História do novo sobrenome

Elena Ferrante · Capítulo 14 de 126

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História do novo sobrenome

Capítulo 13

 

Não mencionei uma palavra sequer daquela conversa com meu namorado. Evitei encontrá-lo, disse que tinha muitas tarefas e vários exames orais pela frente.

Não se tratava de uma desculpa, o colégio era realmente um inferno. A superintendência perseguia o diretor, o diretor perseguia os professores, os professores perseguiam os estudantes, e os estudantes se atormentavam entre si. Grande parte de nós não suportava o peso das tarefas, mas estávamos contentes de que houvesse lições em dias alternados. Por sua vez, uma minoria criticava o estado decadente do prédio escolar, com a perda das horas de aula, e queria o retorno imediato ao horário normal. À frente dessa facção estava Nino Sarratore, e foi ele quem me complicou ainda mais a vida.

Eu o via confabular nos corredores com a professora Galiani e passava ao lado deles esperando que ela me chamasse. Mas isso nunca aconteceu. Então eu torcia para que ele mesmo me dirigisse a palavra, mas isso tampouco aconteceu. Assim me senti desacreditada. Não sou mais capaz de tirar as notas de antigamente, pensei, e por isso em pouquíssimo tempo perdi aquele pouco prestígio que conquistara. Por outro lado — me amargurava — o que é que eu queria? Se Galiani ou Nino me pedissem um parecer sobre essa história das salas interditadas e do excesso de tarefas, como eu me posicionaria? De fato, eu não tinha opiniões, e me dei conta disso quando uma manhã Nino parou na minha frente com uma folha batida à máquina pedindo-me bruscamente:

“Pode ler para mim?”

Meu coração disparou tão rápido que só consegui dizer:

“Agora?”

“Não, você me entrega na saída.”

Fui tomada pela emoção. Corri ao banheiro e li agitadíssima. A folha estava cheia de cifras e falava de coisas sobre as quais eu não sabia nada: plano regulador, instalações escolares, a constituição italiana, certos artigos fundamentais. Só compreendi aquilo que eu já sabia, isto é, que Nino pedia o retorno imediato ao horário normal das aulas.

Uma vez na sala, passei a folha a Alfonso.

“Deixa ele pra lá”, me aconselhou sem nem ler o documento, “estamos no final do ano, teremos as últimas provas orais, esse aí só quer lhe meter em encrenca.”

Mas eu estava enlouquecida, as têmporas latejavam, a garganta estava seca. Nenhum outro no colégio se expunha tanto quanto Nino, sem temer os professores e o diretor. Não só era o melhor em todas as matérias, mas sabia coisas que não se ensinavam, que nenhum estudante, mesmo excelente, conhecia. E tinha caráter. E era bonito. Contei as horas, os minutos, os segundos. Queria correr e lhe devolver aquela folha, elogiá-lo, dizer que estava de acordo com tudo, que queria ajudá-lo.

Não o avistei entre a multidão de estudantes que desciam as escadas nem o encontrei na rua. Ele saiu entre os últimos e com uma expressão mais emburrada que de costume. Fui a seu encontro alegremente, agitando a folha, e despejei palavras em profusão, todas acima do tom. Ele ficou me ouvindo carrancudo e então pegou a folha, a amassou com raiva e a jogou fora:

“Galiani disse que não está bom”, resmungou.

Fiquei confusa.

“O que é que não está bom?”

Fez uma careta de incômodo e um gesto que significava: deixa pra lá, não vale a pena discutir.

“De todo modo, obrigado”, disse de maneira meio forçada, e de repente se inclinou e me beijou na bochecha.

Desde o beijo de Ischia, entre nós não tinha havido mais nenhum contato, nem um aperto de mão, e aquele modo de se despedir, então de todo inusitado, me deixou paralisada. Não me pediu para fazermos juntos um trecho do caminho, não disse tchau, tudo terminou ali. Sem forças, sem voz, o vi se distanciando.

Naquele momento aconteceram duas coisas horríveis, uma atrás da outra. Primeiro, despontou de uma ruela uma jovem certamente mais nova que eu, no máximo quinze anos, que me chamou a atenção por sua nítida beleza: benfeita, cabelos lisos e longos sobre as costas, elegante em cada gesto ou movimento, cada peça do vestuário primaveril com uma estudada sobriedade. Aproximou-se de Nino, ele pôs um braço em torno de seus ombros, ela ergueu o rosto oferecendo-lhe a boca, se beijaram: um beijo bem diferente do que ele tinha me dado. Logo em seguida me dei conta de que Antonio estava parado na esquina. Deveria estar no trabalho, e em vez disso viera me buscar. Estava ali sabe-se lá desde quando.

 

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