Um Mundo à Parte

Jodi Picoult · Capítulo 79 de 121

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Um Mundo à Parte

Oliver

 

 

Em m a quer ligar para a US Airway s e pedir que im peçam o avião de decolar, m as todo o sistem a telefônico é autom atizado. Quando finalm ente conseguim os contatar um funcionário hum ano, ele está em Charlotte, Carolina do Norte, e não tem com o falar com o portão de em barque em Burlington.

— É o seguinte — digo a ela. — Você pode chegar antes dele se voar direto para San Francisco. É quase a m esm a distância para Palo Alto que do aeroporto de San Jose. — Eu a vej o olhar sobre m eu om bro para a tela do com putador, que m ostra o voo que encontrei. — Com a conexão em Chicago que o Theo vai fazer, você ainda vai chegar um a hora antes dele.

Ela se inclina para frente e sinto o cheiro do xam pu em seu cabelo. Seus olhos passam pelas inform ações do voo, esperançosos, e então... pousam na parte inferior da tela e no preço.

— Mil e oitenta dólares? Isso é ridículo!

— Tarifas para voos no m esm o dia não são baratas.

— Bom , isso não está no m eu orçam ento — diz Em m a.

Clico no botão para com prar o bilhete.

— Está no m eu — m into.

— O que você está fazendo?! Eu não posso pagar por isso.

— Tarde dem ais — dou de om bros. A verdade é que m inhas finanças andam m eio abaladas no m om ento. Tenho só um a cliente, e ela não tem dinheiro para m e pagar e, pior, não m e im porto com isso. Com certeza eu perdi a aula de Com o Sugar seu Cliente na faculdade de direito, j á que todas as evidências apontam para m im com o o m odelo dos Advogados de Defesa Financeiram ente Arruinados. Mas, ao m esm o tem po, estou pensando que posso vender m inha sela... Tenho um a bela sela inglesa que está guardada em baixo da cantina. De que m e serve ficar com ela se não tenho um cavalo?

— Vou acrescentar à conta — digo, m as nós dois sabem os que provavelm ente não o farei.

Em m a fecha os olhos por um m om ento.

— Não sei o que dizer.

— Então não diga nada.

— Você não precisava se envolver nessa confusão.

— Sorte sua que a única coisa que eu tinha para fazer hoj e era organizar m inha gaveta de m eias — brinco, m as ela não ri.

— Desculpe — Em m a responde. — Mas é que... eu não tenho m ais ninguém .

Muito lentam ente, m uito deliberadam ente, para que ela não se assuste ou fuj a, enlaço m eus dedos nos dela e aperto-lhe a m ão.

— Você tem a m im — digo.

 

Se eu fosse um hom em m elhor, não teria escutado a conversa de Em m a com seu ex-m arido.

— Henry — disse ela. — É a Em m a. Não, não posso ligar m ais tarde. É sobre o Theo. Ele está bem . Quer dizer, acho que está. Ele fugiu de casa. Claro que eu sei. Ele está indo encontrar você. Sim , na Califórnia. A não ser que você tenha se m udado recentem ente. Não, desculpe. Não quis ser irônica... Não sei por quê. Ele sim plesm ente pegou o avião. Ele usou m eu cartão de crédito. Escute, podem os falar sobre isso quando eu chegar aí? Ah. Acho que esqueci de m encionar isso. Se tudo correr bem , vou aterrissar antes do Theo. Nos encontrar no aeroporto seria ótim o. Vam os os dois pela US Airway s. — Há um m om ento de hesitação. — O Jacob? — ela responde. — Não, ele não vai com igo.

 

Está decidido que m ontarei acam pam ento aqui por esta noite para ser o adulto com m ais de vinte e cinco anos que tom a conta de Jacob enquanto Em m a arrasta Theo de volta do outro lado do país. A princípio, depois que ela sai, parece que vai ser m oleza: podem os j ogar Wii. Podem os ver TV. E, felizm ente, estam os na Quinta-Feira Marrom , o que é relativam ente fácil: posso fazer ham búrguer para o j antar. Já faz um a hora que ela saiu quando m e lem bro da audiência de am anhã. Aquela que eu ainda não havia m encionado para Em m a e para a qual vou ter que levar Jacob sozinho.

— Jacob — digo, enquanto ele está entretido com um program a de televisão sobre com o um a determ inada m arca de chocolate em barra é produzida. — Preciso conversar com você um segundo.

Ele não responde. Seus olhos nem se desviam da tela, então entro na frente dele e desligo a TV.

— Só quero conversar um pouco. — Jacob não responde, então continuo falando. — Seu j ulgam ento com eça daqui a um m ês, com o você sabe.

— Um m ês e seis dias.

— Certo. Bom , eu estive pensando em com o talvez sej a... difícil para você ficar no tribunal o dia inteiro e achei que precisaríam os fazer algum a coisa quanto a isso.

— Ah, não — diz Jacob, sacudindo a cabeça. — Não posso ficar no tribunal o dia todo. Tenho trabalho de escola para fazer. E preciso estar em casa às quatro e m eia para ver CrimeBusters.

— Acho que você não está entendendo. Não é um a escolha sua. Você vai para o tribunal quando o j uiz m andar e volta para casa quando ele decidir que você pode voltar.

Jacob reflete sobre essa inform ação.

— Isso não vai funcionar para m im .

— É por isso que você e eu vam os de novo ao tribunal am anhã.

— Mas m inha m ãe não está aqui.

— Eu sei, Jacob. Não planej ei que ela estivesse fora. Mas o m otivo de estarm os indo lá é algo que você m e disse.

— Eu?

— Lem bra o que você alegou quando decidiu que eu poderia entrar com a defesa por insanidade?

Jacob concorda com a cabeça.

— Que a Lei de Am ericanos com Deficiência proíbe discrim inação pelo Estado ou pelo governo local, incluindo os tribunais — repete ele —, e que algum as pessoas consideram que o autism o é um a deficiência, em bora eu não sej a um a dessas pessoas.

— Certo. Mas, se considerarm os que a síndrom e de Asperger é um a deficiência de desenvolvim ento, então, segundo essa lei, você tam bém tem direito a adaptações no tribunal que tornem a experiência um pouco m ais fácil. — Deixo escapar um sorriso lento, com o se tivesse um a carta escondida na m anga. — Am anhã vam os garantir que isso aconteça.