Introdução à Genética
Autorrecomposição de íntrons e o mundo do RNA
FIGURA 8.17 Duas reações de transesterificação ocorrem na recomposição do RNA: primeiramente, para unir a extremidade 5′ doadora do íntron ao ponto de ramificação interno
(primeira reação na Figura 8.16) e, em segundo lugar, para unir os dois éxons (segunda reação
na Figura 8.16).
Autorrecomposição de íntrons e o mundo do RNA Dois casos excepcionais de processamento de RNA levaram a uma descoberta considerada por alguns tão importante quanto a da estrutura da dupla-hélice do DNA. Em 1981, Tom Cech e colaboradores relataram que, em um tubo de ensaio, o transcrito primário de um rRNA do protozoário ciliado Tetrahymena conseguiu remover um íntron de 413 nucleotídios próprio seu sem a adição de
qualquer proteína (Figura 8.18). Subsequentemente, foi demonstrado que outros íntrons apresentam essa propriedade, e eles passaram a ser conhecidos como íntrons de autorremoção. Alguns anos antes, enquanto estudava o processamento do tRNA em bactérias, Sidney Altman identificou uma ribonucleoproteína (denominada RNase P) responsável pelo corte da molécula de pré-tRNA em um sítio específico. A grande surpresa surgiu quando eles determinaram que a atividade catalítica da RNase P estava localizada no componente RNA da enzima, não no componente proteico. Os achados de Cech e Altman são considerados marcantes, tendo em vista que assinalavam a primeira vez em que foi demonstrado que outras moléculas biológicas além de proteínas catalisam reações. Como tal, era justo que recebessem o Prêmio Nobel em Química em 1989.
FIGURA 8.18 O íntron autorremovível do Tetrahymena executa duas reações de transesterificação para se autorremover do RNA.
A descoberta dos íntrons de autorremoção levou a um reexame do papel dos
snRNA no spliceossomo. Os estudos mais recentes indicam que a remoção dos íntrons é catalisada pelos snRNA e não pelo componente proteico do