Bioquímica Básica

Anita Marzzoco e Bayardo Baptista Torres · Capítulo 145 de 225

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Bioquímica Básica

18.3 Desnutrição

A desnutrição torna o indivíduo vulnerável a doenças

As necessidades proteicas do organismo são satisfeitas com a ingestão da dose mínima recomendada de proteínas com altos valores de NPU, característicos das proteínas animais. Entretanto, o custo elevado dos produtos de origem animal é responsável por sua escassez na dieta dos habitantes de países em desenvolvimento, ocasionando a desnutrição proteica crônica. Nestes países, a moléstia é comum na população adulta, mas afeta principalmente as crianças. Os altos índices de mortalidade infantil por infecções respiratórias e gastrointestinais são, na verdade, resultantes da desnutrição, que facilita a instalação e o progresso daquelas moléstias — o fator determinante desta situação é, primordialmente, econômico.

Uma pesquisa sobre desnutrição crônica infantil realizada com crianças

brasileiras3 utilizou como indicador do estado nutricional a prevalência de déficit de altura em relação à idade. A proporção de crianças desnutridas no país teve redução expressiva em 35 anos, mas ainda é quase três vezes maior que a porcentagem de desnutridos considerada aceitável pelas organizações internacionais de saúde. Nas crianças menores de 5 anos de idade, a taxa de desnutrição é de 6%, atingindo quase um bilhão de crianças. A prevalência de desnutrição variou segundo os indicadores socioeconômicos, sendo inversamente proporcional à renda, ao contrário do excesso de peso.

Duas síndromes de desnutrição são muito frequentes: kwashiorkor e marasmo.

O kwashiorkor é a doença do desmame, que afeta o primeiro filho, depois do nascimento do segundo — a palavra kwashiorkor significa “segundo filho” em um dialeto africano. A moléstia se manifesta em crianças após a interrupção do aleitamento, quando elas passam a ingerir alimentos contendo principalmente carboidratos e com teor reduzido de proteínas, que, além do mais, são de baixa qualidade. Caracteriza-se, portanto, como uma desnutrição essencialmente proteica. As crianças afetadas apresentam desenvolvimento retardado, apatia extrema, anorexia, edema (acúmulo de água nos tecidos, resultante da diminuição da osmolaridade plasmática provocada pela baixa concentração de albumina), ulcerações na pele, cabelos brancos ou avermelhados, lesões hepáticas e do tubo digestório, queda da resistência a infecções etc. O balanço de nitrogênio é, naturalmente, negativo.