Um Curso de Cálculo, Volume 1
F.4 Propriedades da Adição
x = (x − u) + u, com x − u ∈ r* e u ∈ s*;
logo, x ∈ r* + s*.
Provamos assim, que
x ∈ (r + s)* ⇒ x ∈ r* + s*
logo
(r + s)* ⊂ r* + s*.
F.4 Propriedades da Adição
Nosso objetivo, nesta seção, é provar que a adição satisfaz as propriedades (A1), (A2), (A3), (A4) e (0A).
Para provar (A4), vamos precisar do
Lema. Sejam α um número real, u < 0 um racional e M o conjunto das cotas superiores de α. α
Nestas condições, existem p ∈ α, q ∈ M α , q ≠ mín M α (caso mín M α exista), tais que p − q
= u.
Demonstração
Estamos interessados em determinar p ∈ α, q ∈ M , q ≠ mín M , com p α α
− q = u.
Para isto tomemos um racional s ∉ α, com s ≠ mín M , e, para cada n ∈ α
ℕ, consideremos o racional q = nu + s. n
Seja, agora, o máximo dos naturais n para os quais q ∈ M e q ≠ n α n
mín M . α
Dois casos podem ocorrer:
■
Teorema. A adição satisfaz as propriedades:
A1) Associativa: ∀α, β, γ ∈ ℝ, α + (β + γ) = (α + β) + γ.
A2) Comutativa: ∀α, β ∈ ℝ, α + β = β + α.
A3) Existência de elemento neutro: ∀α ∈ ℝ, α + 0* = α.
A4) Existência de oposto: Para todo α ∈ ℝ, existe β ∈ ℝ com α + β = 0*.
0A) Compatibilidade da adição com α ordem: ∀α, β, γ ∈ ℝ, α ≤ β ⇒ α + γ ≤ β + γ.
Demonstração
A1) e (A2) ficam a seu cargo.
A3) Precisamos provar que α + 0* ⊂ α e α ⊂ α + 0*.
Lembramos que 0* = {u ∈ ℚ| u < 0}. Temos:
x ∈ α + 0* ⇔ x = a + u para algum a ∈ α e algum u < 0, u ∈ ℚ.
u < 0 ⇒ a + u < a ⇒ x < a ⇒ x ∈ α
portanto,
x ∈ α + 0* ⇒ x ∈ α.
Logo, α + 0* ⊂ α.
Precisamos provar que, se x ∈ α, então é possível fabricar um a ∈ α e um
u < 0 tal que x = a + u.
Então,
x ∈ α ⇒ ∃a ∈ α, com x < a, pois a não tem máximo.
x < a ⇒ x − a < 0.
Assim,
x = a + (x − α), com a ∈ α e x − a < 0,
logo, x ∈ α + 0*. Portanto,
α ⊂ α + 0*.
A4) Seja α um número real; de acordo com o Exercício 2-F.1,
β = { p ∈ ℚ| ∈ M e −p ≠ mín M } é um número real. Vamos provar que α α
α + β = 0*.
x ∈ α + β ⇒ x = a + b para algum a ∈ α e algum b ∈ β.
b ∈ β ⇒ −b > a ⇒ a + b < 0.
Assim,
x ∈ α + β ⇒ x ∈ 0*, ou seja, α + β ⊂ 0*.
Precisamos provar que, se x ∈ 0*, então x = a + b para algum a ∈ α e
algum b ∈ β.
Como x < 0, segue, do lema anterior, que existem a ∈ α e −b ∈ M , com α
−b ≠ mín M , tais que x = a − (−b); assim x = a + b com a ∈ α e b ∈ β. α
Portanto, 0* ⊂ α + β.
Provamos, assim, que, dado um real α, existe um real β tal que α + β = 0*;
provaremos mais adiante que tal β é único e será, então, denominado oposto de α e indicado por −α.
(0A) Sejam α, β, γ ∈ ℝ, com α ≤ β; vamos provar que a + γ ≤ β + γ. Temos:
x ∈ α + γ ⇒ x = a + c para algum a ∈ α e algum c ∈ γ.
Da hipótese, segue que a ∈ α ⇒ a ∈ β. (Lembre-se: α ≤ β ⇔ α ⊂ β.) Assim x = a + c para algum a ∈ β e algum c ∈ γ. Logo, x ∈ β + γ. Provamos, assim, que
α ≤ β ⇒ α + γ ⊂ β + γ ⇒ α + γ ≤ β + γ.
■
Teorema (Unicidade do oposto).
Se α + β = 0* e α + γ = 0*, então β = γ.
Demonstração
β = 0* + β = (γ + α) + β = γ + (α + β) = γ + 0* = γ.
■
Teorema (Unicidade do elemento neutro).
Se α + γ = α para todo α ∈ ℝ, então γ = 0*.