Um Curso de Cálculo, Volume 1
13.7 Área em Coordenadas Polares
b)
c) x = 1 − cos t e y = t − sen t, 0 ≤ t ≤ π
d)
e t t ) x = e cos t e y = e sen t, 0 ≤ t ≤ π.
2. Uma partícula desloca no plano com equações paramétricas x = x (t) e y =
y (t). Sabe-se que, para todo t,
. Sabe-
se, ainda, que no instante t = 0 a partícula encontra-se na posição (0, 0). Determine a distância percorrida pela partícula entre os instantes t = 0 e t = T, em que T é o instante em que a partícula volta a tocar o eixo x. Como é a trajetória descrita pela partícula?
13.7 Área em Coordenadas Polares
Fixado no plano um semieixo Ox (tal semieixo denomina-se eixo polar, e o ponto O, polo),
cada ponto P do plano fica determinado por suas coordenadas polares (θ, ρ), em que θ é a medida em radianos do ângulo entre o segmento OP e o eixo polar (tal ângulo sendo contado a partir do eixo polar e no sentido anti-horário) e ρ o comprimento de OP; assim ρ ≥ 0.
Se considerarmos no plano um sistema ortogonal de coordenadas
cartesianas (o habitual) em que a origem coincide com o polo e o semieixo Ox com o eixo polar e se (θ, ρ) forem as coordenadas polares de P, então as suas coordenadas cartesianas serão dadas por
Observe que se P não coincide com o polo
Até agora, destacamos ρ como um número positivo. Entretanto, para as
aplicações é importante que ρ possa assumir, também, valores negativos. Vejamos como interpretar (θ, ρ) no caso ρ < 0:
Se ρ < 0, (θ, ρ) é o simétrico, em relação ao polo, do ponto (θ, −ρ).
Para podermos trabalhar com ρ < 0, será melhor olharmos para o eixo polar
como uma reta com um sistema de abscissas: sobre tal reta marcam-se dois pontos, um o polo 0 representando o zero e outro representando o 1. O sentido positivo será o de 0 para 1 e a unidade de comprimento será o segmento de extremidades 0 e 1. Para representar no plano um ponto de coordenadas polares (θ, ρ) proceda da seguinte forma: primeiro gire o eixo polar, no sentido anti-horário, de um ângulo θ; em seguida, sobre este novo eixo, marque o ponto que tenha abscissa ρ.
Exemplo 1
Represente no plano o ponto (θ, ρ) em que
a) θ = 0 e ρ = 1
b) θ = 0 e ρ = −1
c)
d)
Solução
Exemplo 2
Um ponto P desloca-se no plano de modo que a relação entre suas
coordenadas polares é dada por ρ = θ, 0 ≤ θ ≤ 2π. Desenhe o lugar
geométrico descrito por P.
Sempre que formos esboçar o gráfico de uma curva dada em
coordenadas polares, é bom antes fazer um esboço da curva supondo θ e
ρ coordenadas cartesianas e olhar, por meio deste gráfico, a variação de ρ
em função de θ.
Exemplo 3
Desenhe a curva cuja equação, em coordenadas polares, é ρ = sen θ, 0 ≤
θ ≤ π.
Observe que para ρ ≠ 0
ρ 2 2 2 = sen θ ⇔ ρ = ρ sen θ ⇔ x + y = y.
x 2 2 + y − y = 0 é a equação de uma circunferência de centro e
raio . Deste modo, ρ = sen θ, 0 ≤ θ ≤ π, é, em coordenadas polares, a
equação de tal circunferência.
Exemplo 4
Desenhe o lugar geométrico da equação (em coordenadas polares) ρ = 1
− cos θ.
Esta curva denomina-se cardioide.
Exemplo 5
Desenhe a curva cuja equação, em coordenadas polares, é ρ = cos 2θ.
Veja como fica o trecho da curva anterior para θ variando de 0 a .
Quando θ varia de a e de a , ρ permanece negativo.
Exemplo 6
Desenhe o lugar geométrico descrito por um ponto P que se desloca no
plano, sabendo que a relação entre suas coordenadas polares
.
Solução
Vejamos, primeiro, o que acontece para θ variando de 0 a . Quando
, ρ → +∞. A projeção de P sobre o eixo polar tem abscissa
x = ρ cos θ = tg θ cos θ = sen θ.
Assim, quando , a projeção de P sobre o eixo polar tende para o
ponto de abscissa 1. O trecho da curva correspondente a θ em
é simétrico, em relação ao eixo polar, ao trecho correspondente a θ em
.
Nosso objetivo, a seguir, é estabelecer uma fórmula para o cálculo de área
de região limitada por curvas dadas em coordenadas polares.
Inicialmente, observamos que a área de um setor circular de raio R e
abertura Δθ é . Esta área se determina por uma regra de três simples:
2π 2 rd — área π R
Δθ rd — ?
Consideremos, agora, a função ρ = ρ (θ) contínua e ≥ 0 em [θ , θ ]. i − 1 i
Seja A o conjunto de todos os pontos (θ, ρ), com θ ≤ θ ≤ θ e 0 ≤ ρ ≤ ρ i i − 1 i (θ).
Seja o maior valor de ρ em o menor
valor. A área do conjunto A está, então, compreendida entre as áreas dos i
setores circulares de abertura Δθ e raios e : i
Suponhamos, agora, ρ = ρ (θ) contínua e ≥ 0 em [α, β], com β − α ≤ 2π.
Seja A o conjunto de todos os pontos do plano de coordenadas polares (θ, ρ) satisfazendo as condições: α ≤ θ ≤ β e 0 ≤ ρ ≤ ρ (θ).
Seja P : α = θ < θ < … < θ < θ < … < θ = β uma partição de [α, 0 1 i − 1 i n
β]. Sejam e os valores mínimo e máximo de ρ em [θ , θ ]. i − 1 i Pelo que vimos anteriormente, a área da parte do conjunto A compreendida entre as retas θ = θ e θ = θ está compreendida entre as áreas dos setores i − 1 i
circulares de abertura Δθ e raios e . Uma definição razoável para i
a área de A deverá implicar, para partição P de [α, β],
Para máx Δθ → 0, as somas de Riemann acima tendem para a integral i
. Nada mais natural, então, do que definir a área de A por
Exemplo 7
Calcule a área da região limitada pelo cardioide ρ = 1 − cos θ.
Solução
Para cobrir todo o conjunto, θ deverá variar de 0 a 2π.
Temos
Assim, a área do conjunto é .
Exemplo 8
Calcule a área da interseção das regiões limitadas pelas curvas
(coordenadas polares) ρ = 3 cos θ e ρ = 1 + cos θ.
Solução
Primeiro devemos determinar as interseções das curvas.
3 cos θ = 1 + cos θ
ou seja,
Assim, θ = e θ = − resolvem o problema. Seja A o conjunto de 1
todos (θ, ρ) com 0 ≤ θ ≤ e 0 ≤ ρ ≤ 1 + cos θ e seja A o conjunto de 2
todos (θ, ρ) com ≤ θ ≤ e 0 ≤ ρ ≤ 3 cos θ. Temos, então:
área pedida = 2 (área A + área A ). 1 2
Conclusão: área pedida = . Veja figuras a seguir.
Exemplo 9
Calcule a área da região limitada pela curva dada em coordenadas
polares por ρ = tg θ, 0 ≤ θ < , pela reta x = 1 (coordenadas cartesianas)
e pelo eixo polar.
Solução
Indiquemos por A (θ) a área da região sombreada. A área que queremos
é:
Temos
Vamos calcular . Temos
Assim
Portanto,
Observação. No triângulo OPM temos:
Assim, área Δ 2 OPM = sen θ tg θ.
Exercícios 13.7
1. Desenhe a curva dada (coordenadas polares).
a −θ ) ρ = e , θ ≥ 0
b) ρ = cos θ
c)
d) ρ = 2
e)
f)
g) ρ = cos 3θ
h)
i) ρ = 2 − cos θ
j) ρ = 1 − sen θ
l) ρ = cos 4θ
m)
n)
o 2 ) ρ = cos θ
2. Passe a curva dada para coordenadas polares e desenhe-a.
a 4 4 ) x − y = 2xy
b)
c)
d 2 2 2 2 2 ) ( x + y ) = x − y
3. Calcule a área da região limitada pela curva dada (coordenadas polares).
a) ρ = 2 − cos θ
b 2 ) ρ = cos θ (ρ ≥ 0)
c) ρ = cos 2θ
d) ρ = cos 3θ
4. Calcule a área da interseção das regiões limitadas pelas curvas dadas em
coordenadas polares.
a) ρ = 2 − cos θ e ρ = 1 + cos θ
b) ρ = sen θ e ρ = 1 − cos θ
c) ρ = 3 e ρ = 2 (1 − cos θ)
d 2 2 ) ρ = cos θ e ρ = sen θ (ρ ≥ 0)
e) ρ = cos θ e ρ = sen θ
f) ρ = 1 e ρ = 2 (1 − cos θ)
5. 2 Calcule a área do conjunto de todos os pontos ( θ , ρ ) tais que θ ≤ ρ ≤ θ
(coordenadas polares).
6. o Calcule a área da região situada no 1 quadrante, limitada acima pela
curva 4 4 2 x − y = 2 xy (coordenadas cartesianas) e abaixo por ρ = 2 sen 2θ (coordenadas polares), com ρ ≥ 0.
7. a) Escreva, em coordenadas polares, a equação da elipse
tomando como polo a origem e como eixo polar o semieixo Ox.
b) Escreva, em coordenadas polares, a equação da elipse
tomando como polo o foco F = (c, 0), c > 0, e como eixo polar a semirreta FA em que A = (a, 0), a > 0. (Faça e = e ρ = a − ec.)
8. Sejam F e F dois pontos distintos do plano e seja k a metade da 1 2
distância de F a F . O lugar geométrico dos pontos P do plano tais que 1 2
denomina-se lemniscata de focos F e F . 1 2
a) Tomando-se F = (−k, 0) e F = (k, 0), determine a equação, em 1 2
coordenadas cartesianas, da lemniscata.
b) Passe para coordenadas polares a equação obtida no item a) tomando
para polo a origem e x como eixo polar. Desenhe a curva. 13.8 Comprimento de Curva em Coordenadas Polares