Um Curso de Cálculo, Volume 1
14.5 Método Prático para Determinar as Soluções Não Constantes
Como h (x) ≠ 0 em J e pelo fato de h ser contínua, segue que
mantém o mesmo sinal em J, logo, H é estritamente crescente ou estritamente decrescente em J e, portanto, inversível. Sendo ℋ a função inversa de H em J, resulta de ⑤ que
x (t) = ℋ (G (t) + k), t ∈ I.
Por outro lado, deixamos a seu cargo verificar que toda função do tipo
x (t) = ℋ (G (t) + k)
é solução de ① , em que ℋ é a inversa de uma primitiva de num
intervalo em que h (x) ≠ 0, G (t) uma primitiva de g (t) num intervalo I ⊂ I e k uma constante. 1
14.5 Método Prático para Determinar as Soluções Não
Constantes
Seja a equação
com g e h nas condições do teorema da seção anterior. O quadro que apresentamos a seguir fornece-nos um roteiro prático para determinar as soluções não constantes de ①.
Exemplo 1
Resolva a equação
Solução
Inicialmente, vamos determinar as soluções constantes.
h 2 2 ( x ) = x ; x = 0 ⇔ x = 0.
Assim, x (t) = 0 é a única solução constante.
Vamos, agora, determinar as soluções não constantes.
Como g (t) = t e h′(x) = 2x são contínuas resulta
é a família das soluções da equação.
Exemplo 2
Com relação à equação do exemplo anterior, determine a solução que
satisfaça a condição inicial dada.
a) x (1) = 0
b) x (0) = 1
c) x (0) = −1
Solução
a) A solução constante x (t) = 0 satisfaz a condição inicial x (1) = 0.
b) x (t) = e x (0) = 1.
Assim,
Segue que
satisfaz a condição inicial dada. (Lembre-se: o domínio de uma
solução é sempre um intervalo; no caso em questão, tomamos
, pois o domínio deve conter t = 0.)
c) x (t) = e x (0) = −1.
Segue que
satisfaz a condição inicial dada.
Exemplo 3
Resolva .
Solução
x (t) = 0 é a única solução constante.
Determinemos, agora, as soluções não constantes.
daí
ou
Se x > 0, x = k e se x < 0, x = − k , segue que x = k , k 2 2
≠ 0 real qualquer. Para k = 0, temos a solução constante x (t) = 0.
Assim
é a família das soluções da equação.
Exemplo 4
Determine a função y = f(x) tal que f(1) = 1 e que goza da
propriedade: o coeficiente angular da reta tangente no ponto de
abscissa x é igual ao produto das coordenadas do ponto de tangência.
Solução
Para todo x no domínio de f devemos ter
f′(x) = x f(x).
Assim, a função procurada é solução da equação
Temos
Para , a condição y = 1 para x = 1 estará satisfeita.
Assim, a função procurada é
Exemplo 5
Determine o tempo necessário para se esvaziar um tanque cilíndrico
de raio 2 m e altura 5 m, cheio de água, admitindo que a água se
escoe através de um orifício, situado na base do tanque, de raio 0,1 m,
com uma velocidade υ = m/s, sendo h a altura da água no
tanque e 2 g = 10 m/s a aceleração gravitacional.
Solução
Seja h = h (t) a altura da água no instante t. O volume V = V (t) de
água no tanque no instante t será
V (t) = 4π h (t)
e assim
Por outro lado, supondo Δt suficientemente pequeno, o volume de
água que passa pelo orifício entre os instantes t e t + Δt é
aproximadamente igual ao volume de um cilindro de base π 2 r (r raio
do orifício) e altura υ(t)Δt (observe que a água que no instante t está
saindo pelo orifício, no instante t + Δt se encontrará,
aproximadamente, a uma distância υ(t)Δt do orifício, em que υ(t) é a
velocidade, no instante t, com que a água está deixando o tanque).
Então, na variação de tempo Δt, a variação ΔV no volume de água
será
Δ 2 V ≅ − υ ( t ) π r Δt.
É razoável, então, admitir que a diferencial de V = V (t) seja dada
por
dV 2 = − υ ( t ) π r dt
ou que
De ① e ② resulta
Sendo υ = e r = 0,1, resulta que a altura h = h (t) da água no
tanque é regida pela equação
Temos
De h (0) = 5, resulta k = 400. Assim
O tempo necessário para esvaziar o tanque será então de 400
segundos ou 6 min 40 s.
Exemplo 6
Uma partícula move-se sobre o eixo x com aceleração proporcional
ao quadrado da velocidade. Sabe-se que no instante t = 0 a velocidade
é de 2 m/s e, no instante t = 1, 1 m/s.
a) Determine υ = υ (t), t ≥ 0.
b) Determine a função de posição supondo x (0) = 0.
Solução
a) O movimento é regido pela equação
em que α é a constante de proporcionalidade.
ou
Para t = 0, υ = 2, assim
Para t = 1, υ = 1, assim
Portanto,
b)
Tomando-se k = 0, a condição inicial x (0) = 0 estará satisfeita.
Assim,
x (t) = 2 ln (1 + t).
Exercícios 14.5
1. Resolva
a)
b)
c)
d)
e)
f)
g)
h)
i)
j)
l)
m)
n)
o)
p)
q)
r)
s)
t)
u)
2. Determine y = y (x) que satisfaça as condições dadas.
a)
b)
c)
d)
3. Suponha que V = V (p), p > 0, satisfaça a equação (γ
constante). Admitindo que V = V , V > 0, para p = p , mostre que 1 1 1 V γ γ p = V p , para todo p > 0.
1 1
4. O coeficiente angular da reta tangente, no ponto de abscissa x, ao
gráfico de y = f(x), é proporcional ao cubo da ordenada do ponto de
tangência. Sabendo que f(0) = 1 e , determine f.
5. Um corpo de massa 10 kg é abandonado a uma certa altura. Sabe-se
que as únicas forças atuando sobre ele são o seu peso e uma força de resistência proporcional à velocidade. Admitindo-se que 1 segundo
após ter sido abandonado a sua velocidade é de 8 m/s, determine a velocidade no instante t (suponha a aceleração da gravidade igual a 10 m/s 2 ).
6. A reta tangente ao gráfico de y = f(x), no ponto (x, y), intercepta o eixo
y no ponto de ordenada xy. Determine f sabendo que f(1) = 1.
7. Determine a curva que passa por (1, 2) e cuja reta tangente em (x, y)
intercepta o eixo x no ponto de abscissa .
8. Um corpo de massa 70 kg cai do repouso e as únicas forças atuando
sobre ele são o seu peso e uma força de resistência proporcional ao quadrado da velocidade. Admitindo-se que 1 segundo após o início da queda a sua velocidade é de 8 m/s, determine a velocidade no instante t 2 . (Suponha a aceleração da gravidade igual a 10 m/s .)
9. Para todo a > 0, o gráfico de y = f(x) intercepta ortogonalmente a curva
x 2 2 + 2 y = a. Determine f sabendo que f(1) = 2.
10. Para todo a > 0, o gráfico de y = f(x) intercepta ortogonalmente a curva
xy = a, x > 0. Determine f supondo f(2) = 3.