Um Curso de Cálculo, Volume 1

Hamilton Luiz Guidorizzi · Capítulo 102 de 111

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Um Curso de Cálculo, Volume 1

Apêndice E Demonstração do Teorema da Seção 13.4

Seja a equação

 

em que g e h' são supostas contínuas nos intervalos abertos I e I , 1 2

respectivamente. Consideremos os números reais t e x , com t ∈ I e 0 0 0 1 x ∈ I . 0 2

Tomemos r > 0 e r > 0 tais que 1 2

[t − r , t + r ] ⊂ I e [x − r , x + r ] ⊂ I . 0 1 0 1 1 0 2 0 2 2

Da continuidade de g e h', segue que existem α > 0 e β > 0 tais que

 

e

Observamos, ainda, que, quaisquer que sejam u e v em [x − r , x + 0 2 0

 

r ], 2

 

De fato, pelo TVM existe entre u e v tal que

 

e tendo em vista ② segue ③.

Suponhamos, agora, que x = x (t), t ∈ I, em que I é um intervalo aberto

contido em I , seja solução do problema 1

 

Então, para todo t em I,

x'(t) = g (t) h (x (t))

e, portanto, para todo t em I

 

ou seja,

Sendo x = x (t), t ∈ I, solução de ④ , tal função será contínua; logo,

existe r > 0 (com [t − r, t + r] ⊂ I) tal que 0 0

 

Podemos escolher r de modo que

 

Lema 1. Se x = x (t), t ∈ I, for solução de ④ e se h (x ) = 0, então 0

x (t) = x em [t − r, t + r]. 0 0 0

 

Demonstração

 

De ⑤ e da hipótese segue

 

Segue de ③ e de ⑥ que, para todo s em [t − r, t + r], 0 0

 

Então, para todo t em [t − r, t + r] 0 0

Sendo M o máximo de | x(t) − x | em [t − r, t + r], resulta 0 0 0

 

ou

 

e, assim, para todo t em [t − r, t + r] 0 0

 

e, portanto,

M ≤ αβMr (por quê?).

Se tivéssemos M > 0 (observe que M ≥ 0), teríamos 1 ≤ αβ r ou r ≥

que contradiz ⑦; segue então que M = 0. Logo

x(t) = x em [t − r, t + r]. 0 0 0

■

 

Lema 2. Se x = x (t), t ∈ I, for solução de ④ e se h (x ) = 0, então 0

x (t) = x em I. 0

 

Demonstração

Pelo lema 1, existe r > 0 tal que

x (t) = x em [t − r, t + r]. 0 0 0

Seja B = {b ∈ I | x(t) = x em [t − r, b[}. Se B não for limitado 0 0

superiormente, teremos x (t) = x em [t − r, +∞[ e +∞ será, então, a 0 0 extremidade superior de I. Se B for limitado superiormente, admitirá supremo e, assim,

 

Se pertencer a I, pela continuidade de x = x (t), resultará x( ) = x ; 0

seguirá, então, pelo lema 1 que existirá > 0 tal que

 

contradição. Assim é a extremidade superior de I. Deixamos a seu cargo concluir que

x (t) = x em I. 0

■

 

Teorema. Seja a equação

 

em que g e h são de nidas em intervalos abertos I e I , respectivamente, com g contínua 1 2

em I e h' contínua em I . Nestas condições, se x = x (t), t ∈ I, for solução não constante da 1 2

equação, então, para todo t em I,

h (x(t)) ≠ 0.

 

Demonstração

 

Se, para algum t em I tivéssemos h (x (t )) = 0, pelo lema 2, teríamos, 0 0

para todo t em I,

x (t) = x (t ). 0

■

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