Um Mundo à Parte
Rich
Mam a Spatakopoulous não aceita falar com igo até que eu concorde em com er algum a coisa, e é assim que acabo com um prato cheio de espaguete e alm ôndegas à m inha frente enquanto lhe faço perguntas sobre Jess Ogilvy.
— A senhora se lem bra desta m oça? — pergunto, m ostrando-lhe um a foto de Jess.
— Sim , coitadinha. Vi na televisão o que aconteceu.
— Eu soube que ela esteve aqui uns dias antes de ser m orta, não é?
A m ulher concorda com a cabeça.
— Com o nam orado e aquele outro.
— Jacob Hunt? — Mostro-lhe um a foto de Jacob tam bém .
— É, é ele.
— A senhora tem algum a câm era de segurança aqui?
— Não. Por quê? Esta área é perigosa?
— Só pensei que talvez eu pudesse ver com o foi naquela noite — respondo.
— Ah, eu posso lhe contar — Mam a Spatakopoulous diz. — Foi um a briga e tanto.
— O que aconteceu?
— A m enina ficou m uito perturbada. Estava chorando e acabou indo em bora. Largou o garoto Hunt com a conta e a pizza inteira.
— A senhora sabe por que ela ficou perturbada? — pergunto. — Por que eles estavam brigando?
— Bom , não deu para ouvir tudo — a m ulher diz —, m as parecia que ele estava com ciúm es.
— Sra. Spatakopoulous — eu m e inclino para a frente —, isso é m uito im portante: a senhora ouviu algum a coisa que o Jacob tenha dito que fosse am eaçadora para a Jess? Ou o viu agredi-la fisicam ente de algum a m aneira?
Ela arregala os olhos.
— Ah, não era o Jacob que estava com ciúm es. Era o outro. O nam orado.
Quando intercepto Mark Maguire, ele está saindo do centro estudantil com dois colegas.
— Com o foi o alm oço, Mark? — pergunto, afastando-m e do poste de luz em que estava encostado. — Pediu pizza? Estava tão boa quanto a da Mam a Spatakopoulous?
— Que palhaçada é essa? — diz ele. — Não vou falar com você.
— Eu achei que, com o o nam orado de luto, você devia estar querendo conversar.
— Sabe o que eu quero fazer? Arrancar seu couro em um processo por danos m orais pelo que você m e fez!
— Eu soltei você — digo, dando de om bros. — Pessoas são soltas o tem po todo. Acabei de ter um a conversa m uito interessante com a senhora da pizzaria. Ela parece lem brar de você e a Jess brigando quando estiveram lá.
Mark com eça a andar e eu cam inho a seu lado.
— E daí? Nós brigam os. Eu j á lhe disse isso.
— Por que vocês brigaram ?
— Jacob Hunt. A Jess achava que ele era um bobo inocente, e o tem po todo ele usava esse showzinho para atrair o interesse dela.
— Que tipo de interesse?
— Ele queria a Jess — Mark diz. — Ficava se fazendo de patético para tê-la na palm a da m ão. No restaurante, teve o desplante de convidá-la para sair. Na m inha frente, com o se eu não estivesse ali. Tudo que eu fiz foi colocar o Hunt em seu devido lugar... e lem brar que a m am ãe dele estava lhe com prando a com panhia da Jess.
— Com o ela reagiu?
— Ficou furiosa. — Ele para e m e encara. — Olha, talvez eu não sej a o cara m ais sensível...
— Puxa, nem dá para notar.
Mark m e fuzila com o olhar.
— Estou tentando deixar isso claro. Eu disse e fiz coisas de que não m e orgulho. Sou cium ento; queria ser o núm ero um na lista da Jess. Talvez eu tenha ultrapassado os lim ites algum as vezes por causa disso. Mas nunca a teria m achucado, nunca. A razão de eu ter com eçado a briga na pizzaria foi para protegê-la. Ela confiava em todo m undo, só via o bem nas pessoas. Mas eu podia ler aquelas ceninhas do Hunt, em bora a Jess não pudesse.
— Com o assim ?
Ele cruza os braços.
— Meu colega de quarto no prim eiro ano ainda brincava com cartas do Pokém on. Nunca tom ava banho e praticam ente vivia no laboratório de inform ática. Eu não devo ter dito m ais de dez frases para ele o ano inteiro. Ele era m uito inteligente; se form ou antes do tem po e foi proj etar sistem as de m ísseis para o Pentágono ou algo assim . Provavelm ente tinha Asperger tam bém , m as ninguém nunca pregou outro rótulo nele além de nerd. Só estou dizendo que tem um a diferença entre ser m entalm ente retardado e ser socialm ente retardado. Um tem um a deficiência. O outro só se aproveita da situação.
— Acho que a psiquiatria atual pode contradizer você, Mark. Tem um a diferença entre ser socialm ente inadequado e ser clinicam ente diagnosticado com Asperger.
— É. — Ele m e encara. — Isso é o que a Jess dizia, e agora ela está m orta.