Introdução à Genética
Cromossomos sexuais
A maior parte dos animais e muitas plantas demonstram dimorfismo sexual; em outras palavras, os indivíduos são do sexo masculino ou feminino. Na maioria desses casos, o sexo é determinado por um par especial de cromossomos sexuais. Observemos os seres humanos como um exemplo. As células do corpo humano apresentam 46 cromossomos: 22 pares homólogos de autossomos, mais 2 cromossomos sexuais. As mulheres apresentam um par de cromossomos sexuais idênticos denominados cromossomos X. Os homens apresentam um par não idêntico, composto por um X e um Y. O cromossomo Y é consideravelmente mais curto que o X. Portanto, se deixarmos A representar os cromossomos autossômicos, podemos escrever:
Mulheres = 44A + XX
Homens = 44A + XY
Na meiose em indivíduos do sexo feminino, os dois cromossomos X pareiam e segregam como os autossomos e, assim, cada ovócito recebe um cromossomo X. Portanto, em relação aos cromossomos sexuais, os gametas são de apenas um tipo e diz-se que o indivíduo do sexo feminino é o sexo homogamético. Na meiose em indivíduos do sexo masculino, os cromossomos X e Y pareiam ao longo de uma região curta, que assegura que X e Y se separem, de modo que existem dois tipos de espermatozoides, metade com um X e a outra metade com um Y. Portanto, o indivíduo do sexo masculino é denominado sexo heterogamético.
Os padrões de herança de genes nos cromossomos sexuais são diferentes
daqueles dos genes autossômicos. Os padrões de herança dos cromossomos sexuais foram investigados pela primeira vez no início da década de 1900 no laboratório do grande geneticista Thomas Hunt Morgan, com a utilização da mosca-das-frutas Drosophila melanogaster (ver Organismo-modelo, adiante). Esse inseto tem sido um dos organismos de pesquisa mais importantes em genética; seu ciclo de vida curto e simples contribui para a sua utilidade nesse sentido. As moscas-das-frutas apresentam três pares de autossomos, mais um par de cromossomos sexuais, novamente denominados X e Y. Assim como em mamíferos, as fêmeas da Drosophila apresentam a constituição XX e os machos são XY. Entretanto, o mecanismo de determinação sexual na Drosophila difere daquele em mamíferos. Na Drosophila, o número de cromossomos X em relação aos autossomos determina o sexo: dois X resultam em uma fêmea e um X resulta em um macho. Em mamíferos, a presença do cromossomo Y determina a masculinidade e a ausência de um Y determina a feminilidade. Entretanto, é importante observar que, apesar dessa base um pouco diferente para a determinação sexual, os padrões de herança monogênica dos genes nos cromossomos sexuais são extraordinariamente semelhantes na Drosophila e em mamíferos.