Bioquímica Básica
17 Metabolismo de Aminoácidos
As proteínas, como os demais compostos constituintes de um organismo, não são permanentes, estando em contínuo processo de degradação e síntese. Estima-se que, em um ser humano adulto com uma dieta adequada, haja uma renovação de cerca de 400 g de proteínas por dia. Em qualquer instante deste período, determinadas proteínas estão sendo degradadas e outras tantas estão sendo sintetizadas.
A meia-vida das proteínas apresenta uma enorme variação (Tabela
17.1), mas os mecanismos que determinam velocidades diferentes de degradação para cada proteína são apenas parcialmente conhecidos. De qualquer modo, a manutenção da concentração de uma determinada proteína é obtida pela síntese desta proteína em quantidade equivalente à de sua degradação; embora existam flutuações transitórias, a concentração proteica geral mantém-se constante no indivíduo adulto e hígido.
Como a composição de aminoácidos das proteínas varia, o conjunto de aminoácidos originados das proteínas que estão sendo degradadas não é igual àquele necessário para compor as proteínas que estão sendo sintetizadas. Os aminoácidos excedentes não podem ser armazenados — eles são oxidados e seu nitrogênio, excretado. Um indivíduo adulto saudável, com uma dieta apropriada, elimina por dia uma quantidade de
nitrogênio correspondente a 100 g de proteína aproximadamente (Seção
18.1). Tendo em vista que 400 g de proteínas devem ser renovados neste período, faltam os 100 g eliminados, que devem ser repostos pela alimentação.
Os aminoácidos presentes nas células animais originam-se das proteínas exógenas (as da dieta, hidrolisadas no trato digestório) e das proteínas endógenas (hidrolisadas intracelularmente); 1/4 desse conjunto é derivado da primeira procedência e os 3/4 restantes, da segunda. O conjunto de aminoácidos é utilizado para a síntese de proteínas e de outras moléculas
que contenham nitrogênio (Figura 17.1). Com efeito, os aminoácidos são precursores de todos os compostos nitrogenados não proteicos, que incluem as bases nitrogenadas dos nucleotídios (componentes dos ácidos nucleicos e coenzimas), os lipídios (fosfolipídios e glicolipídios) e os polissacarídios (quitina e glicosaminoglicanas) que contêm nitrogênio, as aminas e seus derivados (adrenalina, noradrenalina, tiroxina, serotonina, ácido γ-aminobutírico, melatonina, histamina, carnitina, creatina, porfirinas) etc.
Tabela 17.1 Meia-vida de proteínas.
Proteína 1 Meia-vida(dias)
Hemoglobina falciforme 12 minutos
Ornitina descarboxilase 12 minutos
HMG-CoA redutase 3 horas
Fosfoenolpiruvato carboxiquinase 5 horas
Glicoquinase 1,25
Acetil-CoA carboxilase 2
Alanina transaminase 2,5
Arginase 4
Aldolase 5
Citocromo b 5,4
Lactato desidrogenase 6
Citocromo c 6,3
Hemoglobina 120
1Meia-vida de uma proteína é o tempo após o qual metade das moléculas é degradada. Proteínas defectivas e enzimas reguladoras têm, em geral, meia-vida muito curta.