Introdução à Genética
Distúrbios autossômicos dominantes
retina do olho (Figura 2.21).
CONCEITO-CHAVE Em heredogramas humanos, um distúrbio autossômico recessivo em geral é
revelado pelo aparecimento do distúrbio na progênie masculina e feminina de pais não afetados.
Distúrbios autossômicos dominantes
Quais padrões de heredograma são esperados de distúrbios autossômicos dominantes? Aqui, o alelo normal é recessivo e o alelo defeituoso é dominante. Pode parecer um paradoxo que um distúrbio raro possa ser dominante, mas lembre que a dominância e a recessividade são simplesmente propriedades de como os alelos atuam em heterozigotos e não são definidas em referência a quão comuns eles são na população. Um bom exemplo de um fenótipo dominante raro que demonstra herança monogênica é a pseudoacondroplasia,
um tipo de nanismo (Figura 2.22). Em relação a esse gene, pessoas com estatura normal são genotipicamente d/d e o fenótipo anão em princípio poderia ser D/d ou D/D. Entretanto, acredita-se que as duas “doses” do alelo D no genótipo D/D produzam um efeito tão grave que esse genótipo é letal. Se essa crença em geral for verdadeira, todos os anões são heterozigotos.
Na análise de heredogramas, os principais indícios para a identificação de
um distúrbio autossômico dominante com herança mendeliana são o fato de o fenótipo tender a aparecer em todas as gerações do heredograma e de os pais ou mães afetados transmitirem o fenótipo para ambos os filhos e filhas. Novamente, a representação igual de ambos os sexos entre a progênie afetada descarta a herança por meio dos cromossomos sexuais. O fenótipo aparece em todas as gerações porque, em geral, o alelo anormal carreado por uma pessoa necessariamente provém de um genitor na geração precedente. (Alelos anormais também podem surgir de novo por mutações. Essa possibilidade tem de ser mantida em mente em relação a distúrbios que interferem com a reprodução, pois, aqui, a condição provavelmente não foi herdada de um genitor afetado.) Um heredograma típico de um distúrbio dominante está
demonstrado na Figura 2.23. Mais uma vez, observe que as proporções mendelianas não são necessariamente observadas em famílias. Assim como nos distúrbios recessivos, pessoas que contêm uma cópia do alelo A raro (A/a) são muito mais comuns do que aquelas que contêm duas cópias (A/A); assim, a maior parte das pessoas afetadas é heterozigota e virtualmente todos os cruzamentos que produzem progênie com distúrbios dominantes são A/a × a/a. Portanto, se a progênie dos referidos cruzamentos for totalizada, é esperada uma proporção de 1:1 de pessoas não afetadas (a/a) e afetadas (A/a).
FIGURA 2.21 Uma versão não funcional de um gene que produz o pigmento da pele resulta em ausência de pigmento. Nesse caso, ambas as cópias do par de genes são mutadas. (Yves GELLIE/Gamma-Rapho/Getty Images.)
A doença de Huntington é um exemplo de uma doença herdada como um
fenótipo dominante determinado por um alelo de um gene único. O fenótipo é de degeneração neural, que leva a convulsões e à morte prematura. O cantor de folk Woody Guthrie sofria de doença de Huntington. A doença é um tanto quanto incomum, porque apresenta início tardio, os sintomas em geral não
aparecem até que a pessoa tenha procriado (Figura 2.24). Quando a doença é diagnosticada em um dos pais, sabe-se que toda criança já nascida apresenta uma chance de 50% de herdar o alelo e a doença correlata. Esse padrão trágico inspirou um grande esforço para encontrar modos de identificar pessoas que carreiam o alelo anormal antes de manifestarem a doença. Atualmente existem exames moleculares para a identificação de pessoas portadoras do alelo da doença de Huntington.
FIGURA 2.22 O fenótipo da pseudoacondroplasia humana está ilustrado aqui por uma família de cinco irmãs e dois irmãos. O fenótipo é determinado por um alelo dominante, que podemos denominar D, que interfere no crescimento dos ossos longos durante o desenvolvimento. Esta fotografia foi feita quando a família chegou a Israel após o término da Segunda Guerra Mundial. (Bettmann/CORBIS.)
Algumas outras condições dominantes raras são a polidactilia (dedos extras),
demonstrada na Figura 2.25, e o piebaldismo, demonstrado na Figura 2.26.
FIGURA 2.23 Heredograma de um fenótipo dominante determinado por um alelo A dominante. Neste heredograma, todos os genótipos foram deduzidos.
CONCEITO-CHAVE Heredogramas de distúrbios mendelianos autossômicos dominantes
demonstram indivíduos dos sexos masculino e feminino afetados em todas as gerações; eles
também demonstram homens e mulheres afetados que transmitem a condição para proporções
iguais de seus lhos e suas lhas.
FIGURA 2.24 O gráfico demonstra que pessoas que carreiam o alelo em geral manifestam a doença após a idade fértil.
FIGURA 2.25 A polidactilia é um fenótipo dominante raro das mãos e dos pés humanos. A. A polidactilia, caracterizada por dedos extras das mãos ou dos pés, ou de ambos, é determinada por um alelo P. Os números no heredograma (B) fornecem a quantidade de dedos das mãos nas linhas superiores e a quantidade de dedos dos pés nas linhas inferiores. (Observe a variação na expressão do alelo P). (A. ©Biophoto Associates/Science Source.)