Um Curso de Cálculo, Volume 1
7.2 Derivada de uma Função
Esses exemplos são suficientes para levar-nos a estudar de modo puramente
abstrato as propriedades do limite
7.2 Derivada de uma Função
Definição. Sejam f uma função e p um ponto de seu domínio. O limite
quando existe e é nito, denomina-se derivada de f em p e indica-se por f′(p) (leia: f linha de p).
Assim
Se f admite derivada em p, então diremos que f é derivável ou diferenciável em p.
Dizemos que f é derivável ou diferenciável em A ⊂ D se f for derivável f
em cada p ∊ A. Diremos, simplesmente, que f é uma função derivável ou diferenciável se f for derivável em cada ponto de seu domínio.
Observação. Segue das propriedades dos limites que
Assim
Conforme vimos na introdução, a reta de equação
é, por de nição, a reta tangente ao grá co de f no ponto (p, f(p)). Assim, a derivada de f, em p, é o
coe ciente angular da reta tangente ao grá co de f no ponto de abscissa p.
Exemplo 1
Seja 2 f ( x ) = x . Calcule.
a) f′(1)
b) f′(x)
c) f′(–3).
Solução
Assim
f′(1) = 2.
(A derivada de 2 f ( x ) = x , em p = 1, é igual a 2.)
Como
segue que
Portanto,
f 2 ( x ) = x ⇒ f′(x) = 2x.
Observe que f′(x) = 2x é uma fórmula que nos fornece a derivada de
f 2 ( x ) = x , em todo x real.
c) Segue de (b) que
f′(–3) = 2(–3) = –6.
Exemplo 2
Seja 2 f ( x ) = x . Determine a equação da reta tangente ao gráfico de f no
ponto
a) (1, f(1)).
b) (–1, f(–1)).
Solução
a) A equação da reta tangente em (1, f(1)) é
substituindo em ① vem
y – 1 = 2(x – 1) ou y = 2x – 1.
Assim 2 y = 2 x – 1 é a equação da reta tangente ao gráfico de f ( x ) = x ,
no ponto (1, f(1)).
b) A equação da reta tangente em (–1, f(–1)) é
y – f(–1) = f′(–1)(x – (–1))
ou
y – f(–1) = f′(–1) (x + 1)
substituindo estes valores na equação vem
y – 1 = –2(x + 1) ou y = –2x – 1
que é a equação da reta tangente pedida.
Exemplo 3
Seja f(x) = k uma função constante. Mostre que f′(x) = 0 para todo x. (A
derivada de uma constante é zero.)
Solução
Como f(x) = k para todo x, resulta f(x + h) = k para todo x e todo h, assim
Exemplo 4
Seja f(x) = x. Prove que f′(x) = 1, para todo x.
Solução
Assim:
f(x) = x ⇒ f′(x) = 1.
Exemplo 5
Seja Calcule f′(2).
Solução
Assim:
isto é,
Exemplo 6
Seja
Calcule, caso exista, f′(0).
Solução
Logo, f′(0) existe e f′(0) = 0.
Exemplo 7
Mostre que f(x) = | x | não é derivável em p = 0.
Solução
logo, não existe, ou seja, f não é derivável em 0. Como
f′(0) não existe, o gráfico de f(x) = | x | não admite reta tangente em (0,
f(0)).
Sejam f uma função e (p, f(p)) um ponto de seu gráfico. Seja s a x
reta que passa pelos pontos (p, f(p)) e (x, f(x)). Se f′(p) existir, então o
gráfico de f admitirá reta tangente T em (p, f(p)); neste caso, à medida
que x se aproxima de p, quer pela direita, quer pela esquerda (só pela
direita, se f não estiver definida à esquerda de p; só pela esquerda, se f
não estiver definida à direita de p), a reta s tenderá para a posição da x
reta T.
Por outro lado, se, à medida que x tender a p pela direita, s se x
aproximar da posição de uma reta T e se à medida que x se aproximar 1
de p pela esquerda, s se aproximar da posição de outra reta T , T ≠ x 2 2
T , então o gráfico de f não admitirá reta tangente em (p, f(p)), ou seja, f′ 1
(p) não existirá.
O próximo exemplo destaca uma propriedade importante da reta
tangente.
Exemplo 8
Suponha f derivável em p e seja ρ (x), x ∊ D e x ≠ p, dada por f
f(x) = f(p) + f′(p)(x – p) + ρ (x)(x – p).
Mostre que
Solução
De segue
Observação. Se de nirmos ρ (p) = 0, a igualdade que aparece no Exemplo 8 será válida em x = p e a função ρ (x) tornar-se-á contínua em p.
Façamos no exemplo anterior E(x) = ρ (x)(x – p). Então, E (x) será o
erro que se comete na aproximação de f pela reta tangente em (p, f(p)).
Quando x tende a p, evidentemente E(x) tende a zero. O Exemplo 8
nos diz mais: nos diz que quando x tende a p o erro E(x) tende a zero
mais rapidamente que x – p, isto é,
Fica para o leitor verificar que, entre todas as retas que passam por (p, f(p)),
a reta tangente em (p, f(p)) é a única que aproxima f(x) de modo que o erro tenda a zero mais rapidamente que x – p. (Sugestão: Suponha que E(x) seja o erro que se comete na aproximação de f pela reta passando por (p, f(p)), com coeficiente angular m ≠ f′(p), e calcule o limite acima.)
Exercícios 7.2
1. 2 Seja f ( x ) = x + 1. Calcule
a) f′(1)
b) f′(0)
c) f′(x)
2. Seja f(x) = 2x. Pensando geometricamente, qual o valor que você espera
para f′(p)? Calcule f′(p).
3. Seja f(x) = 3x + 2. Calcule
a) f′(2)
b) f′(0)
c) f′(x)
4. Calcule f′(p), pela definição, sendo dados
5. Determine a equação da reta tangente em (p, f(p)) sendo dados
6. Calcule f′(x), pela definição.
7. Dê exemplo (por meio de um gráfico) de uma função f, definida e
derivável em ℝ, tal que f′(1) = 0.
8. Dê exemplo (por meio de um gráfico) de uma função f, definida e
derivável em ℝ, tal que f′(x) > 0 para todo x.
9. Dê exemplo (por meio de um gráfico) de uma função f, definida e
derivável em ℝ, tal que f′(0) < f′(1).
10. Dê exemplo (por meio de um gráfico) de uma função f, definida e contínua
em ℝ, tal que f′(1) não exista.
11. Dê exemplo (por meio de um gráfico) de uma função f, definida e
derivável em ℝ, tal que f′(x) > 0 para x < 1 e f′(x) < 0 para x > 1.
12. Dê exemplo (por meio de um gráfico) de uma função f, definida e
derivável em ℝ, tal que f′(x) > 0 para x < 0, f′(x) < 0 para 0 < x < 2 e f′(x) > 0 para x > 2.
13. Dê exemplo (por meio de um gráfico) de uma função f, definida e
derivável em ℝ, tal que f′(0) = 0 e f′(1) = 0.
14. Mostre que a função
não é derivável em p = 1. Esboce o gráfico de g.
15. Seja
a) Mostre que g é derivável em p = 1 e calcule g′(1).
b) Esboce o gráfico de g.
16. Seja
a) Esboce o gráfico de f.
b) f é derivável em p = 0? Em caso afirmativo, calcule f′(0).
17. Seja
a) Esboce o gráfico de g.
b) g é derivável em p = 1? Por quê?
18. Construa uma função f: ℝ → ℝ que seja contínua em ℝ e que seja
derivável em todos os pontos, exceto em –1, 0 e 1.