Um Mundo à Parte
Oliver
Assim que ouço o detetive dizer que vai prender Em m a Hunt se ela não calar a boca, sou arrancado do pânico em que m e encontro, um pânico induzido pela frase que ele disse só um pouquinho antes disso: Depois nós o levaremos ao tribunal para a audiência preliminar.
Que droga eu sei sobre audiências prelim inares?
Ganhei um a ou outra ação civil. Mas um a audiência crim inal é um bicho totalm ente diferente.
Estam os no carro de Em m a, indo para o tribunal, m as foi um a luta. Ela não queria sair da delegacia sem Jacob; o único j eito de eu conseguir convencê-la a ir em bora foi virando-a na direção para onde seu filho seria levado.
— Eu devia estar com ele — diz Em m a, passando um sinal verm elho. — Sou m ãe dele, pelo am or de Deus. — Com o se isso acionasse um botão em sua m ente, ela faz um a careta. — Theo. Ah, m eu Deus, Theo... Ele nem sabe que estam os aqui...
Eu não sei quem é Theo e, para ser sincero, não tenho tem po para m e im portar agora. Estou ocupado pensando em onde devo m e posicionar no tribunal.
O que devo dizer?
Eu falo prim eiro? Ou prim eiro é o prom otor?
— Isso é um m al-entendido total — Em m a insiste. — O Jacob nunca m achucou ninguém . Não pode ser culpa dele.
Na verdade, nem sei para qual sala do tribunal devo ir.
— Por acaso você está m e ouvindo? — Em m a diz, e percebo nesse instante que ela deve ter m e feito algum a pergunta.
— Sim — digo, im aginando que tenho cinquenta por cento de chance de estar certo.
Ela aperta os olhos.
— Esquerda ou direta? — repete.
Estam os parados em um cruzam ento.
— Esquerda — m urm uro.
— O que acontece na audiência prelim inar? — ela pergunta. — Jacob não vai ter que falar, vai?
— Não. É o advogado que fala. Quero dizer, eu falo. A função de um a audiência prelim inar crim inal é apenas ler as acusações e definir a fiança. — Isso pelo m enos eu m e lem brava das aulas de direito.
Mas não é a coisa certa a dizer para Em m a.
— Fiança? — ela repete. — Eles vão prender o Jacob?
— Não sei — respondo, com total sinceridade. — Vam os deixar para pensar nisso quando acontecer.
Em m a estaciona no tribunal.
— Quando ele vai chegar aqui?
Não sei. O que sei é que está quase no fim do horário de expediente e, se o detetive Matson não tirar logo a bunda da cadeira, Jacob vai ter que passar a noite na cela da delegacia. Mas isso eu não vou dizer a Em m a de j eito nenhum .
Está tudo quieto dentro do tribunal; quase todo o trabalho do dia j á term inou. O m eu, porém , está só com eçando e preciso de um curso em ergencial de direito crim inal antes que m inha cliente descubra que sou um a fraude total.
— Por que não espera aqui? — sugiro, apontando um a cadeira no saguão.
— Aonde você vai?
— Cuidar de... hã... papéis que precisam ser protocolados antes de Jacob chegar — digo, tentando parecer o m ais confiante possível. Em seguida, vou direto para a sala dos escrivães.
É com o em um hospital, onde as enferm eiras tendem a saber m ais do que os m édicos na m aior parte do tem po; se você realm ente quiser a resposta para um a dúvida sobre o tribunal, deve passar m ais tem po adulando os escrivães que os j uízes.
— Oi — digo para a m ulher m iúda de cabelos escuros que olha para a tela de um com putador. — Estou aqui para um a audiência prelim inar crim inal.
Ela dá um a olhada rápida para m im .
— Bom para você — responde secam ente.
Reparo em um a plaquinha com seu nom e sobre a m esa.
— Eu queria saber, Dorothy, se você por acaso pode m e inform ar em que sala isso deve acontecer?
— O tribunal crim inal seria um a boa aposta...
— Claro. — Sorrio, com o se soubesse disso o tem po todo. — E o j uiz...?
— Se é segunda-feira, é o j uiz Cuttings — diz ela.
— Obrigado. Muito obrigado — respondo. — Foi um grande prazer conhecê-la.
— A m elhor coisa do m eu dia — Dorothy diz sem entusiasm o.
Estou prestes a sair, m as m e viro no últim o m om ento.
— Mais um a dúvida...
— Sim ?
— Eu... hã... vou ter que dizer algum a coisa?
Ela levanta os olhos do com putador.
— O j uiz vai perguntar se seu cliente se considera culpado ou inocente — responde Dorothy.
— Ótim o — digo. — Muito grato.
No saguão, encontro Em m a desligando o celular.
— E então? — ela pergunta.
Eu m e sento na cadeira vazia ao seu lado.
— Tudo beleza — digo, esperando poder convencer a m im m esm o.
Em m a e eu assistim os a três acusações por posse de drogas, um a por arrom bam ento e invasão e um a de atentado ao pudor antes de Jacob ser trazido para a sala. De m inha posição na galeria, vej o o m om ento em que Em m a percebe que ele está aqui: ela se senta um pouco m ais reta e sua respiração fica presa na garganta.
Se você j á tiver passado algum tem po em um a sala de tribunal, deve saber que j ogadores de futebol am ericano no colégio, aqueles m ais durões e sem pescoço, crescem e se tornam oficiais de j ustiça. Dois desses m astodontes estão rudem ente segurando Jacob, que faz tudo o que pode para escapar de suas m ãos. Ele estica o pescoço repetidam ente, olhando para as pessoas presentes na sala, e, assim que avista Em m a, todo o seu corpo relaxa de alívio.
Levanto e m e dirij o para a frente da sala, porque é hora do show, e percebo tarde dem ais que Em m a está m e seguindo.
— Você tem que ficar aqui atrás — sussurro sobre o om bro, enquanto ocupo m eu lugar na m esa do réu, ao lado de m eu cliente.
— Oi — digo baixinho a Jacob. — Meu nom e é Oliver. Sua m ãe m e contratou para ser seu advogado e tenho tudo sob controle. Não diga nada ao j uiz. Deixe isso com igo.
Durante todo o tem po em que falo, Jacob está olhando para o colo. No m inuto em que term ino, ele se agita no assento.
— Mãe — ele cham a alto —, o que está acontecendo?
— Doutor — o oficial de j ustiça m ais grandalhão m e diz —, faça seu cliente fechar a boca ou ele vai voltar para a cela.
— Acabei de lhe dizer para não falar com ninguém — aviso Jacob.
— Você m e disse para não falar com o j uiz.
— Você não pode falar com ninguém — esclareço. — Entendeu?
Jacob olha para a m esa.
— Jacob? Alô?
— Você m e disse para não falar com ninguém — ele m urm ura. — Quer decidir de um a vez?
O j uiz Cuttings é um suj eito com expressão dura que cuida de um a fazenda de lham as no tem po livre e, na m inha opinião, ele próprio se parece um pouco com um a lham a. Acabou de anunciar o nom e de Jacob quando Dorothy, a escrivã, entra por um a porta lateral e lhe passa um bilhete. Ele o exam ina sob o nariz longo e suspira.
— Tenho duas audiências prelim inares para o sr. Robichaud que precisam ser feitas em outra sala. Com o ele está aqui no m om ento com seus clientes, vou fazer isso prim eiro, depois cuido do caso do prisioneiro.
No m inuto em que ele diz a palavra prisioneiro, Jacob levanta de um pulo.
— Preciso de um descanso sensorial — ele anuncia.
— Fique quieto — m urm uro.
— Preciso de um descanso sensorial!
Dezenas de pensam entos estão correndo pela m inha m ente: Como faço esse garoto parar de falar? Como faço o juiz se esquecer de tudo o que está acontecendo diante de seus olhos? Como um advogado experiente lidaria com uma situação dessas, quando um cliente fica fora de controle? Quanto tempo até eu ser experiente o bastante para parar de duvidar de mim mesmo?
No m inuto em que Jacob dá um passo, dois oficiais de j ustiça j á estão em cim a dele. Ele com eça a gritar, um som agudo e choroso.
— Larguem m eu filho! — Em m a grita atrás de m im . — Ele não entende! Ele tem autorização para se levantar na escola quando não aguenta!
— Isto não é um a escola — o j uiz esbravej a. — Este é o m eu tribunal e a senhora vai ter que se retirar.
O segundo oficial de j ustiça solta Jacob e vai para a galeria tirar Em m a da sala.
— Eu posso explicar — ela grita, m as sua voz vai ficando m ais fraca conform e vai sendo obrigada a se afastar pelo corredor.
Meu olhar volta dela para m eu cliente, que ficou com pletam ente m ole e está sendo arrastado por outra porta.
— Tire suas patas fedorentas de cima de mim, seu maldito macaco sujo! — Jacob berra.
O j uiz aperta os olhos em m inha direção.
— É de O planeta dos macacos — m urm uro.
— Estou furioso como o diabo e não vou mais aceitar isso — ele responde. — É de Rede de intrigas. Recom endo m uito que o senhor assista a esse film e depois que conseguir controlar seu cliente.
Abaixo a cabeça e m e apresso a sair da sala. Em m a está do lado de fora da porta, verm elha e enfurecida, lançando faíscas com o olhar para o oficial de j ustiça.
— Seu garoto pode esperar até que a sala do tribunal estej a vazia — ele m e diz. — Então farem os a audiência. E a m ãe não pode voltar lá para dentro antes disso.
Ele entra na sala outra vez, e a porta se abre com um a arfada. Isso m e deixa sozinho no corredor com Em m a, que agarra m inha m ão e m e puxa para a escada.
— O que... o que você está fazendo?
— Ele está lá em baixo, não está? Venha.
— Espere aí. — Firm o os pés no chão e cruzo os braços. — O que foi tudo aquilo?
— Detesto dizer “eu avisei”, m as eu avisei. Aquilo é Asperger. Às vezes o Jacob parece totalm ente norm al, até brilhante, e às vezes a m enor perturbação pode desencadear um surto total.
— Bom , ele não pode se com portar assim em um tribunal. Achei que ele soubesse tudo sobre cenas de crim e, policiais e procedim entos legais. Ele tem que ser respeitoso e ficar em silêncio, ou isso vai ser um desastre.
— Ele está tentando — Em m a insiste. — Foi por isso que pediu um descanso sensorial.
— Um o quê?
— Um lugar onde ele possa se afastar de todo o barulho e confusão, para poder se acalm ar. Na escola, essa é um a das adaptações especiais que ele recebe... Escute, podem os deixar essa conversa para m ais tarde e ir vê-lo agora?
Jacob estava tendo seu descanso sensorial... em um a cela de detenção provisória.
— Você não pode entrar lá.
Ela recua o corpo, com o se eu a tivesse socado.
— E você, pode? — Em m a pergunta.
Para ser sincero, não tenho certeza. Olho para dentro da sala do tribunal. O oficial de j ustiça está bem ao lado da porta, com os braços cruzados.
— Posso ir falar com m eu cliente? — sussurro.
— Pode, vá em frente — ele responde.
Espero que ele m e leve até Jacob, m as o hom em nem se m exe.
— Obrigado — digo. Saio novam ente, passo por Em m a e desço as escadas.
Espero que as celas fiquem lá.
Depois de cinco m inutos de buscas erradas pelo depósito da m anutenção e pela sala das caldeiras, encontro o que estou procurando. Jacob está sentado no canto da cela, com um a das m ãos flutuando com o um pássaro, os om bros caídos e a voz fraca cantando Bob Marley.
— Por que você está cantando essa m úsica? — pergunto, parando diante das barras.
Ele faz um a pausa no m eio do refrão.
— Ela faz eu m e sentir m elhor.
Penso um pouco sobre isso.
— Conhece algum a do Dy lan? — Com o ele não responde, vou direto ao assunto. — Escute, Jacob. Sei que você não sabe o que está acontecendo. E, para ser sincero, eu tam bém não sei. Nunca fiz isso antes. Mas vam os descobrir j untos. Só preciso que você m e prom eta um a coisa: deixe que só eu fale. — Espero que Jacob faça um m ovim ento de cabeça, que dem onstre de algum a m aneira ter entendido, m as isso não acontece. — Você confia em m im ?
— Não. Não confio. — Ele se levanta. — Você pode dar um recado para a m inha m ãe?
— Claro.
Ele segura as barras com as m ãos. Seus dedos são longos e elegantes.
— A vida é como uma caixa de bombons — ele sussurra. — Você nunca sabe o que vai encontrar.
Eu rio, pensando que o garoto não pode estar tão m al, se ainda consegue fazer piada. Mas então percebo que ele não está brincando.
— Vou dizer a ela.
Quando volto, Em m a está andando de um lado para o outro.
— Ele está bem ? — pergunta, no m om ento em que apareço. — Está respondendo?
— Sim e sim — garanto-lhe. — Talvez o Jacob sej a m ais forte do que você pensa.
— Você está baseando esse diagnóstico nos cinco m inutos que passou com ele? — Ela revira os olhos. — O Jacob tem que com er às seis horas. Se não com er...
— Vou pegar algum a coisa para ele nas m áquinas.
— Não pode ter caseína nem glúten.
Não tenho a m enor ideia do que isso significa.
— Em m a, você tem que se acalm ar.
Ela se volta contra m im .
— Meu filho m ais velho, que é autista, acabou de ser preso por assassinato. Ele está enfiado em um a cela em algum lugar no porão, pelo am or de Deus! Não ouse pedir para eu m e acalm ar.
— É que não vai fazer nenhum bem para Jacob se você perder o controle na sala do tribunal outra vez. — Ao ver que ela não vai responder, eu m e sento em um banco no corredor. — Ele pediu que eu lhe dissesse um a coisa.
A esperança no rosto dela é tão explícita que sinto necessidade de desviar o olhar.
— A vida é como uma caixa de bombons — recito.
Com um suspiro, Em m a se senta ao m eu lado.
— Forrest Gump. É um dos favoritos dele.
— Ele é fã de cinem a?
— Muito. É quase com o se estivesse estudando para um exam e que vai ter que fazer m ais tarde. — Ela m e olha. — Quando ele se sente sobrecarregado, nem sem pre encontra as palavras para dizer, então cita as palavras de outra pessoa.
Penso em Jacob despej ando Charlton Heston quando o oficial de j ustiça o segurou e abro um largo sorriso.
— Ele m onta cenas de crim es para m im — Em m a diz, suavem ente. — Para eu exam inar as provas forenses e fazer a reconstituição. Mas eu devia olhar para o que acontece à frente e não para o que aconteceu atrás. Nunca conversam os de fato sobre o que acontece depois. O que acontece agora.
— Sei que você está aflita, m as tem os m uito tem po para resolver isso. A audiência de hoj e é apenas um procedim ento de rotina.
Ela olha fixam ente para m im . Quando eu estava na faculdade, as m eninas que sem pre m e deixavam babando eram as que tinham pingos de pasta de dente no queixo, ou que enfiavam lápis nos cabelos desarrum ados para im pedir que caíssem no rosto. Essas que m e atraíam estavam tão distantes de se preocupar com a aparência que faziam o cam inho contrário em direção a um a beleza natural, sem artifícios. Em m a Hunt podia ser um a década m ais velha do que eu, m as ainda era um arraso.
— Quantos anos você tem ? — ela pergunta depois de um instante.
— Não acho que a idade cronológica sej a um a boa m edida de...
— Vinte e quatro — ela chuta.
— Vinte e oito.
Ela fecha os olhos e sacode a cabeça.
— Eu tive vinte e oito uns m il anos atrás.
— Então você está incrível para sua idade — digo.
Ela pisca e foca intensam ente em m im .
— Prom eta — ela m e pede —, prom eta que vai tirar m eu filho daqui.
Eu concordo com a cabeça e, por um m om ento, quero ser um cavaleiro galante; quero ser capaz de dizer a ela que conheço o direito tão bem quanto sei ferrar um a égua arredia, e não quero que isso sej a um a m entira. É quando o oficial de j ustiça aparece na quina do corredor.
— Estam os prontos — ele diz.
Só queria poder dizer o m esm o.
A sala do tribunal é diferente quando está vazia. Grãos de poeira flutuam no ar e m eus passos soam com o tiros no piso de assoalho. Em m a e eu cam inham os até a frente da galeria, onde a deixo sentada logo atrás da balaustrada e atravesso para m e sentar à m esa da defesa.
É um déjà vu.
Jacob é conduzido pelos oficiais de j ustiça. Está algem ado, e ouço Em m a puxar o fôlego atrás de m im quando percebe. Mas ele estava violento quando saiu da sala; não há razão para pressupor que não aprontaria a m esm a confusão outra vez. Quando ele se senta ao m eu lado, as algem as retinem em seu colo. Ele aperta os lábios em um a linha plana, com o se tentasse m e m ostrar que se lem bra de m inhas instruções.
— Todos de pé — o oficial de j ustiça diz e, quando m e levanto, seguro a m anga de Jacob para que ele se levante tam bém .
O j uiz Cuttings entra e se senta pesadam ente em sua cadeira, com a túnica ondeando à sua volta com o um a tem pestade.
— Suponho que o senhor tenha conversado com seu cliente sobre o com portam ento no tribunal?
— Sim , Excelência — respondo. — Sinto m uito por aquele acesso. O Jacob é autista.
O j uiz franze a testa.
— O senhor está preocupado quanto à im putabilidade penal?
— Sim — respondo.
— Muito bem , sr. Bond, seu cliente está aqui para um a audiência prelim inar referente a um a denúncia de hom icídio qualificado de acordo com o VSA capítulo 13, seção 2.301. O senhor dispensa a leitura dos direitos dele neste m om ento?
— Sim , Excelência.
O j uiz assente com a cabeça.
— Vou registrar a alegação de inocência em nom e dele, devido à questão da im putabilidade.
Por um m om ento, eu hesito. Se o j uiz está registrando a alegação, isso significa que eu não preciso fazê-lo?
— Há algum a outra questão referente à denúncia na posição em que se encontra no m om ento, sr. Bond?
— Creio que não, Excelência...
— Ótim o. O caso fica pendente para um a audiência de perícia m édica j udicial daqui a catorze dias, às nove horas da m anhã. Até lá, sr. Bond.
O oficial de j ustiça m ais forte se aproxim a da m esa e levanta Jacob. Ele solta um grito agudo e então, lem brando as regras do tribunal, se contém .
— Ei, espere aí — interrom po. — Excelência, o senhor não acabou de dizer que podíam os ir?
— Eu disse que o senhor podia ir, doutor. Seu cliente foi denunciado por assassinato e será m antido sob custódia até a perícia m édica j udicial, por sua própria solicitação.
Enquanto ele deixa a m esa para voltar aos seus aposentos, enquanto Jacob é tirado da sala outra vez, em silêncio agora, para ser levado a um a estada de duas sem anas em um a cela, reúno coragem para m e virar e confessar a Em m a Hunt que acabei de fazer tudo o que havia dito a ela que não faria.