Um Curso de Cálculo, Volume 1
3.3 Definição de Limite
24. 3 Seja f ( x ) = x + x. Prove que
b) f é contínua em 2
25. Prove que é contínua em 1.
26. Prove que é contínua em todo p > 0.
27. 3 Sejam f ( x ) = x e p ≠ 0.
b) Conclua de (a) que f é contínua em p
3.3 Definição de Limite
Sejam f uma função e p um ponto do domínio de f ou extremidade de um dos intervalos que compõem o domínio de f (veja o final da Seção 3.1). Consideremos as situações a seguir:
Na situação (a), f não está definida em p, mas existe L que satisfaz a propriedade:
①
para todo ε > 0 dado, existe δ > 0 tal que, para todo x ∊ D f ,
p – δ < x < p + δ, x ≠ p ⇒ L – ε < f(x) < L + ε.
Na situação (b), f está definida em p, mas não é contínua em p, entretanto
existe L satisfazendo ①; observe que neste caso a restrição x ≠ p é essencial. Na situação (c), f é contínua em p, assim L = f(p) satisfaz ① . Finalmente, na situação (d), não existe L satisfazendo ① em p.
A propriedade ① é equivalente a
para todo ε > 0 dado, existe δ > 0 tal que, para todo x ∊ D , f
Observe que 0 < | x – p | < δ ⇔ p – δ < x < p + δ, x ≠ p.
Vamos provar a seguir que existe no máximo um número L satisfazendo a
propriedade anterior. De fato, suponhamos que L e L satisfaçam, em p, a 1 2 propriedade acima; então, para todo ε > 0 dado, existem δ > 0 e δ > 0 tais 1 2 que
e
tomando-se δ = mín {δ , δ } 1 2
Das hipóteses sobre p e sobre o domínio de f, segue que existe x ∊ D 0 f
com 0 < | x – p | < δ; temos: 0
Assim, para todo ε > 0,
Logo, L = L . 1 2
De acordo com a definição que daremos a seguir, o único número L (caso
exista) satisfazendo ① é o limite de f(x), para x tendendo a p:
De nição. Sejam f uma função e p um ponto do domínio de f ou extremidade de um dos intervalos
que compõem o domínio de f. Dizemos que f tem limite L, em p, se, para todo ε > 0 dado, existir um
δ > 0 tal que, para todo x ∊ D , f
Tal número L, que quando existe é único, será indicado por
Assim,
Observações.
1. Suponhamos f definida em p. Comparando as definições de limite e
continuidade, resulta
2. O limite de f em p não depende do valor (caso f esteja definida em p) que f
assume em p, mas sim dos valores que f assume nos pontos próximos de p. Quando estivermos interessados no limite de f em p, basta olharmos para os valores que f assume em um “pequeno” intervalo aberto contendo p; o conceito de limite é um conceito local.
3. Sejam f e g duas funções. Se existir r > 0 tal que f(x) = g(x) para p – r < x <
p + r, x ≠ p, e se existir, então também existirá e
Exemplo 1
Calcule (k constante).
Solução
O que queremos aqui é no qual f é a função constante f(x) = k.
Como f é contínua em todo p real
isto é,
(O limite de uma constante é a própria constante.)
Exemplo 2
Calcule
Solução
f(x) = 3x – 2 é uma função afim, logo, contínua em todo p real, em
particular em p = 2; assim
Exemplo 3
Calcule
Solução
para x ≠ 1; g(x) = x + 1 é contínua em 1, logo
Como
segue da observação 3, que
(2 é o valor que deveria ter em 1 para ser contínua neste
ponto.)
Exemplo 4
Calcule em que
Solução
Para x ≠ 1, assim
(Observe que f(1) = 3.) Pelo fato de segue que f não é
contínua em 1.
Exemplo 5
As funções dadas por (n ≥ 1 natural) são
contínuas. (Verifique.) Assim
para todo p real,
e
para todo p no domínio
Por enquanto, vamos admitir tais propriedades e usá-las.
Exemplo 6
Calcule
Solução
Assim,
Exemplo 7
Calcule
Solução
Como a propriedade (d) não se aplica.
e
segue-se que
Deixamos a seu cargo verificar, por indução finita, que se
então
para todo natural n ≥ 2.
Exemplo 8
Calcule
Solução
Como pela
propriedade (d),
Exemplo 9
Calcule
Solução
logo a propriedade (d) não se aplica. Como –1 é
raiz de 3 2 x + 1 e de x + 4x + 3, estes polinômios são divisíveis por x +
1:
x 3 2 2 + 1 = ( x + 1)( x – x + 1) e x + 4x + 3 = (x + 1)(x + 3).
Assim
Exemplo 10
Calcule
Solução
Assim
Segue
O próximo exemplo mostra-nos que soma, produto e quociente de funções
contínuas são contínuas.
Exemplo 11
Sejam f, g contínuas em p e k uma constante. Então f + g, kf e f · g são
contínuas em p; também será contínua em p, desde que g(p) ≠ 0.
Solução
Como f e g são contínuas em p, Segue
das propriedades (a), (b) e (c) dos limites que
e
logo, f + g, kf e f · g são contínuas em p.
Sendo g(p) ≠ 0
logo é também contínua em p.
Deixamos a seu cargo verificar que se f , f , …, f (n ≥ 2 natural) forem 1 2 n
contínuas em p, então f + f + … + f e f · f · f · …, f também o 1 2 n 1 2 3 n serão.
Exemplo 12
Toda função polinomial é contínua.
Solução
Sendo f uma função polinomial, existem n ∊ N e números reais a , a , 0 1
…, a tais que n
f n n – 1 ( x ) = a x + a x + … + a x + a ;
0 1 n – 1 n
assim f é soma de funções contínuas, logo f é contínua.
Exemplo 13
f dada por é contínua, pois se trata de
uma função polinomial. (Lembre-se: dizer que f é uma função contínua
equivale a dizer que f é contínua em todos os pontos de seu domínio.)
Exemplo 14
Toda função racional é contínua.
Solução
Sendo f uma função racional, em que g e h são funções
polinomiais. Assim, f é contínua em todo p que não anula o
denominador, isto é, f é contínua.
Exemplo 15
é contínua em todo
Solução
f é uma função racional, assim f é contínua em todo p de seu domínio,
isto é, f é contínua em todo
Exemplo 16
Prove que
Solução
Exemplo 17
Prove que
Solução
Suponhamos assim dado ε > 0 existe δ > 0 tal que
daí
ou seja,
Assim
Verifique você a recíproca.
Exemplo 18
(Conservação do sinal.) Suponha que com L > 0. Prove
que existe δ > 0 tal que, ∀x ∊ D , f
p – δ < x < p + δ, x ≠ p ⇒ f(x) > 0.
Solução
Sendo para todo ε > 0 dado existe δ > 0 tal que, ∀x ∊ D , f
p – δ < x < p + δ, x ≠ p ⇒ L – ε < f(x) < L + ε.
Para ε = L, existe δ > 0 tal que, ∀x ∊ D , f
p – δ < x < p + δ, x ≠ p ⇒ L – L < f(x) < L + L,
ou seja,
p – δ < x < p + δ, x ≠ p ⇒ f(x) > 0.
Exercícios 3.3
1. Calcule e justifique.
2. Determine L para que a função dada seja contínua no ponto dado.
Justifique.
a 2 ) f ( x ) = x
b 2 ) f ( x ) = 2 x + x
c) f(x) = 5
d 3 ) f ( x ) = – x + 2 x
f) f(x) = 3x + 1
5. Calcule.
6. Prove que existe δ > 0 tal que
7. Prove que existe δ > 0 tal que 8. Sejam f e g definidas em R com g(x) ≠ 0 para todo x. Suponha que
Prove que existe δ > 0 tal que
9. Suponha que Prove que existem r > 0, α e β tais que, para
todo x ∊ D , f
Interprete graficamente.
10. Suponha que Prove que existem r > 0 e M > 0 tais que, para
todo x ∊ D , f
14. Suponha que existe r > 0 tal que f(x) ≥ 0 para 0 < | x – p | < r e que
Prove que L ≥ 0.
(Sugestão: Suponha L < 0 e use a conservação do sinal.)