Um Mundo à Parte

Jodi Picoult · Capítulo 62 de 121

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Um Mundo à Parte

Emma

 

 

Eu não esperava oferecer um alm oço para o advogado de Jacob.

Tam bém não esperava gostar tanto da com panhia dele. Mas, quando ele faz um a piada sobre o Dia de Com ida Branca — que, convenham os, é tão ridículo quanto todo m undo no conto de fadas fingindo que o im perador está belam ente vestido, quando ele está nu em pelo —, não posso evitar e com eço a rir. E, antes que m e dê conta, estou rindo tanto que até perco o ar.

Porque, pensando bem , é engraçado quando pergunto a m eu filho: Como passou a noite?, e ele responde: Deitado na cama.

É engraçado quando digo a Jacob que vou voltar em um m inuto e ele com eça a fazer a contagem regressiva a partir de sessenta.

É engraçado com o Jacob vinha segurar na m inha roupa toda vez que eu chegava para buscá-lo na escola: sua interpretação de “te pego m ais tarde”.

É engraçado quando ele m e pede para com prar um livro de ciência forense na Am azon.com , eu lhe pergunto o valor e ele diz: Muito educativo.

E é engraçado quando m ovo céus e terra para dar a Jacob com ida branca no dia prim eiro do m ês e ele pega tranquilam ente um copo de Coca-Cola.

É verdade quando se diz que o Asperger afeta a fam ília inteira. Faço isso há tanto tem po que m e esqueço de im aginar o que alguém de fora pensaria de nosso arroz e de nosso peixe sem cor, de nossas rotinas consagradas, da m esm a form a que Jacob não tem a capacidade de se colocar no lugar das outras pessoas. E, com o Jacob aprendeu de rej eição em rej eição, o que parece lastim ável por um ângulo é absolutam ente hilário por outro.

— A vida não é j usta — digo a Oliver.

— É por isso que existem advogados de defesa — ele responde. — E, a propósito, o Jacob está certo sobre aquele j argão j urídico. Vou solicitar a exclusão de provas porque a polícia tinha ciência de não estar lidando com um a pessoa m entalm ente capaz de com preender de fato seus direitos de Miranda...

— Eu conheço m eus direitos de Miranda! — Jacob grita da outra sala. — Você tem o direito de perm anecer calado! Qualquer coisa que disser será usada contra você no tribunal...

— Já entendi, Jacob, tudo bem — Oliver grita de volta, levantando e pondo seu prato na pia. — Obrigado pelo alm oço. Eu aviso você sobre a audiência.

Eu o acom panho até a porta e o observo quando ele abre o carro. Em vez de entrar, porém , ele pega algo no banco de trás e vem de novo até m im , com o rosto sério.

— Só m ais um a coisa — diz. Ele segura m inha m ão e coloca nela um chocolate em m iniatura. — Para o caso de você querer dar um a escapadinha antes de chegar a Quinta-Feira Marrom — ele sussurra, e, pela segunda vez nesse dia, m e faz sorrir.