Um Mundo à Parte
Oliver
Helen e eu estam os na frente do j uiz Cuttings com o colegiais indisciplinados.
— Não quero ver isso acontecer novam ente, sr. Bond — diz ele. — Se precisar m edicá-lo, faça isso. Ou o senhor m antém seu cliente sob controle pelo resto deste j ulgam ento, ou vou ter que m andar algem á-lo.
— Excelência — diz Helen —, com o o Estado pode ter um j ulgam ento j usto se houver um circo se desenrolando no palco lateral a cada quinze m inutos?
— O senhor sabe que ela está certa, sr. Bond — o j uiz responde.
— Vou solicitar a anulação do j ulgam ento, Excelência — digo.
— Não pode fazer isso quando é o seu cliente que está causando problem as, sr. Bond. Certam ente sabe disso.
— Certo — m urm uro.
— Se houver algum a m oção que algum dos dois pretenda fazer, pensem bem antes. Sr. Bond, vou ouvi-lo novam ente antes de com eçarm os.
Corro para fora da sala antes que Helen possa dizer qualquer outra coisa que m e enfureça ainda m ais. E então, quando acho que não dá para piorar, encontro Rich Matson conversando com m eu cliente.
— Eu só estava fazendo com panhia a ele até você chegar — o detetive explica.
— Ah, aposto que sim .
Ele m e ignora e se vira para Jacob.
— Ei, boa sorte.
Espero até não ouvir m ais seus passos se afastando.
— O que é isso agora?
— Nada. Só estávam os falando sobre casos.
— Ah, que ótim o. Porque não foi um a ideia muito boa na últim a vez em que vocês dois resolveram sentar e bater um papo. — Cruzo os braços. — Escute, Jacob, você precisa se controlar. Se não se com portar direito, vai parar na cadeia. Ponto-final.
— Se eu não m e com portar direito? Schwing!
— Você não tem idade para lem brar de Quanto mais idiota melhor. E, sej a com o for, não sou eu o réu. Estou falando m uito sério, Jacob. Se você aprontar outra dessas, a prom otoria vai j ogar você dentro de um a cela ou então pedir a anulação do j ulgam ento, o que significa passar por tudo isso outra vez.
— Você prom eteu que a sessão seria suspensa às quatro horas.
— Tem razão. Só que, em um tribunal, o j uiz é Deus, e Deus quis que ficássem os até m ais tarde. Então não im porta se vam os ficar aqui até as quatro da m anhã, ou se o j uiz Cuttings anunciar que vam os todos levantar e dançar o pintinho am arelinho. Você vai plantar a bunda na cadeira ao m eu lado e ficar de boca fechada.
— Você vai dizer ao j úri por que eu fiz aquilo? — pergunta Jacob.
— E por que você fez aquilo?
Sei que não deveria perguntar isso. Mas, nessa hora, não estou pensando em perj úrio. Estou pensando que Jacob e eu precisam os estar na m esm a frequência de um a vez por todas.
— Porque não pude abandonar a Jess — ele diz, com o se fosse óbvio.
Fico de queixo caído. Antes que eu possa fazer m ais algum a pergunta — Ela rejeitou você? Você tentou beijá-la e ela resistiu? Você a segurou perto demais e a sufocou acidentalmente? —, um oficial de j ustiça aparece.
— Estão à espera.
Faço um sinal para que ele abra a cela. Som os os últim os a entrar na sala, com exceção do j uiz e dos j urados. Em m a olha direto para o filho.
— Está tudo bem ?
Antes que eu possa colocá-la a par dos últim os acontecim entos, os j urados e o j uiz retornam .
— Senhores, aproxim em -se — diz o j uiz Cuttings, sentando-se.
Helen e eu vam os até a m esa dele.
— Sr. Bond, conversou com seu cliente?
— Sim , Excelência. Não haverá m ais interrupções.
— Mal posso m e conter de alegria — ele diz. — Podem prosseguir, então.
Sabendo o que sei agora, a defesa por insanidade parece cada vez m ais forte. Só espero que o j úri receba essa m ensagem , em alto e bom som .
— A defesa term inou — anuncio.
— O quê? — Jacob explode atrás de m im . — Não term inou, não!
Fecho os olhos e com eço a contar até dez, porque tenho certeza de que não é um a boa ideia m atar m eu cliente na frente de um tribunal inteiro, e então um aviãozinho de papel pousa sobre m eu om bro. É um dos bilhetes de Jacob, que abro:
“EU QUERO FALAR.”
Eu m e viro.
— De j eito nenhum .
— Algum problem a, sr. Bond? — o j uiz pergunta.
— Não, Excelência — respondo, ao m esm o tem po em que Jacob diz “sim ”.
Rapidam ente, eu m e viro para o j uiz outra vez.
— Precisam os de um descanso sensorial.
— Mas a sessão recom eçou há dez segundos! — exclam a Helen.
— O senhor term inou, sr. Bond? — pergunta o j uiz Cuttings. — Ou há m ais algum a coisa?
— Há m ais — diz Jacob. — É a m inha vez de falar. E, se eu quiser depor, vocês têm que m e deixar.
— Você não vai depor — insiste Em m a.
— Sra. Hunt, a senhora não tem autorização para falar! Sou a única pessoa aqui que sabe que estam os em um tribunal? — o j uiz Cuttings esbravej a. — Sr. Bond, apresente sua últim a testem unha.
— Eu gostaria de um breve intervalo...
— Tenho certeza que sim . E eu gostaria de estar no Caribe em vez de estar aqui, m as nenhum de nós dois vai ter o que desej a — o j uiz determ ina.
Sacudindo a cabeça, encam inho Jacob ao banco das testem unhas. Estou tão furioso que m al consigo enxergar direito. Jacob vai contar a verdade ao j úri, com o contou a m im , e vai cavar o próprio túm ulo. Se não for com o teor do que disser, será com o estilo: não im porta o que tenha sido dito até agora, não im porta o que tenha sido falado pelas testem unhas, o que vai ficar na cabeça dos j urados é esse garoto desaj eitado que fala em j atos de palavras, não para de se agitar, não registra as em oções apropriadas e não consegue olhá-los nos olhos — todas expressões tradicionais de culpa. Não im porta o que Jacob diga, seus m odos vão condená-lo antes m esm o que ele abra a boca.
Abro o portãozinho para ele passar ao banco das testem unhas.
— É seu funeral — m urm uro.
— Não — diz Jacob. — É m eu j ulgam ento.
Posso dizer o instante em que ele se dá conta de que essa talvez não tenha sido um a ótim a ideia. Ele faz o j uram ento e engole em seco. Seus olhos estão m uito abertos e percorrem a sala.
— Diga-m e o que acontece quando você fica nervoso, Jacob — com eço.
Ele lam be os lábios.
— Eu ando na ponta dos pés ou fico subindo e descendo o corpo. Às vezes eu balanço as m ãos, ou falo m uito rápido, ou dou risada quando não é engraçado.
— Você está nervoso agora?
— Estou.
— Por quê?
Ele aperta os lábios em um sorriso.
— Porque está todo m undo olhando para m im .
— Só por isso?
— E tam bém as luzes são m uito brilhantes. E eu não sei o que você vai dizer em seguida.
E isso é culpa de quem?, penso.
— Jacob, você disse ao j uiz que queria falar.
— Sim .
— O que você quer contar ao j úri?
Jacob hesita.
— A verdade — ele diz.