Introdução à Genética
Polimorfismos de nucleotídio único
Os dois tipos principais de marcadores moleculares utilizados no mapeamento são
os polimorfismos de nucleotídio único e os polimorfismos de comprimento de sequência simples.
Polimorfismos de nucleotídio único
O sequenciamento demonstrou que, conforme esperado, as sequências genômicas dos indivíduos em uma espécie são, em sua maior parte, idênticas. Por exemplo, comparações das sequências de diferentes indivíduos revelaram que somos idênticos em aproximadamente 99,9%. Quase toda a diferença de 0,1% ocorre com base em diferenças de um único nucleotídio. Como um exemplo, em um indivíduo, uma sequência localizada pode ser:
….AAGGCTCAT….
….TTCCGAGTA….
e, em outro, pode ser:
….AA GCTCAT….
….TTTCGAGTA….
FIGURA 4.13 P = Parental; R = Recombinante; SCO = Crossover único; DCO = Crossover duplo.
Além disso, observa-se que uma grande proporção dessas sequências localizadas é polimórfica, o que significa que ambos os “alelos” moleculares são consideravelmente comuns na população. Em geral, as referidas diferenças entre os indivíduos são denominadas polimorfismos de nucleotídio único, abreviadas como SNP (do inglês, single nucleotide polymorphisms). Em seres humanos, acredita-se que existam aproximadamente 3 milhões de SNP distribuídos mais ou menos aleatoriamente, a uma frequência de 1 em cada 300 a 1.000 bases.
Alguns desses SNP estão localizados nos genes; muitos deles, não. No Capítulo 2,
vimos casos nos quais a alteração em um único par de nucleotídios pode produzir um novo alelo, causando um fenótipo mutante. Os dois pares de nucleotídios, do tipo selvagem e mutante, são exemplos de um SNP. Entretanto, a maior parte dos SNP não produz fenótipos diferentes, seja em virtude de não estarem localizados em um gene ou em virtude de estarem localizados em um gene, mas ambas as versões do gene produzem o mesmo produto proteico.
Existem dois modos de detectar um SNP. O primeiro é sequenciar um segmento
de DNA em cromossomos homólogos e comparar os segmentos homólogos para localizar as diferenças. Um segundo modo é possível no caso de SNP localizados em um sítio-alvo de uma enzima de restrição: esses SNP são polimorfismos de comprimento de fragmento de restrição (RFLP; do inglês, restriction fragment length polymorphisms). Nos referidos casos, haverá dois “alelos” de RFLP, ou morfos, um dos quais apresenta o alvo da enzima de restrição, enquanto o outro não apresenta. A enzima de restrição cortará o DNA no SNP que contém o alvo e ignorará o outro SNP. Os SNP são, assim, detectados como bandas diferentes em um gel de eletroforese. Os sítios de RFLP podem estar entre ou dentro dos genes.