História do novo sobrenome

Elena Ferrante · Capítulo 83 de 126

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História do novo sobrenome

Capítulo 82

 

Lila falou com um tom que eu conhecia bem, o tom da determinação, com que se esforçava para expulsar qualquer emoção e se limitava a somar velozmente fatos e comportamentos quase com desdém, como se temesse que, caso se permitisse um simples tremor da voz ou do lábio inferior, tudo perderia as linhas de contorno, se romperia e a arrastaria. Nino ficou sentado no sofá de cabeça baixa, fazendo no máximo uns sinais de concordância. Estavam de mãos dadas.

Disse que aqueles encontros ali na loja, entre mil preocupações, tinham acabado no momento em que ela fizera o exame de urina e descobrira a gravidez. Agora ela e Nino precisavam de uma casa para eles, de uma vida própria. Queria compartilhar com ele amizades, livros, conferências, cinema, teatro, música. “Não suporto mais”, disse, “essa vida que levamos separados.” Tinha guardado em algum lugar um pouco de dinheiro e estava negociando o aluguel de um pequeno apartamento nos Campi Flegrei, vinte mil liras ao mês. Os dois se entocariam ali, à espera de que o bebê nascesse.

Como? Sem um trabalho? Com Nino precisando estudar? Não consegui me controlar e falei:

“Qual a necessidade de abandonar Stefano? Você é boa em contar mentiras, já disse tantas a ele, pode perfeitamente continuar assim.”

Ela me fixou com os olhos apertados. Notei que tinha percebido nitidamente o sarcasmo, o fastio, até o desprezo que aquelas palavras continham por trás da aparência de um conselho amigável. Percebera além disso um brusco movimento de cenho por parte de Nino, a boca entreaberta como se quisesse dizer alguma coisa, mas que se contivera para evitar discussões. Ela rebateu:

“Contar mentiras me serviu para não morrer assassinada. Mas agora prefiro que me matem a continuar vivendo assim.”

Quando me despedi desejando a eles tudo de bom, esperei para o meu bem nunca mais encontrá-los.

 

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