésia — qualquer coisa que m e fizesse estar bem longe na hora em que Jess Ogilvy perguntasse a m eu irm ão e a m inha m ãe se eles sabiam que Theo Hunt era um voy eur, um pervertido total.

Mas, em algum m om ento depois disso, Jess Ogilvy se vestiu, saiu de casa e desapareceu. Será que ela está andando por aí com am nésia? Ou escondida e tram ando algum tipo de vingança contra m im ?

Eu não sei.

Mas não posso contar aos policiais sem m e incrim inar.

Passa um pouco das cinco e m eia quando tom o coragem para sair do quarto. Sinto cheiro de torta de m irtilo cozinhando (a única coisa boa nas Sextas-Feiras de Com ida Azul, se quer saber) e sei que vai estar pronta às seis — com o tudo o m ais, com em os em horas certas para m anter Jacob calm o.

A porta do quarto dele está aberta e ele está de pé sobre um a cadeira, guardando um de seus diários de CrimeBusters em seu lugar predeterm inado em um a prateleira.

— Oi — digo.

Ele não responde. Em vez disso, senta na cam a com as costas apoiadas na parede e pega um livro na m esinha de cabeceira.

— Vi que os policiais estiveram aqui.

— Policial — Jacob m urm ura. — Singular.

— Do que ele queria falar?

— Da Jess.

— O que você disse a ele?

Jacob puxa os j oelhos de encontro ao peito.

— Se você construir, ele virá.

Meu irm ão pode não se com unicar com o o resto de nós, m as, depois de todo esse tem po, aprendi a entendê-lo claram ente. Quando ele não está com vontade de falar, esconde-se atrás das falas de outra pessoa.

Sento ao lado dele e fico só olhando para a parede enquanto ele lê. Quero lhe contar que vi Jess viva na terça-feira. Quero lhe perguntar se ele tam bém a viu, e se essa é parte da razão de tam bém não querer falar com a polícia.

Eu m e pergunto se ele tam bém tem algum a coisa a esconder.

Pela prim eira vez na vida, Jacob e eu podem os ter algo em com um .