Introdução à Genética
Mutações em células cancerosas
umas sobre as outras (Figura 16.30 B).
Claramente, os fatores que regulam a fisiologia celular normal foram
alterados. Qual, então, é a causa subjacente do câncer? Muitos tipos celulares diferentes podem ser convertidos em um estado maligno. Existe um tema em comum? Ou cada um surge de modo diferente? Podemos pensar a respeito do câncer, de modo geral, como consequente ao acúmulo de múltiplas mutações em uma única célula, que causam a sua proliferação descontrolada. Algumas dessas mutações podem ser transmitidas a partir dos genitores por meio da linhagem germinativa. A maior parte surge de novo na linhagem somáticas de uma célula em particular.
FIGURA 16.30 Micrografias de varredura eletrônica de (A) células normais e (B) células transformadas pelo vírus do sarcoma de Rous, que infecta as células com o oncogene src. A. Uma linhagem celular normal, denominada 3T3. Observe a estrutura de monocamada organizada das células. B. Uma derivativa transformada de 3T3. Observe como as células são mais arredondadas e estão empilhadas umas sobre as outras. (De Victor R. Ambros, Lan Bo Chen e John M. Buchanan, “Surface Ruffles as Markers for Studies of Cell Transformation by Rous Sarcoma Virus”, Proc. Nat. Acad. Sci. USA 72, No. 8, 3144-3148, August 1975, Cell Biology, p. 3144, Figure 1A e 1B.)
Mutações em células cancerosas Diversas linhas de evidências apontam para uma origem genética em relação à transformação de células do estado benigno até o canceroso. Primeiramente, conforme já discutido neste capítulo, muitos agentes mutagênicos, tais como substâncias químicas e radiação, causam câncer, sugerindo que eles introduzam mutações nos genes. Em segundo lugar, e mais importante, foram identificadas mutações que frequentemente estão associadas a tipos de cânceres em particular.
Dois tipos gerais estão associados aos tumores: mutações em oncogenes e
mutações em genes supressores de tumor. As mutações em oncogenes atuam na
célula cancerosa como mutações dominantes de ganho de função (ver Capítulo
6 para uma discussão sobre as mutações dominantes). Essa declaração sugere duas características-chave das mutações em oncogenes. Primeiramente, as proteínas codificadas pelos oncogenes em geral são ativadas em células tumorais e, em segundo lugar, a mutação deve estar presente em apenas um alelo para contribuir para formação do tumor. O gene em sua forma normal e não mutado é denominado proto-oncogene.
As mutações nos genes supressores de tumor que promovem a formação de
tumor são mutações recessivas de perda de função. Ou seja, esse tipo de mutação faz com que os produtos dos genes codificados percam uma grande parte de sua atividade ou toda ela (ou seja, a mutação é nula). Além disso, para que o câncer se desenvolva, a mutação deve estar presente em ambos os alelos do gene.
CONCEITO-CHAVE Os oncogenes codi cam formas mutadas de proteínas celulares normais, que
resultam em mutações dominantes, normalmente em virtude de sua ativação inadequada.
Contrariamente, os genes supressores de tumor codi cam proteínas cuja perda de atividade pode
contribuir para um estado canceroso. Como tal, são mutações recessivas.
Classes de oncogenes. Foi identificada aproximadamente uma centena de oncogenes diferentes. Como os seus correspondentes normais, os proto-oncogenes, atuam? Os proto-oncogenes em geral codificam uma classe de proteínas que estão ativas apenas quando os sinais regulatórios adequados possibilitam que eles sejam ativados. Muitos produtos de proto-oncogenes são elementos em vias que induzem (controlam positivamente) o ciclo celular. Esses produtos incluem receptores de fatores de crescimento, proteínas de transdução de sinal e reguladores de transcrição. Outros produtos de proto-oncogenes atuam para inibir (controlar negativamente) a via apoptótica que destrói as células danificadas. Em ambos os tipos de mutação de oncogenes, a atividade da proteína mutante foi desacoplada de sua via reguladora normal, levando à sua expressão desregulada contínua. O produto proteico continuamente expresso de um oncogene é denominado oncoproteína. Diversas categorias de oncogenes foram identificadas de acordo com as diferentes vias nas quais as funções reguladoras foram desacopladas.
O oncogene ras pode ser utilizado para ilustrar o que ocorre quando um gene
normal mantém uma mutação promotora de tumor. Conforme frequentemente é o caso, a alteração de uma proteína normal em uma oncoproteína envolve modificações estruturais da própria proteína – nesse caso, causada por uma simples mutação de ponto. Uma substituição de um único par de bases, que converte glicina em valina no aminoácido 12 da proteína Ras, por exemplo, cria
a oncoproteína observada no câncer de bexiga humano (Figura 16.31 A). A proteína Ras normal é uma subunidade da proteína G que participa na transdução de sinal. Ela normalmente atua por meio da oscilação entre o estado ativo ligado ao GTP e o inativo ligado ao GDP. A mutação de sentido trocado
no oncogene ras produz uma oncoproteína que sempre se liga ao GTP (Figura
16.31 B), até mesmo na ausência de sinais normais. Consequentemente, a oncoproteína Ras propaga continuamente um sinal que promove a proliferação celular.
Genes supressores de tumor. As funções normais dos genes supressores de tumor estão classificadas em categorias complementares àquelas dos proto-
oncogenes (Tabela 16.1). Alguns genes supressores de tumor codificam reguladores negativos cuja função normal é inibir o ciclo celular. Outros codificam reguladores positivos que normalmente ativam a apoptose, ou a morte celular, de uma célula danificada. Outros ainda são participantes indiretos no câncer, com um papel normal no reparo de DNA danificado ou no controle da longevidade celular. Consideraremos um exemplo aqui.
Mutações no gene p53 estão associadas a muitos tipos de tumores. De fato,
estima-se que 50% dos tumores humanos apresentem ausência de um gene p53 funcional. A proteína p53 ativa é um regulador transcricional que é ativado em resposta a dano no DNA. A p53 do tipo selvagem ativada atua em uma função dupla: previne a progressão do ciclo celular até que o dano ao DNA seja reparado e, sob algumas circunstâncias, induz apoptose. Se nenhum gene p53 funcional está presente, o ciclo celular progride até mesmo se o DNA danificado não houver sido reparado. A progressão do ciclo celular para a mitose eleva a frequência geral de mutações, rearranjos cromossômicos e aneuploidia e, portanto, aumenta as chances de que surjam outras mutações que promovam a proliferação celular ou bloqueiem a apoptose.
Agora está claro que as mutações capazes de elevar a taxa de mutação são
importantes contribuintes para a progressão de tumores em seres humanos. Essas mutações são recessivas nos genes supressores de tumor que normalmente atuam nas vias de reparo do DNA. Mutações nesses genes, portanto, interferem no reparo do DNA. Elas promovem o crescimento tumoral indiretamente, ao elevar a taxa de mutação, o que torna muito mais provável o surgimento de uma série de mutações em oncogenes e supressores de tumor, corrompendo a regulação normal do ciclo celular e a morte celular programada. Foram identificadas inúmeras das referidas mutações em genes supressores de tumor, incluindo algumas associadas a formas hereditárias de câncer em tecidos específicos. Exemplos são as mutações em BRCA1 e BRCA2 e o câncer de mama.
FIGURA 16.31 Formação e efeito da oncoproteína Ras. A. O oncogene ras difere do tipo selvagem em um único par de bases, produzindo uma oncoproteína Ras que difere do tipo selvagem em um aminoácido, na posição 12 na matriz de leitura aberta de ras. B. A oncoproteína Ras não consegue hidrolisar GTP em GDP. Em virtude deste defeito, a oncoproteína Ras permanece no complexo ativo Ras-GTP e ativa continuamente o sinal para a proliferação.
Tabela 16.1 Funções de proteínas do tipo selvagem e propriedades das mutações promotoras de tumor nos genes correspondentes.
Função da proteína do tipo selvagem Propriedades das mutações promotoras
de tumor
Promove a progressão do ciclo celular Oncogene (ganho de função)
Inibe a progressão do ciclo celular Mutação de supressor de tumor (perda de
função)
Promove apoptose Mutação de supressor de tumor (perda de
função)
Inibe apoptose Oncogene (ganho de função)
Promove o reparo de DNA Mutação de supressor de tumor (perda de
função)
CONCEITO-CHAVE Agentes mutagênicos podem causar alguns cânceres, tendo em vista que o câncer
é, em parte, causado por versões mutantes de genes normais que levam ao crescimento
descontrolado.
RESUMO
A alteração do DNA em um gene (mutação de ponto) em geral envolve um ou alguns poucos pares de bases. As substituições de pares de bases únicos podem criar códons de sentido trocado ou códons sem sentido (término de tradução). Uma purina substituída pela outra purina (ou uma pirimidina substituída pela outra pirimidina) é uma transição. Uma purina substituída por uma pirimidina (ou vice-versa) é uma transversão. Adições ou deleções (indels) de pares de bases únicos produzem mudança de matriz de leitura. Determinados genes humanos que contêm repetições de trinucleotídios — especialmente aqueles que são expressos no tecido neural — se tornam mutados por meio da expansão dessas repetições e, assim, podem causar doenças. A formação de repetições de monoaminoácidos nos polipeptídios codificados por esses genes com frequência é responsável pelos fenótipos mutantes.
As mutações podem ocorrer espontaneamente como um subproduto de
processos celulares normais, tais como replicação do DNA ou metabolismo, ou podem ser induzidas por radiação mutagênica ou substâncias químicas. Os mutágenos com frequência resultam em um tipo específico de alteração em virtude de sua especificidade química. Por exemplo, alguns produzem exclusivamente transições G · C → A · T; outros, exclusivamente mudanças de matriz de leitura.
Embora as mutações sejam necessárias para gerar diversidade, muitas
mutações estão associadas a doenças genéticas hereditárias, tais como o xeroderma pigmentoso. Além disso, as mutações que ocorrem em células somáticas são a fonte de muitos cânceres humanos. Foram desenvolvidas muitas vias biológicas para corrigir o amplo espectro de mutações espontâneas e induzidas. Algumas vias, tais como o reparo por excisão de base e nucleotídio e o reparo de malpareamento, utilizam as informações inerentes à complementaridade de bases para executar reparo livre de erro. Outras vias que utilizam polimerases de bypass para corrigir bases danificadas podem introduzir erros na sequência de DNA.
A correção de quebras bifilamentares é particularmente importante, tendo em
vista que essas lesões podem levar a rearranjos cromossômicos desestabilizantes. A junção de extremidades não homólogas é uma via que une as extremidades quebradas, de modo que uma forquilha de replicação parada não resulte em morte celular. Nas células em replicação, as quebras bifilamentares podem ser reparadas de um modo livre de erro por meio da via de pareamento de filamento dependente de síntese, que utiliza a cromátide-irmã para reparar a quebra.
Centenas de quebras bifilamentares programadas iniciam o crossing over
meiótico entre as cromátides não irmãs. Assim como outras quebras bifilamentares, as quebras meióticas devem ser processadas rapidamente e com eficiência para prevenir consequências sérias, tais como a morte celular e o câncer. O modo exato como esse reparo é realizado ainda está sendo explorado.
TERMOS-CHAVE
agente intercalar
análogo de base
apoptose
câncer
gene supressor de tumor
junção de extremidades não homólogas (NHEJ)
lesão espontânea
mudança de matriz de leitura
mutação de ponto
mutação de sentido trocado
mutação espontânea
mutação indel
mutação induzida
mutação sem sentido
mutação sinônima
mutagênese
mutágeno
oncogene
oncoproteína
pareamento de filamento dependente de síntese (SDSA)
plaqueamento em réplica
polimerase de bypass (translesão)
polimerase translesão (de bypass)
proto-oncogene
quebra bifilamentar
reparo de malpareamento
reparo por excisão de base
reparo por excisão de nucleotídio (NER)
reparo por excisão de nucleotídio genômico global (GG-NER)
reparo por excisão de nucleotídio acoplado à transcrição (TC-NER)
repetição de trinucleotídios
síndrome de Cockayne
síntese de DNA translesão
sistema SOS
sítio apurínico
substituição não conservativa
teste de Ames
teste de flutuação
transição
transversão
xeroderma pigmentoso (XP)
PROBLEMAS RESOLVIDOS
Problema resolvido 1. No Capítulo 9, aprendemos que os códons UAG e UAA são duas trincas sem sentido de término de cadeia. Com base na especificidade da aflatoxina B1 e do etilmetanossulfonato (EMS), descreva se cada mutágeno seria capaz de reverter esses códons para o tipo selvagem.
Solução
O EMS induz primariamente transições G · C → A · T. Os códons UAG não podem ser revertidos para o tipo selvagem, tendo em vista que apenas a alteração de UAG → UAA seria estimulada pelo EMS e geraria um códon sem sentido (ocre). Os códons UAA não atuariam por meio do EMS. A aflatoxina B1 induz primariamente transversões de G · C → T · A. Apenas a terceira posição dos códons UAG atuaria, resultando em uma alteração de UAG → UAU (no nível do mRNA), que produz tirosina. Portanto, se a tirosina for um aminoácido aceitável no sítio correspondente na proteína, a aflatoxina B1 pode reverter os códons UAG. A aflatoxina B1 não reverteria os códons UAA, tendo em vista que nenhum par de bases G · C aparece na posição correspondente no DNA.
Problema resolvido 2. Explique por que as mutações induzidas por acridinas no fago T4 ou por ICR-191 em bactérias não podem ser revertidas pela 5-bromouracila.
Solução
Acridinas e ICR-191 induzem mutações por meio da deleção ou da adição de um ou mais pares de bases, o que resulta em uma mudança da matriz de leitura. Entretanto, a 5-bromouracila induz mutações ao causar a substituição de uma base por outra. Essa substituição não consegue compensar a mudaça de matriz de leitura que resulta de ICR-191 e acridinas.
PROBLEMAS
QUESTÕES SOBRE AS FIGURAS
1. Na Figura 16.3 A, qual é a consequência do novo sítio de corte 5′ na
matriz de leitura aberta? Na 16.3 B, quão grande poderia ser o íntron para manter a matriz de leitura (digamos, entre 75 e 100 pb)?
2. Com a utilização da Figura 16.4 como um exemplo, compare a migração
do RNA e da proteína em relação ao gene do tipo selvagem e a mutação
demonstrada na Figura 16.3 B. Presuma que o íntron retido mantém a matriz de leitura.
3. No teste de Ames demonstrado na Figura 16.17, qual é o motivo para a
adição do extrato hepático a cada amostra?
4. Com base no modo de ação da aflatoxina (Figura 16.16), proponha uma
situação que explique a sua resposta no teste de Ames (Figura 16.18).
5. Na Figura 16.22, aponte a(s) proteína(s) mutante(s) em pacientes com
síndrome de Cockayne. Qual(is) proteína(s) é/são mutante(s) em pacientes com XP? Como se acredita que essas diferentes mutações sejam responsáveis pelos diferentes sintomas da doença?
6. A proteína MutH corta o filamento recém-sintetizado (Figura 16.23).
Como ela “sabe” qual é esse filamento?
7. Quais características da polimerase de bypass a tornam ideal para o seu
papel na síntese translesão, demonstrada na Figura 16.24?
PROBLEMAS BÁSICOS
8. Considere as sequências do tipo selvagem e mutante a seguir:
Tipo selvagem ….CTTGCAAGCGAATC….
Mutante ….CTTGCTAGCGAATC….
A substituição demonstrada parece ter criado um códon de fim. Quais informações adicionais você necessita para estar confiante de que isso tenha ocorrido?
9. Qual tipo de mutação está ilustrado pelas sequências a seguir
(demonstradas como mRNA)?
Tipo selvagem ….5′
AAUCCUUACGGA
3′….
Mutante ….5′ AAUCCUACGGA
3′….
10. Uma mutação de sentido trocado de prolina para histidina pode ser
realizada com mutágeno que causa uma transição G · C → A · T? O que dizer a respeito de uma mutação de sentido trocado de prolina para serina?
11. Por meio da substituição de par de bases, quais são todas as alterações
sinônimas que podem ser produzidas com início no códon CGG?
12.
a. Quais são todas as transversões que podem ser realizadas com início no códon CGG?
b. Quais dessas transversões serão de sentido trocado? Você pode ter certeza?
13.
a. A acridina laranja é um mutágeno eficaz para a produção de alelos nulos por meio de mutação. Por que ela produz alelos nulos? b. Um determinado composto semelhante à acridina dá origem apenas a inserções únicas. Uma mutação induzida com esse composto é tratada com o mesmo composto e são produzidos alguns revertentes. Como esse desfecho é possível?
14. Defenda a declaração: “O câncer é uma doença genética.”
15. Forneça um exemplo de um defeito de reparo do DNA que leve ao
câncer.
16. No reparo de malpareamento em E. coli, apenas um erro no filamento
recém-sintetizado é corrigido. Como a E. coli é capaz de reconhecer o filamento recém-sintetizado? Por que essa capacidade faz sentido biológico?
17. Uma lesão mutacional resulta em uma sequência que contém um par de
bases malpareado:
5′ AGCTGCCTT 3′
3′ ACGATGGAA 5′
Códon
Se o reparo de malpareamento ocorre em qualquer direção, quais aminoácidos poderiam ser observados nesse sítio?
18. Sob quais circunstâncias poderia ser dito que a junção de extremidades
não homólogas é propensa a erro?
19. Por que tantas substâncias químicas que apresentam resultado positivo no
teste de Ames também são classificadas como carcinogênicas?
20. A proteína Spo11 está conservada em eucariotos. Você acredita que ela
também esteja conservada em espécies bacterianas? Justifique a sua resposta.
21. Diferencie os elementos dos pares a seguir:
a. Transições e transversões.
b. Mutações sinônimas e neutras. c. Mutações de sentido trocado e sem sentido. d. Mudanças de matriz de leitura e mutações sem sentido.
22. Descreva duas lesões espontâneas que podem levar a mutações. 23. O que são polimerases de bypass? Como elas diferem das polimerases
replicativas? Como as suas características especiais facilitam seu papel no reparo do DNA?
24. Em células adultas que pararam de se dividir, quais tipos de sistemas de
reparo são possíveis?
25. Um determinado composto que é um análogo da base citosina pode se
tornar incorporado ao DNA. Ele normalmente forma pontes de hidrogênio com a citosina, mas com uma razoável frequência isomeriza-se em uma forma que faz pontes de hidrogênio com a timina. Você espera que esse composto seja mutagênico e, em caso afirmativo, quais tipos de alterações ele pode induzir no DNA?
26. Duas vias, a recombinação homóloga e a junção de extremidades não
homólogas (NHEJ), podem reparar quebras bifilamentares no DNA. Se a recombinação homóloga é uma via livre de erros, enquanto NHEJ nem sempre é livre de erros, por que NHEJ é utilizada na maior parte das vezes em eucariotos?
27. Qual via de reparo reconhece o dano ao DNA durante a transcrição? O
que ocorre se o dano não for reparado?
28. Onde em um gene uma inserção de 4 pb apresentaria o menor efeito sobre
a expressão gênica?
a. Íntrons.
b. Éxons.
c. Regiões reguladoras.
d. Íntrons e éxons.
29. Qual das mutações gênicas a seguir apresenta maior probabilidade de
provocar o impacto mais grave sobre a expressão gênica? a. Uma mutação sem sentido no último éxon. b. Uma mutação de ponto em um éxon. c. Uma mutação de ponto no sítio doador de corte de um íntron. d. Uma mutação de ponto na parte intermediária de um íntron. 30. Qual das seguintes não é possível?
a. Uma mutação não sinônima em um íntron. b. Uma mutação não sinônima em um éxon. c. Uma mutação indel em um íntron. d. Uma mutação indel em um éxon.
31. Qual(is) da(s) seguintes está/estão associada(s) à mutação espontânea?
a. Uma ocorrência de câncer de pulmão em virtude de tabagismo. b. Uma mutação sem sentido em um éxon, causada por um erro na replicação do DNA.
c. Uma mutação indel em um íntron, causada pelo deslize da replicação. d. Uma mutação sem sentido em um éxon, causada por um erro na replicação do DNA e uma mutação indel em um íntron, causada pelo deslize da replicação.
32. Qual das declarações a seguir descreve melhor a via de reparo de
malpareamento?
a. É parte da função de revisão 3′ para 5′ da DNA polimerase. b. Atua após a replicação do DNA ao reconhecer pares de bases malpareadas.
c. É ativada por forquilhas de replicação paradas. d. Está acoplada à transcrição.
PROBLEMAS DESAFIADORES
33.
a. Por que é impossível induzir mutações sem sentido (representadas no nível do mRNA pelas trincas UAG, UAA e UGA) por meio do tratamento de linhagens do tipo selvagem com mutágenos que causam apenas transições A · G → T · C no DNA?
b. A hidroxilamina (HA) causa apenas transições G · C → A · T no DNA. A HA produzirá mutações sem sentido em linhagens do tipo selvagem?
c. O tratamento com HA reverterá as mutações sem sentido?
Várias mutações de ponto auxotróficas em Neurospora são tratadas com
34.
diversos agentes para verificar se ocorrerá a reversão. Foram obtidos os resultados a seguir (um sinal de mais indica reversão; HA causa apenas transições G · C → A · T).
Mutante 5-BU HA Proflavina Reversão
espontânea
1 — — — —
2 — — + +
3 + — — +
4 — — — +
5 + + — +
a. Em relação a cada um dos cinco mutantes, descreva a natureza do evento de mutação original (não a reversão) no nível molecular. Seja tão específico quanto possível.
b. Em relação a cada um dos cinco mutantes, denomine um possível mutágeno que possa ter causado o evento de mutação original. (Mutação espontânea não é uma resposta aceitável.)
c. No experimento de reversão em relação ao mutante 5, é obtido um derivativo prototrófico particularmente interessante. Quando esse tipo é cruzado com uma linhagem do tipo selvagem padrão, a progênie é composta por 90% de prototróficos e 10% auxotróficos. Forneça uma explicação completa para esses resultados, incluindo um motivo preciso para as frequências observadas.
35. Você está utilizando a nitrosoguanidina para “reverter” alelos mutantes
nic-2 (que necessitam de nicotinamida) em Neurospora.
Você trata as células, plaqueia-as em um meio sem nicotinamida e procura por colônias prototróficas. Você obtém os resultados a seguir em
relação a dois alelos mutantes. Explique esses resultados no nível molecular e indique como você testaria as suas hipóteses. a. Com o alelo 1 de nic-2, você não obtém prototróficos. b. Com o alelo 2 de nic-2, você obtém três colônias prototróficas A, B e C, e cruza cada uma separadamente com uma linhagem do tipo selvagem. A partir do cruzamento prototrófico A × tipo selvagem, você obtém uma progênie de 100, todos prototróficos. A partir do cruzamento prototrófico B × tipo selvagem, você obtém uma progênie de 100, da qual 78 são prototróficos e 22 necessitam de nicotinamida. A partir do cruzamento prototrófico C × tipo selvagem, você obtém uma progênie de 1.000, da qual 996 são prototróficos e 4 necessitam de nicotinamida.
36. Você está trabalhando com um mutágeno recentemente descoberto e
deseja determinar a alteração de base que ele introduz no DNA. Até agora, você determinou que o mutágeno altera quimicamente uma única base de tal modo que as suas propriedades de pareamento de base são alteradas permanentemente. Para determinar a especificidade da alteração, você examina as alterações dos aminoácidos que ocorrem após a mutagênese. Um exemplo do que você encontra está demonstrado aqui:
Original: Gln-His-Ile-Glu-Lis
Mutante: Gln-His-Met-Glu-Lis
Original: Ala-Val-Asn-Arg
Mutante: Ala-Val-Ser-Arg
Original: Arg-Ser-Leu
Mutante: Arg-Ser-Leu-Trp-Lis-Tre-Fen
Qual é a especificidade da alteração de base do mutágeno?
37. Agora você encontra um mutante adicional a partir do experimento no
Problema 31:
Original: Ile-Leu-His-Gln
Mutante: Ile-Pro-His-Gln
A especificidade da alteração de base na sua resposta ao Problema 31 poderia ser responsável por essa mutação? Por que sim ou por que não?
38. Você é um perito em mecanismos de reparo do DNA. Você recebe uma
amostra de uma linhagem celular humana derivada de uma mulher que apresenta sintomas de xeroderma pigmentoso. Você determina que ela apresenta uma mutação em um gene que não foi associada anteriormente ao XP. Como isso é possível?
39. O ozônio (O3) é um componente de ocorrência natural importante na
nossa atmosfera, na qual ele forma uma camada que absorve a radiação UV. Foi descoberto um buraco na camada de ozônio na década de 1970 sobre a Antártica e a Austrália. O buraco aparece sazonalmente e observou-se que ocorre em virtude da atividade humana. Especificamente, o ozônio é destruído por uma classe de substâncias químicas (denominadas CFC, em referência a clorofluorocarbonos), que são observadas em refrigerantes, sistemas de ar-condicionado e aerossóis.
Como um cientista que trabalha com mecanismos de reparo do DNA, você descobre que tem ocorrido um aumento significativo no câncer de pele nas comunidades praianas na Austrália. Um amigo repórter jornalístico oferece deixar que você publique um breve comentário (um parágrafo), no qual você deve descrever a possível conexão entre o buraco de ozônio e o aumento dos cânceres de pele. Com base no que você aprendeu a respeito do reparo do DNA neste capítulo, escreva um parágrafo que explique essa conexão.
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