História do novo sobrenome
Capítulo 74
Uma vez em casa, Lila recuperou a palavra e, com isso, uma expansividade superexcitada. Nunzia nos acolheu intimamente aliviada por nosso retorno e, mesmo assim, hostil. Disse que não tinha pregado olho, que ouvira rumores inexplicáveis pela casa, que tivera medo dos fantasmas e de assassinos. Lila a abraçou, e Nunzia quase a repeliu.
“E então, se divertiu muito?”, perguntou.
“Muitíssimo, quero mudar tudo.”
“Quer mudar o quê?”
Lila riu.
“Vou pensar e lhe digo.”
“Antes diga a seu marido”, retrucou Nunzia com um inesperado tom cortante.
A filha a olhou maravilhada, de uma maravilha satisfeita e talvez meio comovida, como se a sugestão lhe parecesse justa e urgente.
“Sim”, ela disse e foi para o quarto, se trancando em seguida no banheiro.
Saiu após um bom tempo, mas ainda de anágua, fazendo-me um gesto para que a acompanhasse até seu quarto. Fui de má vontade. Me fixou com olhos febris e disse frases velozes, numa espécie de ânsia:
“Quero estudar tudo o que ele estuda.”
“Ele está na universidade, são coisas complicadas.”
“Quero ler os mesmos livros que ele, quero entender bem as coisas que pensa, quero aprender não para a universidade, mas para ele.”
“Lila, não banque a doida: a gente combinou que você o veria esta vez e depois chega. O que você tem?, se acalme, Stefano está chegando.”
“Na sua opinião, se eu me esforçar muito, vou poder entender as coisas que ele entende?”
Não aguentei mais. O que eu já sabia, e que no entanto me ocultava, ficou muito claro naquele momento: agora ela também via em Nino a única pessoa capaz de salvá-la. Ela se apossara de um velho sentimento meu, se apropriara dele. E, sabendo bem o tipo que ela era, eu não tinha dúvidas: teria abatido qualquer obstáculo e iria até o fim. Respondi com dureza:
“Não. São assuntos difíceis, você está muito atrás em tudo, não lê jornal, não sabe quem está no governo, não sabe nem mesmo quem manda em Nápoles.”
“E você sabe essas coisas?”
“Não.”
“Ele acha que você sabe, já disse, ele a admira muito.”
Fiquei vermelha, murmurei:
“Estou tentando aprender e, quando não sei, faço de conta que sei.”
“Mesmo fazendo de conta, pouco a pouco se aprende. Você pode me ajudar?”
“Não, de jeito nenhum, Lila, você não deve fazer isso. Deixe Nino em paz, por culpa sua ele já anda dizendo que quer largar a universidade.”
“Ele vai continuar estudando, nasceu para isso. De todo modo, muitas coisas nem ele sabe. Se eu estudar aquilo que ele não sabe, posso lhe explicar quando for preciso, e assim lhe será útil depois. Preciso mudar, Lenu, logo.”
Desabafei de novo:
“Você é casada, precisa tirá-lo da cabeça, você não é adequada às exigências dele.”
“E quem é adequada?”
Quis feri-la e disse:
“Nadia.”
“Ele a deixou por mim.”
“Então tudo bem. Não quero mais ouvir sua conversa, vocês dois são loucos, façam o que quiserem.”
Fui embora para o meu quarto consumida pelo desgosto.
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