Bioquímica Básica

Anita Marzzoco e Bayardo Baptista Torres · Capítulo 30 de 225

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Bioquímica Básica

4 O Sentido das Reações

Uma transformação, por exemplo, uma reação química, pode ser analisada sob dois aspectos fundamentais: a variação de energia envolvida (a termodinâmica da transformação) e a velocidade com que ocorre (a cinética da transformação).

Em relação ao aspecto energético, só interessam os estados inicial e final da transformação, não importando o processo pelo qual ela se dá ou a velocidade com que ocorre. Nas transformações em que há liberação de energia, o sistema que sofreu a transformação tem, no estado final, um conteúdo energético menor do que o do estado inicial — estas transformações são ditas exergônicas ou espontâneas. A expressão “espontânea”, quando aplicada a reações químicas, precisa ser bem compreendida. O fato de uma reação ser espontânea não significa que ela ocorrerá imediatamente, tão logo se ponham em contato os reagentes; significa, tão somente, que, se ocorrer, haverá liberação de energia. A transformação de diamante em grafite, por exemplo, é espontânea (porque, quando ocorre, libera energia) e, no entanto, os diamantes são bastante estáveis. Também é possível manter glicose em contato com oxigênio sem que ocorra oxidação do açúcar em tempo mensurável; a reação de oxidação de glicose por oxigênio é espontânea, por liberar energia quando ocorre, mas a sua velocidade é praticamente igual a zero. Em contraposição às espontâneas, as transformações que teoricamente ocorreriam com o estado final tendo mais energia do que o estado inicial são denominadas endergônicas ou não espontâneas. Estas reações simplesmente não ocorrem. Reiterando, a espontaneidade de uma reação e a quantidade de energia por ela liberada são completamente desvinculadas de parâmetros cinéticos, como a velocidade.