História do novo sobrenome

Elena Ferrante · Capítulo 105 de 126

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História do novo sobrenome

Capítulo 104

Peguei a caixa de malgrado e pensei: onde a escondo, o que faço com isso? Sentamos à mesa. Me espantei de que Rinuccio comesse sozinho, que se servisse com seus pequenos talheres de madeira, que, passada a timidez inicial, falasse comigo em italiano sem estropiar as palavras, que a cada pergunta minha respondesse no tom, com precisão, e por sua vez me fizesse perguntas. Lila deixou que eu conversasse com seu filho, não comeu quase nada, fixou o prato absorta. Por fim, quando eu estava para ir embora, disse:

“Não me lembro de nada de Nino, de Ischia, da loja de Piazza dei Martiri. No entanto eu tinha a impressão de gostar mais dele que de mim. Agora não me interesso nem sequer em saber o que aconteceu com ele, para onde ele foi.”

Pensei que ela estava sendo sincera e não lhe disse nada do que eu sabia.

“As empolgações”, emendei, “têm isso de bom: depois de um pouco elas passam.”

“Você está contente?”

“Bastante.”

“Que belos cabelos você tem.”

“Ah.”

“Preciso de outro favor seu.”

“Diga.”

“Preciso ir embora desta casa antes que Stefano, sem nem se dar conta, acabe comigo e com o menino.”

“Assim você me deixa preocupada.”

“Tem razão, me desculpe.”

“Diga o que eu devo fazer.”

“Procure Enzo. Diga a ele que eu tentei, mas não consegui.”

“Não estou entendendo.”

“Não é importante entender: você vai voltar para Pisa, tem suas coisas lá. Só diga isso a ele e pronto: Lina tentou, mas não conseguiu.”

Me acompanhou até a porta com o menino no braço. Disse ao filho:

“Rino, se despeça da tia Lenu.”

O menino sorriu e deu tchau com a mão.

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