Bioquímica Básica
16.3 Corpos cetônicos
Os corpos cetônicos são produzidos no fígado e oxidados nos tecidos extra-
hepáticos
Uma pequena quantidade de acetil-CoA é normalmente transformada em acetoacetato e β -hidroxibutirato nos hepatócitos de mamíferos. O acetoacetato sofre descarboxilação espontânea, originando acetona. Os três
compostos são chamados em conjunto, de corpos cetônicos2, e sua síntese, de cetogênese. Esta ocorre na matriz mitocondrial, pela condensação de três
moléculas de acetil-CoA em duas etapas (Figura 16.7). Na primeira, catalisada pela tiolase, duas moléculas de acetil-CoA originam acetoacetil-CoA; esta reação, embora transcorrendo no sentido oposto, constitui a última reação da última volta do ciclo de Lynen. A reação só ocorre no sentido da síntese quando há acúmulo de acetil-CoA. A reação de acetoacetil-CoA com uma terceira molécula de acetil-CoA forma 3-hidroxi-3-metilglutaril-CoA (HMG-CoA). Sua clivagem origina acetoacetato e acetil-CoA. O acetoacetato produz β-hidroxibutirato e acetona.
Os corpos cetônicos são liberados na corrente sanguínea, e o acetoacetato e o β-hidroxibutirato são aproveitados como fonte de energia pelos tecidos extra-hepáticos, principalmente coração e músculos
esqueléticos (Figura 16.7). Estes órgãos são capazes de utilizar os dois compostos por possuírem uma enzima, ausente do fígado, a β-cetoacil-CoA transferase. Esta enzima mitocondrial catalisa a transferência da CoA de succinil-CoA para acetoacetato, formando acetoacetil-CoA e succinato. A acetoacetil-CoA é um intermediário do ciclo de Lynen e, por ação da tiolase, é cindida em duas moléculas de acetil-CoA, que podem ser oxidadas pelo ciclo de Krebs. O aproveitamento de β-hidroxibutirato é feito por sua prévia conversão em acetoacetato, catalisada pela β-hidroxibutirato desidrogenase. A acetona é volatilizada nos pulmões. Em condições em que há grande formação de corpos cetônicos, como o jejum prolongado e o diabetes, o cérebro passa a oxidá-los. A alta concentração de corpos cetônicos na circulação induz a síntese de monocarboxilato translocase, que permite a entrada desses compostos nas células do sistema nervoso central, e a síntese das enzimas necessárias para a sua oxidação.