História do novo sobrenome
Capítulo 101
Lila de repente se sentiu com a razão, e isso a apaziguou. Naquela mesma noite pôs Gennaro na cama e esperou que Stefano voltasse. Ele chegou pouco depois de meia-noite e encontrou-a sentada à mesa da cozinha. Lila ergueu o olhar do livro que estava lendo, disse que sabia de Ada, que sabia desde quando durava e que não lhe importava nada. “O que você fez comigo, eu fiz com você”, escandiu sorrindo, e repetiu — quantas vezes lhe tinha dito isso no passado, duas, três? — que Gennaro não era seu filho. Concluiu que ele podia fazer o que achasse melhor, ir dormir onde e com quem quisesse. “O essencial”, gritou repentinamente, “é que você não toque mais em mim.”
Não sei o que tinha em mente, talvez quisesse apenas esclarecer as coisas. Ou talvez esperasse de tudo. Esperava que ele confessasse cada detalhe, que depois a massacrasse, que a expulsasse de casa, que a obrigasse — a ela, a esposa — a ser a servente da amante. Estava preparada para qualquer agressão possível, e para a prepotência de quem se sente dono e tem dinheiro para comprar tudo. Em vez disso, não foi possível chegar a nenhuma palavra que lançasse luz e decretasse o fracasso de seu casamento. Stefano negou. Disse austero, mas calmo, que Ada era apenas a atendente de sua charcutaria, que qualquer boato que circulasse a esse respeito não tinha nenhum fundamento. Depois se enfureceu e gritou que, se dissesse mais uma vez aquela barbaridade sobre seu filho, Deus é testemunha de que ele a mataria: Gennaro era o retrato dele, idêntico, e todos diziam isso, era inútil continuar a provocá-lo sobre aquele ponto. Por fim — e isto foi o mais surpreendente — declarou, como tinha feito outras vezes no passado, sem variar as fórmulas, o amor que sentia por ela. Disse que a amaria para sempre, porque era sua mulher, porque tinham se casado diante do padre e nada podia separá-los. Quando se aproximou para beijá-la e ela o rejeitou, ele a ergueu, a levou para o quarto onde estava o berço do menino, arrancou tudo o que ela estava vestindo e a penetrou à força, enquanto ela suplicava em voz baixíssima, reprimindo os soluços: “Rinuccio vai acordar, está nos vendo, está nos ouvindo, por favor, vamos para outro lugar”.
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