Um Mundo à Parte

Jodi Picoult · Capítulo 43 de 121

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Um Mundo à Parte

CASO 5: Um médico não tão bom

 

 

Kay Sybers tinha cinquenta e dois anos e, pelos padrões de qualquer pessoa, não era saudável. Tinha sido fumante anos atrás e estava acima do peso. Mas não aparentava sinais de problemas médicos até uma noite, em 1991, em que (depois de um jantar de costela bovina e Chardonnay) teve dificuldade para respirar e começou a sentir uma dor aguda descendo pelo braço esquerdo. Esses são sinais clássicos de ataque cardíaco — algo que seu marido, Bill, deveria ter reconhecido. Afinal, ele era médico na Flórida, além de legista do condado. Em vez de chamar uma ambulância ou levá-la ao pronto-socorro, ele tentou tirar sangue do braço dela para fazer alguns exames naquele dia, no trabalho, segundo contou. Horas depois, porém, Kay estava morta. Concluindo que ela havia morrido de isquemia coronariana, Bill Sybers decidiu dispensar a autópsia.

Um dia depois, com base em uma denúncia anônima de atividade suspeita, foi solicitada uma autópsia em Kay Sybers. Os laudos toxicológicos se mostraram inconclusivos e Kay foi enterrada. No entanto, suspeitas surgiram novamente quando começaram a circular boatos de que Bill Sybers estava mantendo relações íntimas com uma técnica de laboratório em seu local de trabalho. O corpo de Kay foi exumado e o toxicologista forense Kevin Ballard fez testes para succinilcolina, uma droga que aumenta a liberação de potássio e paralisa os músculos, inclusive o diafragma. Nos tecidos, ele encontrou succinilmonocolina, um subproduto da succinilcolina e prova da presença do veneno no corpo de Kay.

Ironicamente, embora Bill Sybers estivesse apressado para enterrar a esposa e esconder as provas, o processo de embalsamamento ajudou a preservar a succinilmonocolina, tornando-a mais fácil de ser detectada.