História do novo sobrenome

Elena Ferrante · Capítulo 115 de 126

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História do novo sobrenome

Capítulo 114

Lila só saía sorrateiramente do quarto quando Stefano não estava, nem Ada. Preparava comida para Rinuccio, beliscava algo ela mesma. Sabia que o bairro estava fofocando, que as vozes corriam. Num fim de tarde de novembro o telefone tocou.

“Daqui a dez minutos estarei aí.”

Conseguiu reconhecê-lo pela voz e, sem grande surpresa, respondeu:

“Tudo bem”. E então: “Enzo”.

“Sim.”

“Você não é obrigado a fazer isso.”

“Eu sei.”

“Os Solara estão envolvidos.”

“Que se fodam os Solara.”

Chegou exatamente dez minutos depois. Subiu, ela colocara as coisas dela e do menino em duas malas e deixara sobre o criado-mudo do quarto todas as joias, inclusive o anel de noivado e a aliança.

“É a segunda vez que vou embora”, disse a ele, “mas desta vez não volto atrás.”

Enzo olhou em torno, nunca tinha estado naquela casa. Ela o puxou por um braço:

“Stefano pode chegar de repente, às vezes faz isso.”

“E qual o problema?”, disse ele.

Tocou em objetos que lhe pareciam caros, um vaso de flores, um cinzeiro, a prataria reluzente. Folheou um caderninho onde Lila anotava o que precisava comprar para o menino e para a casa. Então lhe lançou um olhar indagador, perguntou a ela se estava segura da escolha. Disse que tinha encontrado trabalho numa fábrica em San Giovanni a Teduccio e alugara uma casa lá, de três cômodos, a cozinha um tanto escura. “Mas tudo o que Stefano lhe deu”, acrescentou, “você não terá mais: eu não posso lhe dar.” Por fim observou:

“Talvez você tenha medo por não estar convencida.”

“Estou convencida”, disse ela, pegando Rinuccio no colo com um gesto de impaciência, “e não tenho medo de nada. Vamos.”

Ele se demorou mais um pouco. Destacou uma folha do caderninho de despesas e escreveu algo. Deixou a folha sobre a mesa.

“O que você escreveu?”

“O endereço em San Giovanni.”

“Por quê?”

“Não estamos brincando de esconde-esconde.”

Pegou finalmente as malas e começou a descer as escadas. Lila trancou a porta à chave e a deixou na fechadura.

 

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