História do novo sobrenome

Elena Ferrante · Capítulo 44 de 126

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História do novo sobrenome

Capítulo 43

 

Deixamos Nella e descemos com nossas coisas para a praia. Lila discretamente zombou de mim ao longo de todo o percurso. “Você é esperta”, disse, “me fez vir a Ischia só porque Nino está aqui, confesse.” Não confessei, me esquivei. Então Pinuccia se juntou à cunhada com tons mais pesados e me acusou de tê-la submetido a uma viagem longa e cansativa até Barano só por razões pessoais, sem levar em conta que ela estava grávida. A partir daquele momento, neguei com maior firmeza e até ameacei as duas. Prometi que, se dissessem coisas disparatadas na presença dos Sarratore, eu pegaria uma embarcação naquela mesma noite e voltaria a Nápoles.

Localizei a família logo. Estavam exatamente no mesmo lugar onde ficavam anos antes e tinham o mesmo guarda-sol, os mesmos trajes de banho, as mesmas bolsas, o mesmo modo de se queimar ao sol: Donato na areia preta, de barriga para cima e apoiado nos cotovelos; a mulher, Lidia, sentada numa toalha folheando uma revista semanal. Para minha grande decepção, Nino não estava sob o guarda-sol. Procurei imediatamente na água, avistei um pontinho escuro que aparecia e desaparecia na superfície basculante do mar, torci para que fosse ele. Depois me anunciei chamando em voz alta Pino, Clelia e Ciro, que brincavam na orla.

Ciro tinha crescido, não me reconheceu, sorriu indeciso. Pino e Clelia correram até mim com entusiasmo, e os pais se viraram para ver, curiosos. Lidia se levantou de pronto, gritou meu nome cumprimentando-me com a mão, Sarratore veio correndo para mim com um largo sorriso acolhedor e os braços abertos. Esquivei-me do abraço, disse apenas bom dia, como vai. Foram muito cordiais, apresentei Lila e Pinuccia, mencionei os pais delas, disse que tinham se casado. Donato imediatamente se concentrou nas duas garotas. Passou a chamá-las devidamente de senhora Carracci e senhora Cerullo, recordou a época em que eram crianças e começou a falar com floreios tolos sobre o tempo que passa. Fui conversar com Lidia, fiz perguntas educadas sobre os meninos e especialmente sobre Marisa. Pino, Clelia e Ciro estavam ótimos, bem se via, e logo me cercaram à espera do melhor momento para me arrastar para suas brincadeiras. Quanto a Marisa, a mãe me disse que tinha ficado em Nápoles com os tios, estava de recuperação em quatro matérias em setembro e precisava ir às aulas. “Bem feito”, disse séria, “não fez nada de bom o ano todo e agora merece penar.”

Não falei nada, mas intimamente sabia que Marisa não estava sofrendo tanto assim: passaria o verão inteiro com Alfonso na loja da Piazza dei Martiri, e fiquei contente por ela. No entanto notei que Lidia trazia marcas fundas de dor no rosto alargado, nos olhos, nos seios inchados, no ventre pesado. Durante todo o tempo que passamos conversando, ela vigiou constantemente, com olhares assustados, o marido que se fazia de simpático diante de Lila e Pinuccia. Parou de prestar atenção em mim e não tirou os olhos dele quando o marido se ofereceu para acompanhá-las em um banho de mar, prometendo a Lila que a ensinaria a nadar. “Fiz isso com todos os meus filhos”, o ouvimos dizer, “vou fazer o mesmo com você.”

Não perguntei sobre Nino, e por sua vez Lidia não o mencionou. Mas eis que o pontinho negro no azul luminoso do mar parou de se afastar. Inverteu a direção, aumentou de tamanho, e comecei a distinguir a brancura da espuma que explodia a seu lado.

Sim, é ele, pensei em grande agitação.

De fato, logo depois Nino saiu da água olhando com curiosidade o pai, que mantinha Lila boiando com um braço e, com o outro, lhe mostrava como devia fazer. Quando me viu e reconheceu, não tirou do rosto a expressão carrancuda.

“O que você está fazendo aqui?”, perguntou.

“Vim passar as férias”, respondi, “e vim dizer um oi a dona Nella.”

Ele lançou outro olhar irritado na direção do pai e das duas garotas.

“Aquela não é Lina?”

“Sim, e a outra é a cunhada dela, Pinuccia, não sei se você se lembra.”

Esfregou bem os cabelos com a toalha enquanto mantinha o olhar fixo nos três que continuavam na água. Disse a ele de modo meio atropelado que ficaríamos em Ischia até setembro, que estávamos em uma casa não longe de Forio, que a mãe de Lila também estava, que no domingo os maridos de Lila e Pinuccia viriam. Eu falava e ele nem parecia escutar, mas acrescentei mesmo assim, e apesar da presença de Lidia, que eu não tinha nenhum programa para o fim de semana.

“Apareça”, disse ele, e então se dirigiu à mãe: “Preciso ir”.

“Já?”

“Tenho coisas a fazer.”

“Elena está aqui.”

Nino me olhou como se só então tivesse se dado conta de minha presença. Mexeu na camisa pendurada no guarda-sol, pegou um lápis e um caderninho, escreveu algo, arrancou a folha e a entregou a mim:

“Estou neste endereço”, disse.

Direto, decidido como os atores de cinema. Peguei a folha quase como se fosse uma relíquia.

“Antes de ir, coma alguma coisa”, pediu a mãe.

Ele não respondeu.

“E pelo menos se despeça de seu pai.”

Trocou de roupa pondo a toalha em volta da cintura e se afastou pela orla sem se despedir de ninguém.

 

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