Introdução à Genética
Um gene para o desenvolvimento das asas
Um gene para o desenvolvimento das asas No exemplo da mosca-das-frutas, o cruzamento da mosca com asas curtas mutante com o estoque com asas longas do tipo selvagem produziu uma progênie de 788 moscas, classificadas como segue:
196 machos com asas curtas
194 fêmeas com asas curtas
197 machos com asas longas
201 fêmeas com asas longas
No total, existem 390 moscas com asas curtas e 398 com asas longas, muito próximas de uma proporção de 1:1. A proporção é a mesma nos machos e nas fêmeas, novamente dentro dos limites do erro de amostragem. Portanto, a partir desses resultados, o mutante “asas curtas” muito provavelmente foi produzido por uma mutação dominante. Observe que, para que uma mutação dominante seja expressa, é necessária apenas uma “dose” única do alelo mutante. Assim, na maior parte dos casos, quando o mutante aparecer pela primeira vez na população, ele ocorrerá no estado heterozigoto. (Isso não é verdadeiro em relação a uma mutação recessiva, tal como aquela no exemplo da planta antecedente, que precisa ser homozigota para ser expressa e deve ser originária da autopolinização de uma planta heterozigota não identificada na geração anterior.)
Quando a progênie de asas longas foi intercruzada, todos os descendentes
tinham asas longas, conforme esperado de um alelo do tipo selvagem recessivo. Quando a progênie de asas curtas foi intercruzada, seus descendentes demonstraram uma proporção de três quartos curtos para um quarto de asas longas.
As mutações dominantes são representadas por letras ou palavras
maiúsculas: no presente exemplo, o alelo mutante pode ser denominado SH, que se refere a “curta” (em inglês, short). Então, os cruzamentos seriam representados simbolicamente como:
P +/+ × SH/+
F1 +/+
SH/+
F1 +/+ × +/+
Todas +/+
F1 SH/+ × SH/+
SH/SH
SH/+
+/+
ou graficamente conforme demonstrado nas grades adiante.
Essa análise do mutante da mosca identifica um gene que faz parte de um
subconjunto de genes que, na forma selvagem, são cruciais para o desenvolvimento normal de uma asa. Tal resultado é o ponto de partida para estudos adicionais, cujo foco é identificar o exato desenvolvimento e as vias celulares nas quais o crescimento da asa é interrompido, que, após a identificação, revelariam o momento de ação do alelo selvagem durante o desenvolvimento.