Um Curso de Cálculo, Volume 1

Hamilton Luiz Guidorizzi · Capítulo 61 de 111

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Um Curso de Cálculo, Volume 1

10.2 Primitiva de uma Função

Suponha, ainda, que f(0) = 0 e g (0) = 1. Prove que, para todo t, o ponto (f(t), g (t)) pertence à elipse .

 

10.2 Primitiva de uma Função

 

Seja f uma função definida num intervalo I. Uma primitiva de f em I é uma função F definida em I, tal que

F′(x) = f(x)

para todo x em I.

Exemplo 1

é uma primitiva de 2 f ( x ) = x em ℝ, pois, para todo x em ℝ,

 

Observe que, para toda constante k, é, também,

primitiva de 2 f ( x ) = x .

 

Exemplo 2

Para toda constante k, F(x) = 2x + k é primitiva, em ℝ, de f(x) = 2, pois,

F′(x) = (2x + k)′ = 2

para todo x.

 

Sendo F uma primitiva de f em I, então, para toda constante k, F(x) + k é,

também, primitiva de f. Por outro lado, como vimos na seção anterior, se duas funções têm derivadas iguais num intervalo, elas diferem, neste intervalo, por uma constante. Segue que as primitivas de f em I são as funções da forma F(x) + k, com k constante. Diremos, então, que

y = F(x) + k, k constante,

é a família das primitivas de f em I. A notação será usada para

representar a família das primitivas de f:

Na notação , a função f denomina-se integrando. Uma primitiva de

f será, também, denominada uma integral indefinida de f. É comum referir-se a

como a integral indefinida de f.

 

Observação. O domínio da função f que ocorre em deverá ser sempre um intervalo;

nos casos em que o domínio não for mencionado, cará implícito que se trata de um intervalo.

 

Exemplo 3

Calcule.

a)

b)

Solução

a)

. Logo, .

b) O integrando é a função constante f(x) = 1. Então

 

pois, (x)′ = 1.

 

Exemplo 4

Calcule , em que α ≠ −1 é um real fixo.

Solução

Exemplo 5

 

Calcule

a)

b)

Solução

a)

 

b) (veja Exemplo 4)

ou seja,

 

e, portanto,

 

Exemplo 6

Calcule .

Solução

ou seja,

 

Exemplo 7

Calcule .

 

Solução

 

ou seja,

 

e, portanto,

 

Exemplo 8

Calcule .

Solução

 

pois .

 

Seja α um real fixo. Dos Exemplos 4 e 8 resulta

 

Exemplo 9

Calcule .

 

Solução

 

ou seja,

Exemplo 10

 

Seja α um real fixo, α ≠ 0. Calcule .

Solução

, logo,

 

Exemplo 11

Calcule.

a)

b)

Solução

a)

b)

 

Exemplo 12

Determine y = y(x), x ∈ ℝ, tal que

 

Solução

Assim,

 

Vimos, ao final da seção anterior, que se F′(x) = G′(x) para todo x no

intervalo I e se, para algum x em I, F(x ) = G(x ), então, F(x) = G(x) em I. 0 0 0 Segue deste resultado que se f admitir uma primitiva em I e se x , y forem 0 0 dois reais quaisquer, com x ∈ I, então existirá uma única função y = y (x), x 0

∈ I, tal que

 

Exemplo 13

Determine a única função y = y (x), definida em ℝ, tal que

 

Solução

 

A condição y (0) = 2 significa que, para x = 0, devemos ter y = 2.

Vamos determinar k para que esta condição esteja satisfeita.

Substituindo, então, em , x por 0 e y por 2, resulta k = 2.

Assim,

 

Exemplo 14

Determine a função y = y (x), x ∈ ℝ, tal que

 

Solução

 

Assim,

 

Para se ter y′(0) = 0 ou , é preciso que k = 0. Assim, 1

 

daí

Para k = 1, a condição inicial y (0) = 1 se verifica. Assim, 2

 

Exemplo 15

Uma partícula desloca-se sobre o eixo x e sabe-se que no instante t, t ≥ 0,

a velocidade é v (t) = 2t + 1. Sabe-se, ainda, que no instante t = 0 a

partícula encontra-se na posição x = 1. Determine a posição x = x (t) da

partícula no instante t.

Solução

 

Temos:

 

Para k = 1, teremos x = 1 para t = 0. Assim,

x 2 ( t ) = t + t + 1.

 

Exercícios 10.2

 

1. Calcule.

a)

b)

c)

d)

e)

f)

g)

 

h)

i)

j)

l)

m)

n)

o)

 

p)

 

q)

r)

s)

 

t)

 

2. Seja α ≠ 0 um real fixo. Verifique que

a)

b)

 

3. Calcule.

a)

b)

c)

d)

e)

f)

g)

h)

i)

j)

l)

m)

n)

o)

p)

q)

r)

s)

t)

u)

 

4. Verifique que

a) = arcsen x + k, −1 < x < 1

b) = arctg x + k

 

5. Determine a função y = y(x), x ∈ ℝ, tal que

a)

b)

c)

d)

e)

f)

 

6. Determine a função y = y (x), x > 0, tal que

a)

b)

c)

d)

 

7. Uma partícula desloca-se sobre o eixo x com velocidade v (t) = t + 3, t ≥ 0.

Sabe-se que, no instante t = 0, a partícula encontra-se na posição x = 2.

a) Qual a posição da partícula no instante t?

b) Determine a posição da partícula no instante t = 2.

c) Determine a aceleração.

 

8. Uma partícula desloca-se sobre o eixo x com velocidade v (t) = 2t − 3, t ≥

0. Sabe-se que no instante t = 0 a partícula encontra-se na posição x = 5. Determine o instante em que a partícula estará mais próxima da origem.

 

9. Uma partícula desloca-se sobre o eixo x com velocidade v (t) = at + v , t ≥ 0

0 (a e v constantes). Sabe-se que, no instante t = 0, a partícula encontra-0

se na posição x = x . Determine a posição x = x(t) da partícula no instante 0

t.

10. Uma partícula desloca-se sobre o eixo x com função de posição x = x(t), t

≥ 0. Determine x = x(t), sabendo que

a)

b 2 ) v ( t ) = t − 1 e x (0) = −1

c)

d)

e)

f)

g)

 

11. Esboce o gráfico da função y = y (x), x ∈ ℝ, sabendo que

a)

b)

c)

d)

 

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A.1 Máximo, Mínimo, Supremo e Ínfimo de um

 

Conjunto

O objetivo desta seção é introduzir os conceitos de que necessitaremos para enunciar a propriedade do supremo. Como veremos, é esta propriedade que diferencia ℝ de ℚ; é, ainda, esta propriedade que torna o sistema dos números reais uma cópia perfeita da reta. O enunciado de tal propriedade será objeto da próxima seção.

Seja A um conjunto de números reais. O maior elemento de A, quando

existe, denomina-se máximo de A e indica-se por máx A. O menor elemento de A, quando existe, denomina-se mínimo de A e indica-se por mín A.

Dizemos que um número m é uma cota superior de A se m for máximo

de A ou se m for estritamente maior que todo número de A. Diremos que m é uma cota inferior de A se m for mínimo de A ou se m for estritamente menor que todo número de A.

Exemplo 1

Seja A = {1, 2, 3}. Temos:

a) 1 é o mínimo de A, 1 = mín A; 3 é o máximo de A, 3 = máx A.

b) 3, 100 são cotas superiores de A.

c) 1, 0, são cotas inferiores de A.

 

Exemplo 2

Seja A = {x ∈ ℝ| 1 ≤ x < 2}. Temos:

a) 1 = mín A.

b) Para todo t ∈ A, também pertence a A e t <

(verifique).

Assim, para todo t em A, existe um outro número em A que é

estritamente maior que t; logo, A não admite máximo.

c) Todo número m ≤ 1 é uma cota inferior de A.

 

d) Todo número m ≥ 2 é uma cota superior de A.

 

Um conjunto A pode não admitir máximo; entretanto, poderá admitir

uma menor cota superior. Por exemplo, o conjunto

não admite máximo, mas admite uma menor cota superior que é 2.

 

A menor cota superior de um conjunto A, quando existe, denomina-se

supremo de A e indica-se por sup A.

É claro que se A admitir máximo m, então, m será, também, o supremo

de A. Entretanto, A poderá não admitir máximo, mas admitir supremo; por exemplo, o conjunto A acima não admite máximo, mas admite supremo 2 : 2 = sup A.

A maior cota inferior de um conjunto A, quando existe, denomina-se

ínfimo de A e indica-se por inf A.

Se A admitir uma cota superior, então diremos que A é limitado

superiormente.

Se A admitir uma cota inferior, diremos que A é limitado inferiormente.

 

Exercícios A.1

 

1. Determine, caso existam, o máximo, mínimo, supremo e ínfimo.

a) A = {x ∈ ℝ| −3 ≤ x ≤ 4}

b) A = {x ∈ ℝ| −3 < x < 4}

c) A = {x ∈ ℝ| x < 5}

d) A = {x ∈ ℝ| x ≥ 2}

f) A = {x ∈ ℝ| |3x − 1 | > 1}

g) A = {−3, −1, 0, 2, 1}

 

2. Assinale os conjuntos do Exercício 1 que são limitados superiormente.

 

3.

é limitado superiormente? Por quê?

 

A.2 Propriedade do Supremo

Admitiremos a seguinte importante propriedade dos números reais.

 

Propriedade do supremo. Todo conjunto de números reais, não vazio e limitado

superiormente, admite supremo.

 

Pelo fato de ℝ satisfazer a propriedade do supremo, diremos que ℝ é

um corpo ordenado completo. Os teoremas centrais do cálculo dependem desta propriedade de ℝ.

Uma consequência importante da propriedade do supremo é a

propriedade de Arquimedes.

Propriedade de Arquimedes. Se x > 0 e y são dois reais quaisquer, então existe pelo

menos um número natural n tal que

nx > y.

 

Demonstração

 

Suponhamos, por absurdo, que para todo natural n, nx ≤ y; consideremos então o conjunto

 

A é não vazio (1 · x = x ∈ A) e limitado superiormente por y, logo

admite supremo. Seja s o supremo de A. Como x > 0, s − x < s; assim, s − x não é cota superior de A (por quê?); logo existe um natural m tal que

s − x < mx

e daí

s < (m + 1) x

que é uma contradição, pois s é o supremo de A e (m + 1) x ∈ A. Deste modo, supor nx ≤ y para todo natural n leva-nos a uma contradição; logo, nx > y para algum natural n.

■

O próximo exemplo exibe-nos duas consequências importantes da

propriedade de Arquimedes.

Exemplo

a) Para todo x > 0, existe pelo menos um natural n tal que < x.

b) Para todo real x existe pelo menos um natural n tal que n > x.

Solução

a) Como x > 0, por Arquimedes, existe um natural n tal que nx > 1 e,

portanto, < x.

(Observe: nx > 1 ⇒ n ≠ 0).

b) Como 1 > 0, por Arquimedes, existe um natural n tal que n > x.

 

A propriedade que apresentaremos na próxima seção é uma outra

consequência importante da propriedade do supremo e será utilizada várias vezes no texto.

 

Exercícios A.2

Prove que se A for não vazio e limitado inferiormente, então A admite

ínfimo.

 

A.3 Demonstração da Propriedade dos Intervalos

Encaixantes

Seja [a , b ], [a , b ], [a , b ], …, [a , b ], … uma sequência de 0 0 1 1 2 2 n n intervalos satisfazendo as condições:

(i) [a , b ] ⊃ [a , b ] ⊃ [a , b ] ⊃ … ⊃ [a , b ] ⊃ … 0 0 1 1 2 2 n n

(ou seja, cada intervalo da sequência contém o seguinte);

(ii) para todo r > 0, existe um natural n tal que

b − a < r n n

(ou seja, à medida que n cresce, o comprimento do intervalo [a , b ] n n

vai tendendo a zero).

Nestas condições, existe um único real a que pertence a todos os

intervalos da sequência, isto é, existe um único real α tal que, para todo natural n, a ≤ a ≤ b . n n

 

Demonstração

 

A = {a , a , a , …, a , …} é não vazio e limitado superiormente, pois 0 1 2 n

todo b é cota superior de A. Assim, A admite supremo; seja α tal supremo. n

Como α é a menor cota superior de A, para todo natural n temos

a ≤ α ≤ b . n n

Se β for outro real tal que, para todo n,

a ≤ β ≤ b n n

teremos, para todo n,

|α − β| ≤ b − a n n

Tendo em vista a propriedade (ii), para todo r > 0,

|α − β| < r.

Logo, α = β (por quê?).

■

 

A.4 Limite de Função Crescente (ou Decrescente)

Sejam f uma função e A um subconjunto do domínio de f. Dizemos que f é limitada superiormente em A se existir um número real M tal que, para todo x ∈ A, f(x) ≤ M.

Por outro lado, dizemos que f é limitada inferiormente em A se existir

um número real m tal que, para todo x ∈ A, f(x) ≥ m.

 

Teorema. Seja f uma função de nida e crescente em ]a, b[.

a) Se f for limitada superiormente em ]a, b[, então

 

com L = sup {f(x) | x ∈ ]a, b[}

b) Se f não for limitada superiormente em ]a, b[, então

 

Demonstração a) O conjunto {f(x) | x ∈ ]a, b[} é não vazio e limitado superiormente;

logo, admite um supremo L. Dado, então ε > 0, existe um x ∈ ]a, b[, 1 tal que, L − ε < f(x ) ≤ L. Daí, para todo x em ]x , b[, tem-se 1 1

L − ε < f(x ) ≤ f(x) ≤ L < L + ε 1

ou seja,

L − ε < f(x) < L + ε.

Logo,

 

b) Como f não é limitada superiormente, para todo M > 0 dado, existe x 1

∈ ]a, b[, tal que f(x ) > M. Pelo fato de f ser crescente, tem-se, para 1

todo x ∈ ]x , b[, 1

f(x) > M

ou seja,

 

■

Fica para o leitor enunciar e provar teorema análogo para o caso de f ser

decrescente em ]a, b[.

Conforme as palavras seguintes de Richard Dedekind (1813-1916) em

seu livro Essays on the theory of numbers, a razão que o levou à definição de número real (veja Apêndice F) foi exatamente o teorema anterior.

“Minha atenção voltou-se primeiramente para as considerações que

constituem o assunto deste folheto no outono de 1858. Como professor na Escola Politécnica em Zurique, vi-me pela primeira vez obrigado a dar aulas sobre os elementos do cálculo diferencial e senti mais agudamente do que nunca a falta de um fundamento realmente científico para a aritmética. Ao discutir a noção de limite e especialmente ao provar o teorema segundo o qual toda magnitude que cresce continuamente, mas não além de todos os limites, deve certamente se aproximar de um valor finito, tive que recorrer a evidências geométricas. Mesmo agora, esse recurso à intuição geométrica numa primeira apresentação do cálculo diferencial, eu o vejo como extremamente útil, do ponto de vista didático, e até mesmo indispensável se não se quer perder muito tempo. Mas ninguém pode negar que essa forma de introdução ao cálculo diferencial não pode se pretender científica. Para mim, esse sentimento de insatisfação foi tão esmagador que mantive a firme intenção de continuar refletindo sobre a questão até encontrar um fundamento puramente aritmético e perfeitamente rigoroso para os princípios da análise infinitesimal.” (Dover Publications, Inc., Nova York.)

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B.1 Demonstração do Teorema do Anulamento

 

Teorema (do anulamento). Se f for contínua em [a, b] e se f(a) e f(b) tiverem sinais

contrários, então existirá pelo menos um c em [a, b] tal que f(c) = 0.

 

Demonstração

 

Para fixar o raciocínio, suponhamos f(a) < 0 e f(b) > 0. Façamos a = a e b 0 = b ; seja c o ponto médio do segmento [a , b ]. Temos 0 0 0 0

 

Suponhamos f(c ) < 0 e façamos c = a e b = b . Temos f(a ) < 0 0 0 1 0 1 1

e f(b ) > 0. Seja c o ponto médio do segmento [a , b ]. Temos 1 1 1 1

Suponhamos f(c ) ≥ 0 e façamos a = a e c = b . Assim, f(a ) < 0 1 1 2 1 2 2

 

e f(b ) ≥ 0. Prosseguindo com este raciocínio, construiremos uma 2

sequência de intervalos

[a , b ] ⊃ [a , b ] ⊃ [a , b ] ⊃ … ⊃ [a , b ] ⊃ … 0 0 1 1 2 2 n n

que satisfaz as condições da propriedade dos intervalos encaixantes e tal que, para todo n,

 

Seja c o único real tal que, para todo n,

a ≤ c ≤ b . n n

As sequências de termos gerais a e b convergem para c (verifique). n n

Segue, então, da continuidade de f, que

 

Segue de ① e de ② que

f(c) ≤ 0 e f(c) ≥ 0

e, portanto, f(c) = 0.

■

 

B.2 Demonstração do Teorema do Valor

Intermediário

Teorema (do valor intermediário). Se for contínua no intervalo fechado [a, b] e se γ for um

real compreendido entre f(a) e f(b), então existirá pelo menos um c em [a, b] tal que f(c) = γ.

 

Demonstração

 

Para fixar o raciocínio, suponhamos f(a) < γ < f(b). Consideremos a função

g (x) = f(x) – γ, x em [a, b].

Como f é contínua em [a, b], g também o é; temos, ainda

g (a) = f(a) – γ < 0 e g (b) = f(b) – γ > 0.

Pelo teorema do anulamento, existe c em [a, b] tal que g (c) = 0, ou seja,

f(c) = γ.

■

 

B.3 Teorema da Limitação

Para a demonstração do teorema de Weierstrass, necessitaremos do teorema da limitação, cujos enunciado e demonstração serão objeto desta seção.

Dizemos que f é limitada em A ⊂ D se existir M > 0 tal que, para todo f

x em A

|f(x) | ≤ M.

Da definição acima, segue que, se f não for limitada em B ⊂ D , para f

todo natural n, existe x ∈ B, com |f(x )| > n. n n

Teorema (da limitação). Se f for contínua no intervalo fechado [a, b], então f será limitada

em [a, b].

 

Demonstração

 

Suponhamos, por absurdo, que f não seja limitada em [a, b]. Façamos a = a e b = b ; existe, então, x em [a , b ] tal que |f(x )| > 1. Seja c o 1 1 1 1 1 1 1 ponto médio de [a , b ]; f não será limitada em um dos intervalos [a , 1 1 1 c ] ou [c , b ]; suponhamos que não seja limitada em [c , b ] e façamos 1 1 1 1 1 a = c e b = b . Não sendo f limitada em [a , b ], existirá x ∈ [a , 2 1 2 1 2 2 2 2 b ] tal que |f(x )| > 2. Prosseguindo com este raciocínio, construiremos 2 2

uma sequência de intervalos

[a , b ] ⊃ [a , b ] ⊃ [a , b ] ⊃ … ⊃[a , b ] ⊃ … 1 1 2 2 3 3 n n

satisfazendo as condições da propriedade dos intervalos encaixantes e tal que, para todo natural n > 0, existe x ∈ [a , b ] com n n n

 

Segue de ① que = +∞. Seja, agora, c o único real tal que,

para todo n > 0,

c ∈ [a , b ]. n n

Como a sequência x converge para c (verifique) e f é contínua em c, n

resulta que |f(c)| que está em contradição com +∞. Fica provado que a suposição de f não ser limitada em [a, b] nos leva a uma contradição. Portanto, f é limitada em [a, b].

■

 

B.4 Demonstração do Teorema de Weierstrass

 

Teorema (de Weierstrass). Se f for contínua em [a, b], então existirão x e x em [a, b] 1 2

tais que f(x ) ≤ f(x) ≤ f(x ) para todo x em [a, b]. 1 2

 

Demonstração

 

Sendo f contínua em [a, b], f será limitada em [a, b], daí o conjunto

A = {f(x) | x ∈ [a, b]}

admitirá supremo e ínfimo. Sejam

M = sup{f(x) | x ∈ [a, b]}

e

m = inf{f(x) | x ∈ [a, b]}

Assim, para todo x em [a, b], m ≤ f(x) ≤ M.

Provaremos, a seguir, que M = f(x ) para algum x em [a, b]. Se 2 2

tivéssemos f(x) < M para todo x em [a, b], a função

 

seria contínua em [a, b], mas não limitada em [a, b], que é uma contradição (se g fosse limitada em [a, b], então existiria um β > 0 tal que, para todo x em [a, b]

 

e, portanto, para todo x em [a, b],

 

e assim M não seria supremo de A).

Segue que f(x) < M para todo x em [a, b] não pode ocorrer, logo

devemos ter M = f(x ) para algum x em [a, b]. Com raciocínio análogo, 2 2 prova-se que f(x ) = m para algum x , em [a, b]. 1 1

■

 

Observação. A ideia que nos levou a construir tal função g foi a seguinte: sendo M o supremo

dos f(x), por menor que seja r > 0, existirá x tal que M − r < f(x) < M; assim, a diferença M −

f(x) poderá se tornar tão pequena quanto se queira e, portanto, g (x) poderá se tornar tão

grande quanto se queira.

 

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