Introdução à Genética

Anthony J. F. Griffiths · Capítulo 155 de 398

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Introdução à Genética

Mutações supressoras sem sentido

É interessante considerar os supressores das mutações sem sentido definidas por Brenner e colaboradores. Relembre que as mutações em fagos denominadas mutantes âmbar substituíram os códons do tipo selvagem por códons de parada, mas as mutações supressoras no cromossomo hospedeiro se contrapuseram aos efeitos das mutações âmbar. Agora podemos dizer mais especificamente onde as mutações supressoras estavam localizadas e como elas atuaram.

Muitos desses supressores são mutações em genes que codificam tRNA e são

conhecidas como supressoras do tRNA. Essas mutações alteram as alças do anticódon de tRNA específicos de tal modo que um tRNA se torna capaz de reconhecer um códon de

parada no mRNA. Na Figura 9.18, a mutação âmbar substitui um códon do tipo selvagem pelo códon de término de cadeia UGA. Por si próprio, o UAG causaria o corte prematuro da proteína na posição correspondente. A mutação supressora nesse caso produz um tRNATyr com um anticódon que reconhece o códon de parada UAG mutante. Portanto, no mutante suprimido, o tRNATyr compete com o fator de liberação pelo acesso ao códon de parada UAG. Como resultado, se a tirosina for inserida, a tradução continua além daquela trinca.

 

FIGURA 9.18 Um supressor possibilita que a tradução continue enquanto uma mutação a teria interrompido. A. No tipo selvagem, um tRNA lê o códon UAC e a tradução continua. B. Término da tradução. Aqui, o aparato de tradução não consegue passar por um códon de parada (neste caso, UAG), tendo em vista que nenhum tRNA consegue reconhecer a trinca UAG. Em vez disso, um fator de liberação se liga ao códon e a síntese proteica termina, com a subsequente liberação do fragmento polipeptídico. C. Uma mutação altera o anticódon de um tRNA de tirosina, de modo que esse tRNA agora consegue ler o códon UAG. A supressão do códon UAG pelo tRNA alterado agora possibilita o alongamento da cadeia.