História do novo sobrenome
Capítulo 119
Lila contou detalhadamente a Enzo as visitas do marido. Ele ficou ouvindo com atenção e quase não fez comentários. Continuava contido em todas as suas manifestações. Não lhe falou nada sobre o trabalho que fazia na fábrica nem se estava bem ou não. Saía de manhã às seis, voltava às sete da noite. Jantava, brincava um pouco com o menino e escutava o que ela lhe dizia. Assim que Lila falava das necessidades urgentes de Rinuccio, no dia seguinte ele voltava com o dinheiro necessário. Nunca lhe disse para pedir que Stefano contribuísse nos gastos com o filho, não lhe disse que procurasse um trabalho. Limitava-se a observá-la como se vivesse apenas para chegar àquelas horas noturnas e se sentar com ela na cozinha para ouvi-la falar. A certa altura se levantava, dizia boa noite e se fechava no quarto de dormir.
Depois aconteceu que Lila teve um encontro com consequências significativas. Numa tarde ela saíra sozinha, deixando Rinuccio com a vizinha de casa. Ouviu uma buzina insistente às suas costas. Era um carro de luxo, alguém lhe acenava da janelinha com a mão.
“Lina.”
Ela olhou com atenção. Reconheceu o rosto de lobo de Bruno Soccavo, o amigo de Nino.
“O que você está fazendo aqui?”, perguntou.
“Eu moro aqui.”
A princípio não lhe disse quase nada de si, na época eram coisas difíceis de explicar. Não mencionou Nino, e ele fez o mesmo. Mas perguntou se tinha se formado, e ele falou que tinha decidido abandonar os estudos.
“Você se casou?”
“Que nada.”
“Namorando?”
“Um dia sim, outro não.”
“E o que tem feito?”
“Nada, tem gente que se cansa por mim.”
Quase por brincadeira teve a ideia de perguntar:
“Você me daria um emprego?”
“A você? E para quê?”
“Para trabalhar.”
“Quer fazer salames e mortadelas?”
“Por que não?”
“E seu marido?”
“Não tenho mais marido. Mas tenho um filho.”
Bruno a examinou com atenção para entender se estava falando sério. Pareceu desorientado, se esquivou. “Não é um belo trabalho”, disse. Depois falou muito sobre problemas de casal, de sua mãe que brigava sempre com o pai, de um amor fortíssimo que ele mesmo tivera recentemente por uma mulher casada, mas ela o deixara. Uma falação anômala para Bruno, que a convidou para um bar e continuou falando de si. Por fim, quando Lila disse que precisava ir, lhe perguntou:
“Você deixou seu marido de verdade? E tem mesmo um menino?”
“Sim.”
Ele franziu o cenho e rabiscou algo num guardanapo.
“Procure esse senhor, você pode encontrá-lo de manhã a partir das oito. E mostre isto a ele.”
Lila sorriu constrangida:
“O guardanapo?”
“Sim.”
“É suficiente?”
Ele fez sinal que sim, subitamente intimidado pelo tom zombeteiro dela. Murmurou:
“Aquele verão foi maravilhoso”.
Ela disse:
“Para mim também.”
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