História do novo sobrenome

Elena Ferrante · Capítulo 55 de 126

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História do novo sobrenome

Capítulo 54

Foi uma tarde desastrosa, à qual se seguiu uma noite ainda mais desastrosa. Constatei que Pinuccia realmente estava fazendo as malas e Nunzia não conseguia tranquilizá-la.

“Você não deve se preocupar”, estava lhe dizendo com calma, “Rino sabe lavar as próprias cuecas, sabe cozinhar, e além disso há o pai, há os amigos. Ele não acha que você está aqui só se divertindo, sabe que veio para repousar e fazer um menino bonito e saudável. Vamos, eu ajudo você a pôr tudo no lugar. Eu nunca tive férias, mas hoje, graças a Deus, temos dinheiro para isso e, embora não seja o caso de torrá-lo, um pouco de conforto não é pecado, vocês podem se permitir. Por isso, Pinuccia, por favor, minha filha: Rino trabalhou a semana toda, está cansado, está para chegar. Não deixe que ele a veja assim, você o conhece, ele se preocupa e, quando se preocupa, fica bravo e, se fica bravo, qual é o resultado? O resultado é que você quer partir para estar perto dele, ele viajou para estar perto de você, e, justo agora que vocês vão se encontrar e deveriam estar contentes, vão passar o tempo todo brigando. Você acha bom?”

Mas Pinuccia estava impermeável às razões que Nunzia ia desfiando. Então eu também entrei no jogo, e assim chegamos a um ponto em que tirávamos muitas coisas da mala enquanto ela as recolocava, gritava, se acalmava e recomeçava.

A certa altura Lila também voltou. Apoiou-se no batente da porta e ficou olhando séria, com uma ruga longa e horizontal na testa, aquela imagem deplorável de Pinuccia.

“Tudo certo?”, perguntei.

Fez sinal que sim.

“Você virou uma nadadora excelente.”

Não disse nada.

Tinha a expressão de quem é obrigado a reprimir simultaneamente alegria e assombro. Via-se que estava cada vez mais incomodada com o escândalo de Pinuccia. A cunhada estava tornando a encenar suas intenções de ir embora, adeuses, lamentos por ter esquecido esse ou aquele objeto, suspiros por seu Rinuccio, e tudo atravessado contraditoriamente pelas saudades do mar, do cheiro dos jardins, da praia. Entretanto Lila não dizia nada, não lançou uma de suas frases maldosas e nenhuma tirada sarcástica. Por fim, como se se tratasse não de um apelo à ordem, mas do anúncio de um evento iminente que ameaçava todas nós, só lhe saiu da boca:

“Eles estão chegando.”

Nesse momento Pinuccia desabou arrasada na cama, entre as malas fechadas. Lila fez uma careta e se retirou para se arrumar. Voltou pouco depois com um vestido vermelho muito justo e os cabelos pretíssimos recolhidos. Foi a primeira a reconhecer o barulho das lambretas, correu para a janela, fez sinais entusiasmados. Depois se virou séria para Pinuccia e, com sua voz de maior desprezo, sibilou:

“Vá lavar a cara e tire essa roupa molhada.”

Pinuccia a olhou sem reação. Entre as duas garotas passou algo velocíssimo, flechadas invisíveis de seus sentimentos mais secretos, uma rajada de partículas infinitesimais disparada do fundo de si, um sismo e um tremor que duraram um longo segundo e que eu captei perplexa, mas sem conseguir entender, ao passo que elas, sim, se entenderam, em alguma coisa se reconheceram, e Pinuccia soube que Lila sabia, compreendia e queria ajudá-la até com o desprezo. Por isso lhe obedeceu.

 

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