História do novo sobrenome

Elena Ferrante · Capítulo 41 de 126

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História do novo sobrenome

Capítulo 40

Falei com Lila. Ela começou a rir, disse que só iria ao médico se eu jurasse que não estava zangada com ela.

“Tudo bem.”

“Jura?”

“Juro.”

“Jura por seus irmãos, jura por Elisa?”

Respondi que ir ao médico não era nada demais, mas que, se ela não queria ir, isso não era problema meu, fizesse o que achasse melhor. Ela ficou séria.

“Então não vai jurar?”.

“Não.”

Fez silêncio um instante e aí admitiu, de olhos baixos:

“Tudo bem, eu errei”.

Fiz uma expressão de fastio.

“Vá ao médico e depois me conte.”

“Você não vem?”.

“Se eu me ausentar, o livreiro me demite.”

“Eu contrato você”, disse irônica.

“Vá ao médico, Lila.”

Foi ao médico acompanhada de Maria, Nunzia e Pinuccia. As três queriam estar presentes à consulta. Lila foi obediente, disciplinada: nunca tinha feito um exame daquele tipo, ficou todo o tempo de lábios cerrados, os olhos arregalados. Quando o doutor, um homem muito idoso que fora aconselhado por uma obstetra do bairro, disse com palavras professorais que tudo estava em ordem, a mãe e a sogra se alegraram. Já Pinuccia ficou séria e perguntou:

“Então como é que ela não consegue engravidar e, se engravida, os filhos não conseguem nascer?”

O médico percebeu a malevolência e franziu o cenho:

“Esta senhora ainda é muito jovem”, disse, “precisa se fortalecer um pouco”.

Fortalecer. Não sei se o médico usou exatamente esse verbo, no entanto foi assim que me disseram, o que me chocou muito. Significava que Lila, malgrado a força que manifestava em cada momento, era frágil. Significava que não tinha filhos, ou não conseguia manter a gravidez, não porque possuísse uma misteriosa potência que os aniquilava, mas porque, ao contrário, não era suficientemente mulher. Meu rancor se atenuou. Quando ela me contou no pátio a tortura do exame médico com expressões vulgares dirigidas tanto ao médico quanto às três acompanhantes, não dei sinais de irritação, até me interessei: nunca nenhum médico me examinara, nem sequer o ginecologista. Por fim concluiu, sarcástica:

“Me rasgou com uma coisa de ferro, dei a ele um monte de dinheiro, tudo isso para chegar a que conclusão? Que eu preciso de um reforço”.

“Um reforço de que tipo?”

“Devo tomar banhos de mar.”

“Não entendi.”

“A praia, Lenu, o sol, água salgada. Parece que, se uma mulher faz essas coisas, fica mais forte e os filhos aparecem.”

Nos despedimos de bom humor. Tínhamos voltado a nos ver e, no fim das contas, tudo estava dando certo.

No dia seguinte ela reapareceu, afetuosa comigo, irritada com o marido. Stefano queria alugar uma casa em Torre Annunziata e mandá-la para lá nos meses de julho e agosto, com Nunzia e Pinuccia, que também queria se revigorar, embora em seu caso não houvesse necessidade. Já estavam pensando em como fariam com as lojas. Alfonso ficaria à frente da Piazza dei Martiri com Gigliola, até quando as aulas recomeçassem, e Maria substituiria Lila na charcutaria nova. Ela me disse desolada:

“Se eu passar dois meses com minha mãe e Pinuccia, me mato”.

“Pelo menos toma banho de mar, de sol.”

“Não gosto de banho de mar nem de tomar sol.”

“Se eu pudesse me revigorar em seu lugar, iria amanhã mesmo.”

Me olhou com curiosidade, disse baixinho:

“Então venha comigo”.

“Preciso trabalhar em Mezzocannone.”

Ela se entusiasmou, disse que me contrataria, mas dessa vez sem ironia. “Peça demissão”, começou a me pressionar, “e lhe dou o mesmo que o livreiro lhe paga.” Não parava mais, disse que, se eu concordasse, tudo se tornaria aceitável, até Pinuccia com sua barriga em ponta, já visível. Recusei com gentileza. Imaginei o que poderia acontecer naqueles dois meses na casa escaldante de Torre del Greco: brigas com Nunzia, choros; brigas com Stefano quando ele chegasse no sábado à tarde; brigas com Rino quando ele aparecesse com o cunhado para se juntar a Pinuccia; brigas sobretudo com Pinuccia, contínuas, veladas ou explícitas, feitas de pérfidas ironias e insultos impensáveis.

“Não posso”, disse por fim com firmeza, “minha mãe não permitiria.”

Ela foi embora zangada, o idílio entre nós duas era frágil. Na manhã seguinte, de surpresa, Nino apareceu na livraria, pálido, ainda mais magro. Tinha feito uma prova atrás da outra, quatro ao todo. Eu, que devaneava sobre espaços arejados atrás dos muros da universidade, onde estudantes preparadíssimos e velhos sábios discutiam o dia inteiro sobre Platão e sobre Kepler, escutei-o encantada, limitando-me a dizer: “Como você é competente”. E, assim que me pareceu oportuno, elogiei com uma profusão de palavras meio vazias seu artigo na Cronache Meridionali. Pôs-se a me ouvir com seriedade, sem me interromper, tanto que a certa altura eu não sabia mais o que falar para demonstrar que conhecia seu texto a fundo. Finalmente pareceu contente, exclamou que nem mesmo Galiani, nem Armando, nem Nadia o tinham lido com tanta atenção. E desandou a me falar de outros artigos que tinha em mente sobre o mesmo tema, esperava que fossem publicados. Fiquei ouvindo da soleira da livraria, fazendo de conta que não escutava o patrão me chamando. Depois de um grito mais brutal que os outros, Nino resmungou o que esse cretino quer, demorou-se mais um pouco com seu ar arrogante, me disse que partiria para Ischia no dia seguinte e me estendeu a mão. Eu a apertei — era fina, delicada —, e ele imediatamente me puxou de leve contra si, se inclinou, tocou meus lábios com os seus. Foi um instante, depois me deixou com um movimento suave, uma carícia na palma com os dedos, e foi embora rumo ao Rettifilo. Fiquei olhando enquanto ele se afastava sem se virar, com seu passo de comandante distraído, que não temia nada do mundo, porque o mundo só existia para dobrar-se diante dele.

Naquela noite não preguei o olho. De manhã me levantei cedo e fui correndo à charcutaria nova. Topei com Lila justamente quando ela estava levantando a porta. Carmen ainda não tinha chegado. Não lhe disse nada de Nino, apenas murmurei com o tom de quem está pedindo o impossível e sabe disso:

“Se você for veranear em Ischia, e não em Torre Annunziata, me demito e vou com você”.

 

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