História do novo sobrenome
Capítulo 64
No alto da carta havia o endereço de Nadia em Capri. Assim que a embarcação se afastou do cais levando Stefano embora, Lila nos conduziu alegremente à tabacaria, comprou um selo e, enquanto eu entretinha Nunzia, recopiou o endereço no envelope e o pôs na caixa dos correios.
Perambulamos por Forio, mas eu estava muito tensa, conversei o tempo todo com Nunzia. Somente quando voltamos para casa puxei Lila para o meu quarto e falei claro com ela. Ficou me ouvindo em silêncio, mas com um ar distraído, como se de um lado sentisse a gravidade das coisas que eu lhe dizia e, de outro, se abandonasse a pensamentos que tornavam todas as minhas palavras insignificantes. Disse a ela: “Lila, eu não sei o que você tem em mente, mas acho que você está brincando com fogo. Agora Stefano foi embora contente, e se você lhe telefonar todas as noites vai ficar ainda mais contente. Mas cuidado: ele vai voltar daqui a uma semana e ficará até 20 de agosto. Você acha que pode continuar assim? Acha que pode brincar com a vida das pessoas? Sabia que Nino não quer mais estudar, que quer procurar um emprego? O que você meteu na cabeça dele? E por que o fez terminar com a namorada? Quer desgraçar com ele? Querem se desgraçar?”.
Diante daquela última pergunta ela despertou e caiu na risada, mas de um jeito meio artificial. Assumiu um ar que parecia zombeteiro, mas sabe-se lá. Disse que eu deveria estar orgulhosa dela, já que ela causara uma boa impressão. E por quê? Porque tinha sido considerada de cima a baixo muito mais fina do que a finíssima filha de minha professora. Porque o melhor rapaz de minha escola e talvez de Nápoles e talvez da Itália e talvez do mundo — obviamente a julgar pelo que eu dizia — tinha acabado de deixar a senhorita de muito boa família apenas para fazer as vontades dela, filha de sapateiro, escola fundamental, esposa Carracci. Falou com crescente sarcasmo, como se finalmente me revelasse um plano cruel de revanche. Eu devo ter feito uma cara feia, ela percebeu, mas por alguns minutos continuou com aquele tom, como se já não conseguisse parar. Estava falando sério? Aquele era seu verdadeiro estado de ânimo no momento? Exclamei:
“Para quem você está fazendo esta cena? Para mim? Quer que eu acredite que Nino está disposto a fazer qualquer loucura por você?”
A risada sumiu-lhe dos olhos, ficou séria, mudou bruscamente de tom:
“Não, estou disfarçando, é justamente o contrário. Sou eu que estou disposta a qualquer loucura, e nunca me aconteceu isso por ninguém, e estou feliz de que esteja acontecendo agora.”
Depois, vencida pelo mal-estar, foi dormir sem nem me dizer boa noite.
Caí numa sonolência enervante e passei o tempo tentando me convencer de que a última torrente de palavras era mais verdadeira que o fluxo que a precedera.
Ao longo da semana que se seguiu tive a confirmação disso. Também já a partir da segunda-feira compreendi que Bruno, após a partida de Pinuccia, começara de fato a dar em cima de mim e agora achava que era o momento de se comportar comigo assim como Nino se comportava com Lila. Enquanto tomávamos banho, puxou-me desajeitadamente para si e tentou me beijar, o que me fez beber uma grande golada de água e me forçou a voltar imediatamente para a praia tossindo. Ele ficou ressentido comigo, percebi. Quando veio se deitar sob o sol a meu lado, com um ar de cão escorraçado, disse a ele umas palavras gentis, mas firmes, cujo sentido era: Bruno, você é muito simpático, mas entre mim e você não pode haver nada mais que um sentimento fraterno. Ele ficou triste, mas não desistiu. Naquela mesma noite, depois do telefonema para Stefano, fomos os quatro dar um passeio na praia e depois nos sentamos na areia fria, nos deitamos para ver as estrelas, Lila apoiada nos cotovelos, Nino com a cabeça em sua barriga, eu com a cabeça na barriga de Nino, Bruno com a cabeça em minha barriga. Fixamos os olhos nas constelações e usamos lugares-comuns para louvar a arquitetura portentosa do céu. Não todos, Lila não. Ela ficou calada e, quando esgotamos o catálogo do admirado assombro, disse que o espetáculo da noite lhe dava medo, não via ali nenhuma arquitetura, mas apenas cacos de vidro soltos ao acaso num betume azul. Isso nos deixou em silêncio, e eu me irritei pelo hábito que ela adquirira de falar por último, o que lhe dava um longo tempo de reflexão e lhe permitia desmantelar com meia frase tudo o que tínhamos dito mais ou menos de improviso.
“Medo coisa nenhuma”, exclamei, “é lindíssimo.”
Bruno imediatamente me apoiou. Já Nino deu corda a ela: com um leve movimento me fez entender que queria mudar de posição, ficou sentado e começou a discutir com Lila como se estivessem sozinhos. O céu, o templo, a ordem, a desordem. Por fim se levantaram e, conversando, desapareceram no escuro.
Continuei deitada, mas apoiada nos cotovelos. Não tinha mais o corpo quente de Nino como travesseiro, e o peso da cabeça de Bruno em meu estômago me incomodava. Pedi desculpa tocando em seus cabelos. Ele se ergueu, me segurou pela cintura, pressionou o rosto contra meus seios. Sussurrei que não, mas mesmo assim ele me derrubou na areia e procurou minha boca, apertando forte meu peito com uma mão. Então o empurrei com força gritando pare com isso e dessa vez fui desagradável, sibilei: “Não gosto de você, ainda não entendeu?”. Ele parou muito constrangido e se pôs sentado. Disse com voz baixíssima: “Será que não lhe agrado nem um pouquinho?”. Tentei explicar que não era uma coisa que se pudesse medir, lhe disse:
“Não é questão de maior ou menor beleza, de maior ou menor simpatia; é que algumas pessoas me atraem e outras não, independentemente de como elas são de fato.”
“Eu não lhe agrado?”
Bufei:
“Não.”
Mas assim que pronunciei aquele monossílabo desandei a chorar e, enquanto chorava, só fiz balbuciar coisas do tipo:
“Está vendo? Choro sem motivo nenhum, sou uma cretina, não vale a pena perder tempo comigo.”
Ele roçou minha bochecha com os dedos e de novo tentou me abraçar murmurando: desejo lhe dar tantos presentes, você merece, é tão linda. Esquivei-me com raiva, gritei em direção ao escuro, a voz esganiçada:
“Lila, volte logo aqui, quero voltar para casa.”
Os dois amigos nos acompanharam até os pés da escadaria e então foram embora. Já enquanto subíamos os degraus para casa, no escuro, lhe falei exasperada:
“Vá aonde quiser, faça o que bem entender, eu não acompanho mais você. É a segunda vez que Bruno mete as mãos em mim: não quero mais ficar sozinha com ele, fui clara?”
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