Um Mundo à Parte

Jodi Picoult · Capítulo 114 de 121

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Um Mundo à Parte

Oliver

 

Helen e eu estam os na frente do j uiz Cuttings com o colegiais indisciplinados.

— Não quero ver isso acontecer novam ente, sr. Bond — diz ele. — Se precisar m edicá-lo, faça isso. Ou o senhor m antém seu cliente sob controle pelo resto deste j ulgam ento, ou vou ter que m andar algem á-lo.

— Excelência — diz Helen —, com o o Estado pode ter um j ulgam ento j usto se houver um circo se desenrolando no palco lateral a cada quinze m inutos?

— O senhor sabe que ela está certa, sr. Bond — o j uiz responde.

— Vou solicitar a anulação do j ulgam ento, Excelência — digo.

— Não pode fazer isso quando é o seu cliente que está causando problem as, sr. Bond. Certam ente sabe disso.

— Certo — m urm uro.

— Se houver algum a m oção que algum dos dois pretenda fazer, pensem bem antes. Sr. Bond, vou ouvi-lo novam ente antes de com eçarm os.

Corro para fora da sala antes que Helen possa dizer qualquer outra coisa que m e enfureça ainda m ais. E então, quando acho que não dá para piorar, encontro Rich Matson conversando com m eu cliente.

— Eu só estava fazendo com panhia a ele até você chegar — o detetive explica.

— Ah, aposto que sim .

Ele m e ignora e se vira para Jacob.

— Ei, boa sorte.

Espero até não ouvir m ais seus passos se afastando.

— O que é isso agora?

— Nada. Só estávam os falando sobre casos.

— Ah, que ótim o. Porque não foi um a ideia muito boa na últim a vez em que vocês dois resolveram sentar e bater um papo. — Cruzo os braços. — Escute, Jacob, você precisa se controlar. Se não se com portar direito, vai parar na cadeia. Ponto-final.

— Se eu não m e com portar direito? Schwing!

— Você não tem idade para lem brar de Quanto mais idiota melhor. E, sej a com o for, não sou eu o réu. Estou falando m uito sério, Jacob. Se você aprontar outra dessas, a prom otoria vai j ogar você dentro de um a cela ou então pedir a anulação do j ulgam ento, o que significa passar por tudo isso outra vez.

— Você prom eteu que a sessão seria suspensa às quatro horas.

— Tem razão. Só que, em um tribunal, o j uiz é Deus, e Deus quis que ficássem os até m ais tarde. Então não im porta se vam os ficar aqui até as quatro da m anhã, ou se o j uiz Cuttings anunciar que vam os todos levantar e dançar o pintinho am arelinho. Você vai plantar a bunda na cadeira ao m eu lado e ficar de boca fechada.

— Você vai dizer ao j úri por que eu fiz aquilo? — pergunta Jacob.

— E por que você fez aquilo?

Sei que não deveria perguntar isso. Mas, nessa hora, não estou pensando em perj úrio. Estou pensando que Jacob e eu precisam os estar na m esm a frequência de um a vez por todas.

— Porque não pude abandonar a Jess — ele diz, com o se fosse óbvio.

Fico de queixo caído. Antes que eu possa fazer m ais algum a pergunta — Ela rejeitou você? Você tentou beijá-la e ela resistiu? Você a segurou perto demais e a sufocou acidentalmente? —, um oficial de j ustiça aparece.

— Estão à espera.

Faço um sinal para que ele abra a cela. Som os os últim os a entrar na sala, com exceção do j uiz e dos j urados. Em m a olha direto para o filho.

— Está tudo bem ?

Antes que eu possa colocá-la a par dos últim os acontecim entos, os j urados e o j uiz retornam .

— Senhores, aproxim em -se — diz o j uiz Cuttings, sentando-se.

Helen e eu vam os até a m esa dele.

— Sr. Bond, conversou com seu cliente?

— Sim , Excelência. Não haverá m ais interrupções.

— Mal posso m e conter de alegria — ele diz. — Podem prosseguir, então.

Sabendo o que sei agora, a defesa por insanidade parece cada vez m ais forte. Só espero que o j úri receba essa m ensagem , em alto e bom som .

— A defesa term inou — anuncio.

— O quê? — Jacob explode atrás de m im . — Não term inou, não!

Fecho os olhos e com eço a contar até dez, porque tenho certeza de que não é um a boa ideia m atar m eu cliente na frente de um tribunal inteiro, e então um aviãozinho de papel pousa sobre m eu om bro. É um dos bilhetes de Jacob, que abro:

 

“EU QUERO FALAR.”

 

Eu m e viro.

— De j eito nenhum .

— Algum problem a, sr. Bond? — o j uiz pergunta.

— Não, Excelência — respondo, ao m esm o tem po em que Jacob diz “sim ”.

Rapidam ente, eu m e viro para o j uiz outra vez.

— Precisam os de um descanso sensorial.

— Mas a sessão recom eçou há dez segundos! — exclam a Helen.

— O senhor term inou, sr. Bond? — pergunta o j uiz Cuttings. — Ou há m ais algum a coisa?

— Há m ais — diz Jacob. — É a m inha vez de falar. E, se eu quiser depor, vocês têm que m e deixar.

— Você não vai depor — insiste Em m a.

— Sra. Hunt, a senhora não tem autorização para falar! Sou a única pessoa aqui que sabe que estam os em um tribunal? — o j uiz Cuttings esbravej a. — Sr. Bond, apresente sua últim a testem unha.

— Eu gostaria de um breve intervalo...

— Tenho certeza que sim . E eu gostaria de estar no Caribe em vez de estar aqui, m as nenhum de nós dois vai ter o que desej a — o j uiz determ ina.

Sacudindo a cabeça, encam inho Jacob ao banco das testem unhas. Estou tão furioso que m al consigo enxergar direito. Jacob vai contar a verdade ao j úri, com o contou a m im , e vai cavar o próprio túm ulo. Se não for com o teor do que disser, será com o estilo: não im porta o que tenha sido dito até agora, não im porta o que tenha sido falado pelas testem unhas, o que vai ficar na cabeça dos j urados é esse garoto desaj eitado que fala em j atos de palavras, não para de se agitar, não registra as em oções apropriadas e não consegue olhá-los nos olhos — todas expressões tradicionais de culpa. Não im porta o que Jacob diga, seus m odos vão condená-lo antes m esm o que ele abra a boca.

Abro o portãozinho para ele passar ao banco das testem unhas.

— É seu funeral — m urm uro.

— Não — diz Jacob. — É m eu j ulgam ento.

Posso dizer o instante em que ele se dá conta de que essa talvez não tenha sido um a ótim a ideia. Ele faz o j uram ento e engole em seco. Seus olhos estão m uito abertos e percorrem a sala.

— Diga-m e o que acontece quando você fica nervoso, Jacob — com eço.

Ele lam be os lábios.

— Eu ando na ponta dos pés ou fico subindo e descendo o corpo. Às vezes eu balanço as m ãos, ou falo m uito rápido, ou dou risada quando não é engraçado.

— Você está nervoso agora?

— Estou.

— Por quê?

Ele aperta os lábios em um sorriso.

— Porque está todo m undo olhando para m im .

— Só por isso?

— E tam bém as luzes são m uito brilhantes. E eu não sei o que você vai dizer em seguida.

E isso é culpa de quem?, penso.

— Jacob, você disse ao j uiz que queria falar.

— Sim .

— O que você quer contar ao j úri?

Jacob hesita.

— A verdade — ele diz.