Introdução à Genética
2.6 Análise de heredogramas humanos
CONCEITO-CHAVE A herança ligada ao sexo demonstra regularmente diferentes proporções
fenotípicas nos dois sexos da progênie, bem como diferentes proporções em cruzamentos
recíprocos.
Historicamente, nas décadas iniciais do século 20, a demonstração por
Morgan da herança ligada ao X dos olhos brancos na Drosophila foi uma peça-chave da evidência que sugeriu que os genes estão, de fato, localizados em cromossomos, tendo em vista que um padrão de herança foi correlacionado com um par específico de cromossomos. A ideia se tornou conhecida como a “teoria cromossômica da herança”. Naquele período na história, havia sido recentemente demonstrado que, em muitos organismos, o sexo é determinado por um cromossomo X e um Y e que, em machos, esses cromossomos segregam igualmente na meiose para regenerar quantidades iguais de machos e fêmeas na próxima geração. Morgan reconheceu que a herança dos alelos do gene da cor dos olhos é exatamente paralela à herança dos cromossomos X na meiose; portanto, provavelmente o gene estava no cromossomo X. A herança dos olhos brancos foi estendida às linhagens de Drosophila que apresentavam números anormais de cromossomos sexuais. Com a utilização dessa nova situação, ainda foi possível prever os padrões de herança de genes a partir da segregação dos cromossomos anormais. Essas previsões terem comprovado estar corretas foi um teste convincente da teoria cromossômica.
Outras análises genéticas revelaram que, em galinhas e mariposas, a herança
ligada ao sexo poderia ser explicada apenas se a fêmea fosse o sexo heterogamético. Nesses organismos, os cromossomos sexuais femininos foram designados ZW e os masculinos foram designados ZZ.
2.6 Análise de heredogramas humanos Os cruzamentos humanos, assim como aqueles dos organismos experimentais, fornecem muitos exemplos de herança monogênica. Entretanto, cruzamentos experimentais controlados não podem ser realizados em seres humanos e, assim, os geneticistas precisam recorrer ao exame de registros médicos na esperança de que tenham ocorrido cruzamentos informativos (tais como cruzamentos de mono-híbridos) que possam ser utilizados para inferir a herança monogênica. Um referido exame dos registros de cruzamentos é denominado análise de heredogramas. Um membro de uma família que primeiramente chama a atenção de um geneticista é denominado probando (ou propósito). Normalmente, o fenótipo do probando é de algum modo excepcional. Por exemplo, o probando pode apresentar algum tipo de distúrbio clínico. O investigador em seguida traça o histórico do fenótipo por meio do histórico da família e desenha uma árvore genealógica, ou heredograma, com a
utilização dos símbolos-padrão fornecidos na Figura 2.18.
Para verificar a herança monogênica, os padrões no heredograma têm de ser
interpretados de acordo com a lei de Mendel sobre a segregação igual, mas os seres humanos normalmente têm poucos filhos e, assim, em virtude desse pequeno tamanho da progênie, as proporções esperadas de 3:1 e 1:1 normalmente não são observadas, exceto se muitos heredogramas semelhantes forem combinados. A abordagem para a análise de heredogramas também depende de um dos fenótipos contrastantes ser um distúrbio raro, ou ambos os fenótipos de um par serem comuns (caso em que se diz que são “morfos” de um polimorfismo). A maior parte dos heredogramas é desenhada por motivos clínicos e, portanto, dizem respeito a doenças que são, quase por definição, raras. Nesse caso, temos dois fenótipos: a presença e a ausência do distúrbio. Quatro padrões de herança monogênica são revelados nos heredogramas. Primeiramente, observemos os distúrbios recessivos causados por alelos recessivos de genes autossômicos únicos.