Um Mundo à Parte

Jodi Picoult · Capítulo 119 de 121

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Um Mundo à Parte

Jacob

 

Hoj e é 15 de abril. É o dia em que, em 1912, o Titanic afundou. É o dia em que, em 1924, a Rand McNally publicou seu prim eiro atlas de estradas. É o dia em que, em 1947, Jackie Robinson j ogou pela prim eira vez pelo Brookly n Dodgers. É tam bém o aniversário de Leonardo da Vinci, do escritor Henry Jam es, da m enina que interpreta Herm ione em Harry Potter e do m eu irm ão Theo.

Eu costum ava ter invej a do aniversário do Theo. No m eu, 21 de dezem bro, a coisa m ais im pressionante que aconteceu foi a explosão do Voo 103 da Pan Am sobre Lockerbie, em 1988. Frank Zappa nasceu no dia do m eu aniversário, m as, francam ente, isso não se com para com Da Vinci, não é? Além disso, m eu aniversário é o dia mais curto do ano no hem isfério norte. Sem pre m e senti lesado com isso. Provavelm ente Frank Zappa tam bém .

Mas, hoj e, não estou com invej a do aniversário do Theo. Na verdade, m al podia esperar para lhe dar o presente que eu estava guardando.

Oliver diz que, no tribunal, Theo e eu vam os ter a oportunidade de falar. Aparentem ente, não é suficiente para o j úri saber, com o o m édico-legista atestou, que a equim ose facial de Jess foi causada por um a fratura na base do crânio na região periorbital, com o sangue tendo extravasado pelos planos fasciais e criado a aparência de contusão. Ou, em outras palavras, o que parecia um a j ovem que havia sido agredida poderia m uito bem ser um a j ovem que sim plesm ente caiu e bateu a cabeça. Aparentem ente, os j urados — e o j uiz — precisam ouvir Theo e eu explicarm os exatam ente a m esm a coisa com palavras diferentes.

Acho que não sou o único que nem sem pre com preende o que é dito.

Minha m ãe está dirigindo, com Oliver no banco do passageiro e eu no banco de trás com Theo. Meu pai está em nossa casa, para o caso de ligarem do tribunal nesse intervalo de vinte m inutos que vam os levar para chegar lá. Toda vez que o carro passa sobre um a elevação produzida pelo gelo na pista, isso m e faz pensar em pular sobre um colchão, algo que eu e Theo fazíam os j untos quando éram os pequenos. Acreditávam os que, se pegássem os bastante im pulso, poderíam os chegar até o teto, m as acho que nunca conseguim os.

Depois de todos esses anos em que Theo segurou a barra para m im , eu finalm ente consegui ser o irm ão m ais velho. Fiz a coisa certa. Não sei por que é tão difícil para esses j urados entenderem isso.

Theo abre a m ão; dentro dela está o iPod cor-de-rosa que era de Jess. Do bolso, ele tira um em aranhado de fios: seus fones. Ele os coloca no ouvido.

Para todos aqueles especialistas que disseram que, com o eu tenho Asperger, não posso sentir em patia:

Engulam essa.

Quem não pode sentir em patia certam ente não tenta proteger as pessoas que am a, m esm o que isso signifique ter que enfrentar um tribunal.

De repente, Theo tira um dos fones do ouvido e o oferece a m im .

— Ouça — ele diz, e eu escuto.

A m úsica de Jess é um concerto para piano que rodopia atrás dos m eus olhos. Eu inclino a cabeça na direção do m eu irm ão para que o fio alcance; para que, pelo resto da viagem , fiquem os conectados.