Bioquímica Básica

Anita Marzzoco e Bayardo Baptista Torres · Capítulo 98 de 225

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Bioquímica Básica

Bibliografia

A deficiência hereditária de uma enzima geralmente provoca uma moléstia. Todavia, em alguns casos, genes defectivos trazem alguma vantagem seletiva, como acontece com a anemia falciforme e as talassemias

(Seção 3.5). Outro exemplo é a deficiência da glicose 6-fosfato desidrogenase, enzima que catalisa a primeira reação da via das pentoses fosfato. Essa reação produz NADPH, essencial para prevenir o dano oxidativo em hemácias. A falta parcial da enzima pode ser benéfica, embora em circunstâncias muito definidas e restritas — a distribuição geográfica dos 400 milhões de portadores desta carência enzimática correlaciona-se com regiões onde a malária é moléstia endêmica. A frequência de portadores em algumas dessas regiões chega a 25%, mostrando que o gene mutante confere alguma proteção contra o Plasmodium falciparum, a principal espécie causadora da malária. Como este protozoário cumpre parte de seu ciclo vital nas hemácias, é provável que hemácias com baixa concentração de NADPH constituam um ambiente inóspito para o seu crescimento. A contrapartida do efeito protetor (redução do risco de contrair malária grave) do defeito genético é uma suscetibilidade aumentada ao estresse oxidativo.

Estão descritas numerosas mutações no gene de glicose 6-fosfato desidrogenase, que resultam em redução de 3 a 30% da atividade normal da enzima nas hemácias. A atividade residual é suficiente para que os portadores sejam assintomáticos. Entretanto, condições em que são geradas quantidades grandes de espécies reativas de oxigênio exigem também quantidades grandes de NADPH, que esses indivíduos são incapazes de produzir — instala-se, então um quadro de anemia hemolítica grave. Uma destas condições é a administração de antimalárico primaquina. Apesar de seu uso corrente desde a década de 1950, os mecanismos de sua atuação como antimalárico e do seu efeito hemolítico não são ainda totalmente compreendidos.

 

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