Introdução à Genética
Eventos pós-tradução
Quando liberadas do ribossomo, a maioria das proteínas recém-sintetizadas é incapaz de atuar. Conforme você verá nesta seção e nos capítulos subsequentes deste livro, a sequência de DNA é apenas uma parte da história de como os organismos funcionam. Nesse caso, todas as proteínas recém-sintetizadas precisam se dobrar corretamente e os aminoácidos de algumas proteínas precisam ser quimicamente modificados. Tendo em vista que uma parte do dobramento e da modificação das proteínas ocorre após a síntese proteica, eles são denominados eventos pós-tradução.
Dobramento da proteína dentro da célula. O evento pós-tradução mais importante é o dobramento da proteína nascente (recém-sintetizada) em sua forma tridimensional correta. Diz-se que uma proteína que é dobrada corretamente está em sua conformação nativa (contrariamente a uma proteína não dobrada ou dobrada erroneamente, que é não nativa). Como observamos no início deste capítulo, as proteínas existem em uma extraordinária diversidade de estruturas. As estruturas distintas das proteínas são essenciais para a sua atividade enzimática, para a sua capacidade de se ligar ao DNA, ou para seus papéis estruturais na célula. Embora se saiba desde a década de 1950 que a sequência de aminoácidos de uma proteína determina a sua estrutura tridimensional, também se sabe que o ambiente aquoso dentro da célula não favorece o dobramento correto da maioria das proteínas. Tendo em vista que as proteínas de fato se dobram corretamente na célula, uma questão antiga tem sido como o dobramento correto é realizado.
A resposta aparentemente é que as proteínas nascentes são dobradas corretamente com
o auxílio de chaperonas — uma classe de proteínas encontrada em todos os organismos, desde bactérias até plantas e seres humanos. Uma família de chaperonas, denominada chaperoninas GroE, forma grandes complexos multissubunitários denominados máquinas de dobramento de chaperoninas. Embora o mecanismo preciso ainda não seja compreendido, acredita-se que proteínas recém-sintetizadas e não dobradas entrem em uma câmara na máquina de dobramento que proporciona um microambiente eletricamente neutro, dentro do qual a proteína nascente consegue se dobrar com sucesso em sua conformação nativa.
Modificação pós-tradução das cadeias laterais de aminoácidos. Conforme já declarado, as proteínas são polímeros de aminoácidos produzidos a partir de qualquer um dos 20 diferentes tipos. Entretanto, a análise bioquímica de muitas proteínas revela que uma diversidade de moléculas pode ligar-se covalentemente às cadeias laterais de aminoácidos. Mais de 300 modificações de cadeias laterais de aminoácidos são possíveis após a tradução. Duas das modificações pós-tradução mais comumente encontradas — a fosforilação e a ubiquitinação — são consideradas em seguida.
FIGURA 9.19 RNA mensageiros produzidos por recomposição alternativa do pré-mRNA do gene FGFR2 humano codificam duas isoformas de proteína que se ligam a diferentes ligantes (os fatores de crescimento).
Fosforilação. Enzimas denominadas quinases unem os grupos fosfato aos grupos hidroxila dos aminoácidos serina, treonina e tirosina, enquanto enzimas denominadas fosfatases removem esses grupos fosfato. Tendo em vista que os grupos fosfato são negativamente carregados, a sua adição a uma proteína normalmente altera a conformação proteica. A adição e a remoção de grupos fosfato atuam como uma alteração reversível para controlar uma diversidade de eventos celulares, incluindo a atividade enzimática, as interações proteína–proteína e as interações proteína–DNA
(Figura 9.20).
Uma medida da importância da fosforilação de proteínas é o número de genes que
codificam a atividade quinase no genoma. Até mesmo um organismo simples como uma levedura apresenta centenas de genes de quinases, enquanto a planta da mostarda Arabidopsis thaliana apresenta mais de 1.000. Outra medida da significância da fosforilação de proteínas é que a maior parte das diversas interações de proteínas que ocorrem em uma célula típica é regulada por fosforilação.
Análises recentes das interações de proteínas do proteoma indicam que a maioria das
proteínas atua por meio da interação com outras proteínas. Interatoma é a denominação dada ao conjunto completo de interações de proteínas em um organismo, órgão, tecido, ou célula. Um modo de ilustrar a rede de interações de proteínas que constitui um
interatoma está demonstrado na Figura 9.21. Para gerar esta figura, pesquisadores determinaram as 3.186 interações proteicas entre 1.705 proteínas humanas. Entretanto, essas interações constituem apenas uma pequena fração das interações de proteínas que estão ocorrendo em todas as células humanas sob todas as condições de crescimento.
FIGURA 9.20 As proteínas podem ser ativadas por meio da ligação enzimática de grupos fosfato aos grupos laterais de seus aminoácidos e inativadas por meio da remoção desses grupos fosfato.
FIGURA 9.21 As proteínas (representadas pelos círculos) interagem com outras proteínas (conectadas por linhas) para formar complexos proteicos simples ou grandes. Este interatoma demonstra 3.186 interações de 1.705 proteínas humanas. (Dados de Ulrich Steizl et al., Max Delbrück Center for Molecular Medicine [MDC] Berlin-Buch. Direitos autorais MDC.)
Qual é a significância biológica dessas interações? Neste capítulo e nos antecedentes,
você observou que as interações de proteínas são centrais para a função de grandes máquinas biológicas tais como o replissomo, o spliceossomo e o ribossomo. Outro conjunto de interações significativas é a das associações entre as proteínas humanas e as proteínas dos patógenos humanos. Por exemplo, o interatoma de 40 proteínas do vírus
Epstein-Barr (EBV) e de 112 proteínas humanas é composto por 173 interações (Figura
9.22). A compreensão sobre essa rede de interações pode levar a novas terapias para a mononucleose, uma doença causada por infecção pelo EBV.
Ubiquitinação. Surpreendentemente, uma das modificações pós-tradução mais comuns não é sutil como a adição de um grupo fosfato. Em vez disso, essa modificação tem por alvo a degradação da proteína por meio de uma máquina biológica e da protease
denominada proteossomo 26S (Figura 9.23). A modificação que marca uma proteína-alvo para ser degradada é a adição de cadeias de múltiplas cópias de uma proteína denominada ubiquitina aos resíduos de ε-amina da lisina (denominada ubiquitinação). A ubiquitina contém 76 aminoácidos e é observada apenas em eucariotos, nos quais é altamente conservada em plantas e em animais. Duas classes amplas de proteínas são alvo de destruição por meio da ubiquitinação: proteínas de vida curta, tais como reguladoras do ciclo celular, ou proteínas danificadas ou mutadas.
FIGURA 9.22 A rede de 173 interações de 40 proteínas do vírus Epstein-Barr (EBV) com 112 proteínas humanas. As proteínas virais estão demonstradas como círculos amarelos e as proteínas humanas como quadrados azuis. As interações estão demonstradas como linhas vermelhas. (Dados de Calderwood et al., Proceedings of the National Academy of Sciences 104, 2007, 7606-7611. Direitos autorais 2007 por National Academy of Sciences.)
FIGURA 9.23 Estão demonstradas as principais etapas na degradação proteica mediada pela ubiquitina. A ubiquitina é primeiramente conjugada a outra proteína e em seguida degradada pelo proteossomo. Em seguida a ubiquitina e os oligopeptídios são reciclados.
Direcionamento de proteínas. Em eucariotos, todas as proteínas são sintetizadas nos ribossomos no citoplasma. Entretanto, algumas dessas proteínas acabam no núcleo, outras nas mitocôndrias e ainda outras ancoradas na membrana ou secretadas da célula. Como essas proteínas “sabem” onde elas devem ir? A resposta para esse problema aparentemente complexo de fato é consideravelmente simples: uma proteína recém-sintetizada contém uma sequência curta que a direciona para o local ou compartimento celular correto. Por exemplo, uma proteína de membrana recém-sintetizada ou uma proteína destinada para uma organela apresenta um curto peptídio líder, denominado sequência de sinal, na sua extremidade amino-terminal. Para as proteínas de membrana, esse trecho de 15 a 25 aminoácidos direciona a proteína para canais na membrana do
retículo endoplasmático, onde a sequência de sinal é clivada por uma peptidase (Figura
9.24). A partir do retículo endoplasmático, a proteína é direcionada para o seu destino final. Existe um fenômeno semelhante para determinadas proteínas bacterianas que são secretadas.
FIGURA 9.24 As proteínas destinadas a serem secretadas da célula apresentam uma sequência amino-terminal que é rica em resíduos hidrofóbicos. Essa sequência de sinal se liga às proteínas na membrana do retículo endoplasmático (RE) que retiram o restante da proteína por meio da bicamada lipídica. A sequência de sinal é clivada da proteína neste processo por uma enzima denominada peptidase de sinal (não demonstrada). Uma vez dentro do retículo endoplasmático, a proteína é direcionada para a membrana celular, a partir da qual será secretada.
As proteínas destinadas ao núcleo incluem as RNA e DNA polimerases e os fatores de
transcrição discutidos nos Capítulos 7 e 8. As sequências de aminoácidos inseridas no interior das referidas proteínas ligadas ao núcleo são necessárias para o transporte do citoplasma para o núcleo. Essas sequências de localização nuclear (NLS) são reconhecidas por proteínas receptoras citoplasmáticas que transportam proteínas recém-sintetizadas através dos poros nucleares — sítios na membrana por meio dos quais moléculas grandes são capazes de passar para dentro e para fora do núcleo. Uma proteína normalmente não observada no núcleo será direcionada para o núcleo se uma NLS estiver ligada a ela.
Por que as sequências de sinal são clivadas durante o direcionamento, enquanto uma
NLS, localizada no interior de uma proteína, permanece após a proteína se movimentar para dentro do núcleo? Uma explicação pode ser que, na desintegração nuclear que
acompanha a mitose (ver Capítulo 2), as proteínas localizadas no núcleo podem ser encontradas no citoplasma. Tendo em vista que essa proteína contém uma NLS, ela pode ser realocada para o núcleo de um célula-filha que resulta da mitose.
CONCEITO-CHAVE A maioria das proteínas eucarióticas é inativa, exceto se modi cada após a tradução. Alguns
eventos pós-tradução, tais como a fosforilação ou a ubiquitinação, modi cam os grupos laterais de aminoácidos,
promovendo, assim, a ativação ou a degradação proteica, respectivamente. Outros mecanismos pós-tradução
reconhecem a identidade dos aminoácidos em uma sequência proteica e direcionam aquelas proteínas para
locais nos quais sua atividade é necessária dentro ou fora da célula.
RESUMO
Este capítulo descreveu a tradução da informação codificada na sequência de nucleotídios de um mRNA em uma sequência de aminoácidos de uma proteína. Nossas proteínas, mais do que qualquer outra macromolécula, determinam quem e o que somos. Elas são as enzimas responsáveis pelo metabolismo celular, incluindo a síntese de DNA e RNA, e são os fatores reguladores necessários para a expressão do programa genético. A versatilidade das proteínas como moléculas biológicas é manifestada na diversidade de formas que elas podem assumir. Além disso, até mesmo após a sua síntese, elas podem ser modificadas em uma diversidade de modos por meio da adição de moléculas que conseguem alterar a sua função.
Tendo em vista o papel central das proteínas na vida, não é surpresa que ambos o
código genético e o maquinário para a tradução desse código em proteínas tenham sido altamente conservados desde as bactérias até os seres humanos. Os principais componentes da tradução são três classes de RNA: tRNA, mRNA e rRNA. A precisão da tradução depende da ligação enzimática de um aminoácido com seu tRNA cognato, gerando uma molécula de tRNA carregada. Como adaptadores, os tRNA são as moléculas-chave na tradução. Contrariamente, o ribossomo é a fábrica na qual mRNA, tRNA carregados e outros fatores proteicos se unem para a síntese proteica.
A decisão-chave na tradução é onde iniciar a tradução. Em procariotos, o complexo de
iniciação é montado no mRNA na sequência de Shine-Dalgarno, logo upstream do códon de início AUG. O complexo de iniciação em eucariotos é montado na estrutura cap 5′ do mRNA e se movimenta na direção 3′ até que o códon de início seja reconhecido. A fase mais longa da tradução é o ciclo de alongamento; nessa fase, o ribossomo se movimenta ao longo do mRNA, revelando o próximo códon que irá interagir com seu tRNA carregado cognato, de modo que os tRNA carregados com aminoácidos possam ser adicionados à cadeia de polipeptídios em crescimento. Esse ciclo continua até que um códon de parada seja encontrado. Os fatores de liberação facilitam o término da tradução.
Nos últimos anos, novas técnicas de imagem revelaram interações ribossômicas no
nível atômico. Com esses novos “olhos”, atualmente podemos ver que o ribossomo é uma máquina incrivelmente dinâmica, que altera sua forma em resposta aos contatos realizados com tRNA e com proteínas. Além disso, as imagens em resolução atômica revelaram que os RNA ribossômicos, não as proteínas ribossômicas, estão intimamente associados aos centros funcionais do ribossomo.
O proteoma é o conjunto completo de proteínas que pode ser expresso pelo material
genético de um organismo. Enquanto um eucarioto multicelular típico apresenta aproximadamente 20.000 genes, o proteoma típico provavelmente é 10 a 50 vezes maior. Essa diferença em parte é o resultado de modificações pós-tradução, tais como fosforilação e ubiquitinação, que influenciam a atividade e a estabilidade proteica.
TERMOS-CHAVE
aminoácido
aminoacil-tRNA sintetase
anticódon
centro decodificador
centro peptidiltransferase
código degenerado
códon
desenho de fármaco com base na estrutura
direcionamento de proteínas
domínio
estrutura primária
estrutura quaternária
estrutura secundária
estrutura terciária
extremidade amino
extremidade carboxila
fator de iniciação
fator de liberação (RF)
iniciador
interatoma
isoforma
oscilante
polipeptídio
proteína fibrosa
proteína globular
proteoma
ribossomo
RNA ribossômico (rRNA)
RNA transportador ou de transferência (tRNA)
sequência de localização nuclear (NLS)
sequência de Shine-Dalgarno
sequência de sinal
sítio A
sítio ativo
sítio E
sítio P
subunidade
trinca
tRNA carregado
ubiquitina
ubiquitinação
PROBLEMAS RESOLVIDOS
Problema resolvido 1. Com a utilização da Figura 9.5, demonstre as consequências sobre a tradução subsequente da adição de uma base adenina no início da sequência codificadora a seguir:
Solução
Com a adição da A no início da sequência codificadora, o quadro de leitura é alterado, e um conjunto diferente de aminoácidos é especificado pela sequência, conforme demonstrado aqui (observe que é encontrado um conjunto de códons sem sentido, que resulta no término da cadeia):
–ACG–AUC–GGA–ACC–ACG–UGA–UAA–GCA–
– Thr – Ile – Gly – Thr – parada – parada
Problema resolvido 2. A adição de um único nucleotídio seguida por uma deleção de um nucleotídio único à distância de aproximadamente 20 pb no DNA causa uma alteração na sequência proteica de:
–His–Thr–Glu–Asp–Trp–Leu–His–Gln–Asp–
para:
–His–Asp–Arg–Gly–Leu–Ala–Thr–Ser–Asp–
Qual nucleotídio foi adicionado e qual foi deletado? Qual é a sequência de mRNA
original e a nova? (Dica: ver Figura 9.5).
Solução
Podemos desenhar a sequência de mRNA em relação à sequência proteica original (com as ambiguidades inerentes nesse estágio):
Tendo em vista que a alteração na sequência proteica fornecida a nós no início do problema tem início após o primeiro aminoácido (His) em virtude da adição de um nucleotídio único, podemos deduzir que um códon Thr tem de ser alterado para um códon Asp. Essa alteração necessariamente resulta da adição de uma G diretamente antes do códon Thr (indicado por um quadro), que altera o quadro de leitura, conforme demonstrado aqui:
Além disso, tendo em vista que uma deleção de um nucleotídio deve restaurar o códon Asp final para o quadro de leitura correto, uma A ou G deve ter sido deletada do final do códon próximo ao último original, conforme demonstrado pela seta. A sequência proteica original nos possibilita desenhar o mRNA com uma diversidade de ambiguidades. Entretanto, a sequência proteica que resulta do deslocamento do quadro de leitura nos possibilita determinar qual nucleotídio estava no mRNA original na maior parte desses pontos de ambiguidade. Os nucleotídios que podem ter aparecido na sequência original estão circulados. Em apenas alguns casos a ambiguidade permanece.
PROBLEMAS
QUESTÕES SOBRE AS FIGURAS
1. A estrutura proteica primária está demonstrada na Figura 9.3 A. Onde no mRNA
(próximo da extremidade 5′ ou 3′) uma mutação em R2 seria codificada?
2. Neste capítulo, você conheceu mutações supressoras sem sentido nos genes do
tRNA. Entretanto, as mutações supressoras também ocorrem em genes
codificadores de proteínas. Com a utilização da estrutura terciária da subunidade β
da hemoglobina demonstrada na Figura 9.3 C, explique em termos estruturais
como uma mutação poderia causar a perda da função proteica da globina. Agora
explique como uma mutação em um segundo local na mesma proteína poderia
suprimir esta mutação e levar a uma proteína normal ou quase normal.
3. Com a utilização da estrutura quaternária da hemoglobina demonstrada na Figura
9.3 D, explique em termos estruturais como uma mutação na proteína da
subunidade β poderia ser suprimida por uma mutação no gene da subunidade α.
4. RNA transportadores (tRNA) são exemplos de moléculas de RNA que não
codificam proteínas. Com base nas Figuras 9.6 e 9.8, qual é a significância da
sequência de moléculas de tRNA? Qual você prevê que seria o impacto sobre a
tradução de uma mutação em uma das bases de uma das hastes na estrutura do
tRNA? No organismo mutante?
5. Os componentes de ribossomos procarióticos e eucarióticos estão demonstrados na
Figura 9.10. Com base nesta figura, você acredita que o grande RNA ribossômico
procariótico (rRNA 23S) seria capaz de substituir o rRNA 28S eucariótico?
Justifique a sua resposta.
6. Os RNA ribossômicos (rRNA) são outro exemplo de uma molécula de RNA
funcional. Com base na Figura 9.11, qual você acredita que seja a significância da
estrutura secundária do rRNA?
7. Na Figura 9.12, o aminoácido terminal que está emergindo do ribossomo é
codificado pela extremidade 5′ ou 3′ do mRNA?
8. Na Figura 9.12 B, o que você acredita que ocorra com o tRNA que é liberado do
sítio E?
9. Na Figura 9.17, o que você acredita que ocorra próximo das subunidades
ribossômicas após elas terminarem a tradução daquele mRNA?
10. Com base na Figura 9.19, você consegue prever a posição de uma mutação que
afetaria a síntese de uma isoforma, mas não da outra?
11. Com base na Figura 9.24, você consegue prever a posição de uma mutação que
produziria uma proteína ativa que não foi direcionada para o local correto?
PROBLEMAS BÁSICOS
12.
a. Utilize o dicionário de códons na Figura 9.5 para completar a tabela a seguir.
Presuma que a leitura seja da esquerda para a direita e que as colunas representem
os alinhamentos da transcrição e da tradução.
C Dupla-hélice
de DNA
T G A
C A U mRNA
transcrito
G C A Anticódon
de tRNA
adequado
Aminoácidos
Trp incorporados
à proteína
b. Rotule as extremidades 5′ e 3′ do DNA e do RNA, bem como as extremidades
amino e carboxila da proteína.
13. Considere o segmento de DNA a seguir:
5′ GCTTCCCAA 3′
3′ CGAAGGGTT 5′
Presuma que o filamento superior seja o filamento-molde utilizado pela RNA
polimerase.
a. Desenhe o RNA transcrito.
b. Rotule as suas extremidades 5′ e 3′.
c. Desenhe a cadeia de aminoácidos correspondente.
d. Rotule as suas extremidades amino e carboxila.
Repita as partes a a d, presumindo que o filamento inferior seja o filamento-molde. 14. Um evento mutacional insere um par de nucleotídios extra no DNA. Qual dos
desfechos a seguir você espera? (1) Absolutamente nenhuma proteína; (2) uma
proteína na qual um aminoácido está alterado; (3) uma proteína na qual três
aminoácidos estão alterados; (4) uma proteína na qual dois aminoácidos estão
alterados; (5) uma proteína na qual a maior parte dos aminoácidos após o sítio da
inserção está alterada.
15. Antes de a verdadeira natureza do processo do código genético ter sido totalmente
compreendida, foi proposto que a mensagem poderia ser lida em trincas
sobrepostas. Por exemplo, a sequência GCAUC poderia ser lida como GCA CAU
AUC:
Planeje um teste experimental dessa ideia.
16. Se o tRNA é o adaptador para a tradução, o que é o ribossomo? 17. Qual anticódon você preveria para uma espécie de tRNA que carreia a isoleucina?
Existe mais de uma resposta possível? Caso afirmativo, declare quaisquer
respostas alternativas.
18. a. Em quantos casos no código genético você falharia em conhecer o aminoácido
especificado por um códon se você soubesse apenas os primeiros dois nucleotídios
do códon?
b. Em quantos casos você falharia em conhecer os primeiros dois nucleotídios do
códon se soubesse qual aminoácido é especificado por ele? 19. Deduza quais seis códons do tipo selvagem podem ter estado nos mutantes que
levaram Brenner a inferir a natureza do códon UAG.
20. Se um polirribonucleotídio contém quantidades iguais de bases adenina e uracila
posicionadas aleatoriamente, qual proporção de suas trincas irá codificar (a)
fenilalanina, (b) isoleucina, (c) leucina, (d) tirosina? 21. Você sintetizou três RNA mensageiros diferentes com bases incorporadas em uma
sequência aleatória nas razões a seguir: (a) 1 U: 5 C, (b) 1 A: 1 C: 4 U, (c) 1 A: 1
C: 1 G: 1 U. Em um sistema de síntese proteica in vitro, indique as identidades e as
proporções de aminoácidos que serão incorporados nas proteínas quando cada um
desses mRNA for testado. (Consulte a Figura 9.5.) 22. No fungo Neurospora, foram obtidos alguns mutantes que apresentavam ausência
de atividade em relação a uma determinada enzima. Observou-se, por meio de
mapeamento, que as mutações estão em um de dois genes não ligados. Forneça
uma explicação possível em referência à estrutura proteica quaternária. 23. Qual é o significado da declaração “O código genético é universal”? Qual é a
significância desse achado?
24. A enzima triptofano sintetase é produzida em dois tamanhos, grande e pequena.
Alguns mutantes sem atividade enzimática produziram enzimas exatamente do
mesmo tamanho que o tipo selvagem. Outros mutantes sem atividade produziram
apenas a enzima grande; outros ainda, apenas a enzima pequena.
a. Explique os diferentes tipos de mutantes no nível da estrutura proteica. 32. Um sistema de tradução quimérico que contém a subunidade ribossômica grande
b. Por que você acredita que não havia mutantes que não produziam nenhuma
enzima?
25. Nos experimentos de Crick-Brenner descritos neste capítulo, três inserções ou três
deleções restauraram o quadro de leitura normal e a dedução foi que o código era
lido em grupos de três. Essa dedução realmente é comprovada pelos experimentos?
Um códon pode ter sido composto por seis bases, por exemplo? 26. Um mutante não apresenta atividade em relação à enzima isocitrato liase. Como
esse resultado comprova que a mutação está no gene que codifica a isocitrato
liase?
27. Um determinado supressor sem sentido corrige um mutante sem crescimento até
um estado que é próximo, mas não exatamente, do tipo selvagem (ele apresenta
crescimento anormal). Sugira um possível motivo pelo qual a reversão não é uma
correção total.
28. Em genes bacterianos, assim que algum transcrito de mRNA parcial é produzido
pelo sistema de RNA polimerase, o ribossomo se associa a ele e inicia a tradução.
Desenhe um diagrama desse processo, identificando as extremidades 5′ e 3′ do
mRNA, as extremidades COOH e NH da proteína, a RNA polimerase, e no
mínimo um ribossomo. Por que esse sistema não poderia atuar em eucariotos? 29. Em um haploide, um supressor sem sentido su1 atua na mutação 1, mas não na
mutação 2 ou 3 do gene P. Um supressor sem sentido não ligado su2 atua na
mutação 2 de P, mas não sobre 1 ou 3. Explique esse padrão em relação à natureza
das mutações e dos supressores.
30. Foram desenvolvidos sistemas de tradução in vitro, nos quais moléculas de RNA
específicas podem ser adicionadas a um tubo de ensaio que contém um extrato
celular bacteriano que inclui todos os componentes necessários para a tradução
(ribossomos, tRNA, aminoácidos). Se um aminoácido marcado radioativamente
for incluído, qualquer proteína traduzida a partir daquele RNA pode ser detectada
e demonstrada em um gel. Se um mRNA eucariótico for adicionado ao tubo de
ensaio, serão produzidas proteínas radioativas? Explique. 31. Um sistema de tradução in vitro contém um extrato de célula eucariótica que inclui
todos os componentes necessários para a tradução (ribossomos, tRNA,
aminoácidos). Se um RNA bacteriano for adicionado ao tubo de ensaio, uma
proteína será produzida? Caso negativo, por que não?
de E. coli e a subunidade ribossômica pequena de levedura (um eucarioto
unicelular) seria capaz de atuar na síntese proteica? Explique por que sim ou por
que não.
33. Mutações que alteram um único aminoácido no sítio ativo de uma enzima podem
resultar na síntese de quantidades do tipo selvagem de uma enzima inativa. Você
consegue pensar em outras regiões em uma proteína nas quais uma alteração de
aminoácido único pode apresentar o mesmo resultado? 34. Qual evidência ampara a visão de que os RNA ribossômicos são um componente
mais importante do ribossomo do que as proteínas ribossômicas? 35. Explique por que os antibióticos, tais como eritromicina e azitromicina, que se
ligam à subunidade ribossômica grande não nos prejudicam. 36. Por que os eucariotos multicelulares precisam ter centenas de genes que codificam
quinases?
37. Nosso sistema imune produz muitas proteínas diferentes que nos protegem contra
infecções virais e bacterianas. Empresas de biotecnologia precisam produzir
grandes quantidades dessas proteínas imunes para testes em humanos e a venda
final para o público. Para essa finalidade, seus cientistas modificam culturas
celulares bacterianas ou humanas para expressar essas proteínas imunes. Explique
por que as proteínas isoladas de culturas bacterianas com frequência são inativas,
enquanto as mesmas proteínas isoladas a partir das culturas celulares humanas são
ativas (funcionais).
38. Você esperaria encontrar sequências de localização nuclear (NLS) nas proteínas
que produzem DNA e RNA polimerases procarióticas e eucarióticas? Explique por
que sim ou por que não.
PROBLEMAS DESAFIADORES
39. A adição de um nucleotídio único e a deleção de um nucleotídio único à distância
de aproximadamente 15 bases no DNA causam uma alteração na sequência
proteica de:
Phe–Ser–Pro–Arg–Leu–Asn–Ala–Val–Lys
para:
Phe–Val–His–Ala–Leu–Met–Ala–Val–Lys
a. Quais são as sequências de nucleotídios do mRNA antigo e do novo? (Utilize o
dicionário de códons na Figura 9.5.)
b. Qual nucleotídio foi adicionado? Qual foi deletado? 40. Você está estudando um gene de E. coli que especifica uma proteína. Uma parte da
sua sequência é:
–Ala–Pro–Trp–Ser–Glu–Lys–Cys–His–
Você recupera uma série de mutantes em relação a esse gene que não demonstram
atividade enzimática. Ao isolar os produtos enzimáticos mutantes, você observa as
sequências a seguir:
Mutante 1:
–Ala–Pro–Trp–Arg–Glu–Lys–Cys–His–
Mutante 2:
–Ala–Pro–
Mutante 3:
–Ala–Pro–Gly–Val–Lys–Asn–Cys–His–
Mutante 4:
–Ala–Pro–Trp–Phe–Phe–Thr–Cys–His–
Qual é a base molecular em relação a cada mutação? Qual é a sequência de DNA
que especifica essa parte da proteína?
41. Atualmente são conhecidos supressores de mutações por deslocamento do quadro
de leitura. Proponha um mecanismo para a sua ação.
42. Considere os genes que especificam a estrutura da hemoglobina. Disponha os
eventos a seguir na sequência mais provável na qual eles ocorreriam:
a. É observada anemia.
b. A forma do sítio de ligação do oxigênio é alterada.
c. Um códon incorreto é transcrito no mRNA da hemoglobina.
d. O ovócito (gameta feminino) recebe uma dose alta de radiação.
e. Um códon incorreto é gerado no DNA de um gene de hemoglobina.
f. Uma mãe (uma técnica de radiologia) acidentalmente tropeça na frente de um
gerador de raios X em operação.
g. Uma criança morre.
h. A capacidade de transporte de oxigênio do corpo está gravemente
comprometida.
i. O anticódon do tRNA que se alinha é de um tipo que traz um aminoácido
inadequado.
j. Ocorre a substituição de pares de nucleotídios no DNA de um gene de
hemoglobina.
43. Quais características estruturais são compartilhadas pelos spliceossomos (Figuras
8.16 e 8.17) e os ribossomos? Por que ambas as estruturas são utilizadas para
amparar a teoria do Mundo do RNA?
44. Uma molécula de DNA bifilamentar com a sequência demonstrada aqui produz, in
vivo, um polipeptídio que apresenta o comprimento de cinco aminoácidos.
TACATGATCATTTCACGGAATTTCTAGCATGTA
ATGTACTAGTAAAGTGCCTTAAAGATCGTACAT
a. Qual filamento de DNA é o filamento-molde, e em qual direção ele é transcrito?
b. Rotule as extremidades 5′ e 3′ de cada filamento.
c. Se ocorre uma inversão entre a segunda e a terceira trincas das extremidades
esquerda e direita, respectivamente, e o mesmo filamento de DNA é transcrito,
quão longo será o polipeptídio resultante?
d. Presuma que a molécula original esteja intacta e que o filamento inferior seja
transcrito da esquerda para a direita. Forneça a sequência de bases do RNA e
rotule as extremidades 5′ e 3′ do anticódon que insere o quarto aminoácido no
polipeptídio nascente. Qual é o aminoácido?
45. Uma das técnicas que Khorana utilizou para decifrar o código genético foi
sintetizar polipeptídios in vitro, utilizando mRNA sintético com diversas
sequências de bases repetidas. Por exemplo, (AGA)n, que pode ser escrita como
AGAAGAAGAAGAAGA... Por vezes o polipeptídio resultante continha apenas
um aminoácido (um homopolímero), e por vezes continha mais de um aminoácido
(um heteropolímero), dependendo da sequência de repetição utilizada. Khorana
observou que por vezes polipeptídios diferentes eram produzidos a partir do
mesmo mRNA sintético, sugerindo que a iniciação da síntese proteica no sistema
in vitro nem sempre tem início no primeiro nucleotídio do mensageiro. Por
exemplo, a partir de (CAA)n, três polipeptídios podem ter sido produzidos:
homopolímero aa1 (abreviado aa1-aa1), homopolímero aa2 (aa2-aa2), e
homopolímero aa 3 (aa3-aa3). Esses polipeptídios provavelmente correspondem às
leituras a seguir derivadas do início em diferentes locais na sequência:
CAA CAA CAA CAA...
ACA ACA ACA ACA...
AAC AAC AAC AAC...
A tabela a seguir demonstra os resultados do experimento de Khorana.
mRNA sintético Polipeptídio(s) sintetizado(s)
(UG)n (Ser-Leu)
(UG)n (Val-Cys)
(AC)n (Thr-His)
(AG)n (Arg-Glu)
(UUC)n (Ser-Ser) e (Leu-Leu) e (Phe-Phe)
(UUG)n (Leu-Leu) e (Val-Val) e (Cys-Cys)
(AAG)n (Arg-Arg) e (Lys-Lys) e (Glu-Glu)
(CAA)n (Thr-Thr) e (Asn-Asn) e (Gln-Gln)
(UAC)n (Thr-Thr) e (Leu-Leu) e (Tyr-Tyr)
(AUC)n (Ile-Ile) e (Ser-Ser) e (His-His)
(GUA)n (Ser-Ser) e (Val-Val)
(GAU)n (Asp-Asp) e (Met-Met)
(UAUC)n (Tyr-Leu-Ser-Ile)
(UUAC)n (Leu-Leu-Thr-Tyr)
(GAUA)n Nenhum
(GUAA)n Nenhum
Nota: a ordem na qual os polipeptídios ou aminoácidos estão listados na tabela não é signi cativa, exceto em relação a (UAUC)n e (UUAC)n.
a. Por que (GUA) n e (GAU)n codificam, cada um, apenas dois homopolipeptídios?
b. Por que (GAUA)n e (GUAA)n falham em estimular a síntese?
c. Com a utilização dos resultados de Khorana, atribua um aminoácido para cada
trinca na lista a seguir. Relembre que com frequência existem diversos códons para
um único aminoácido e que as duas primeiras letras em um códon normalmente
são importantes (mas que a terceira letra ocasionalmente é significativa). Também
tenha em mente que alguns códons muito diferentes por vezes codificam o mesmo
aminoácido. Tente solucionar este problema sem consultar a Figura 9.5.
GUA GAU UUG AAC
GUG UUC UUA GAA
GUU AGU UAU AGA
AUG CUU AUC GAG
UGU CUA UAC CAA
ACA UCU AAG UAG
CAC CUC ACU UGA
A solução deste problema requer tanto lógica quanto tentativa e erro. Não se sinta
desencorajado: Khorana recebeu um Prêmio Nobel por solucioná-lo. Boa sorte!
(Dados de J. Kuspira e G. W. Walker, Genetics: Questions and Problems.
McGraw-Hill, 1973.)
46. Para construir um “interatoma” como aquele demonstrado na Figura 9.21,
cientistas identificam todas as interações proteicas em um tipo de tecido ou célula
em particular. A comparação dos interatomas do tecido muscular humano versus o
tecido cerebral humano revela padrões muito diferentes. Se você fosse o cientista
envolvido nesse estudo, como explicaria esses resultados? 47. Os genomas da maioria dos eucariotos multicelulares codificam aproximadamente
25.000 genes, ainda que seus proteomas contenham mais de 200.000 proteínas.
Proponha dois processos que, considerados em conjunto, expliquem essa
discrepância.
48. Os éxons e os íntrons de um gene estão demonstrados a seguir. A recomposição
alternativa desse gene produz três diferentes quadros de leitura abertos. Preveja
quais éxons formarão esses três mRNA e forneça a justificativa para a sua
resposta. nt = Nucleotídios
49. Se fosse encontrada vida em outro planeta, você acredita que ela apresentaria o
mesmo código genético? Justifique sua resposta.
50. A imagem na primeira página do Capítulo 9 é de um ribossomo em resolução
atômica, no qual o rRNA é azul e as proteínas ribossômicas são cor-de-rosa.
Observe essa figura cuidadosamente, prestando atenção nos pontos de interação
dos rRNA com as proteínas ribossômicas e das proteínas ribossômicas com os
tRNA, mRNA e fatores ribossômicos (EF-Tu, RF1). Agora planeje um modelo que
explique a natureza de algumas das interações (em termos muito gerais) que estão ___________________
ocorrendo dentro dessa máquina molecular. Como o conhecimento sobre essas
interações pode auxiliar no desenho de uma nova geração de antibióticos?
1F. Crick, “On Protein Synthesis.” The Symposia of the Society for Experimental Biology 12:138-163, 1958.
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