Um Curso de Cálculo, Volume 1
9.3 Concavidade e Pontos de Inflexão
19. Sejam f, g duas funções deriváveis em ]a, b[, tais que f′(x) < g′(x) x em ]a,
b[. Suponha que exista c em ]a, b[, com f(c) = g (c). Prove que f(x) < g (x)para x > c e f(x) > g (x)para x < c.
9.3 Concavidade e Pontos de Inflexão
Seja f derivável no intervalo aberto I e seja p um ponto de I. A reta tangente em (p, f(p)) ao gráfico de f é
y − f(p) = f′(p)(x − p) ou y = f(p) + f′(p)(x − p).
Deste modo, a reta tangente em ( p, f ( p)) é o gráfico da função T dada por
T (x) = f(p) + f′(p)(x − p).
Definição 1. Dizemos que f tem a concavidade para cima no intervalo aberto I se
f(x) > T (x)
quaisquer que sejam x e p em I, com x ≠ p.
Definição 2. Dizemos que f tem a concavidade para baixo no intervalo aberto I se
f(x) < T (x)
quaisquer que sejam x e p em I, com x ≠ p.
Definição 3. Sejam f uma função e p ∈ D , com f contínua em p. Dizemos que p é ponto de f
in exão de f se existirem números reais a e b, com p ∈ ]a, b[ ⊂ D , tal que f tenha concavidades f
de nomes contrários em ]a, p[ e em ]p, b[.
Teorema. a Seja f uma função que admite derivada até a 2 ordem no intervalo aberto I.
a) Se f ′′(x) > 0 em I, então f terá a concavidade para cima em I.
b) Se f ′′(x) < 0 em I, então f terá a concavidade para baixo em I.
Demonstração
a) Seja p um real qualquer em I. Precisamos provar que, para todo x em I, x ≠
p,
f(x) > T (x) em que T (x) = f( p) + f′(p) (x − p).
Consideremos a função g (x) = f(x)− T (x), x ∈ I; vamos provar que g (x) >
0 para todo x em I, x ≠ p.
Temos
daí
Como f′′(x) > 0 em I, segue que f′ é estritamente crescente em I. Então,
Segue que g é estritamente decrescente em {x ∈ I| < p} e estritamente
crescente em {x ∈ I| x > p}. Como g (p) = 0, resultado
g (x) > 0
para todo x em I, x ≠ p.
b) Fica a seu cargo.
■
Exemplo 1
Seja Estude f com relação à concavidade e determine os
pontos de inflexão.
Solução
então,
Pontos de inflexão: −1 e 1.
Exemplo 2
Esboce o gráfico de
Solução
Pontos de inflexão: −1 e 1.
Exemplo 3
Seja a f derivável até a 3 ordem no intervalo aberto I e seja p ∈ I.
Suponha que f′′(p) = 0, f′′′(p) ≠ 0 e que f′′′ seja contínua em p. Prove que
p é ponto de inflexão.
Solução
Para fixar o raciocínio, suponhamos f′′′(p) > 0. Como f′′′ é contínua em p,
pela conservação do sinal, existe r > 0 (que pode ser tomado de modo
que ]p − r, p + r[ esteja contido em I) tal que:
f′′′(x) > 0 em ]p − r, p + r[.
Segue que f′′ é estritamente crescente em ]p − r, p + r[. Então,
implica
logo, p é ponto de inflexão.
Exemplo 4
Seja a f derivável até a 2 ordem no intervalo aberto I e seja p ∈ I.
Suponha f′′ contínua em p. Prove que f′′(p) = 0 é condição necessária
(mas não suficiente) para p ser ponto de inflexão de f.
Solução
Se f′′(p) ≠ 0, pela conservação do sinal, existe r > 0 tal que f′′(x)tem o
mesmo sinal que f′′(p) em ]p − r, p + r[, logo p não poderá ser ponto de
inflexão. Fica provado, assim, que, se p for ponto de inflexão, deveremos
ter necessariamente f′′(p) = 0. Para verificar que a condição não é
suficiente, basta olhar para a função 4 f ( x ) = x : f′′(0) = 0, mas 0 não é
ponto de inflexão.
Exercícios 9.3
1. Estude a função dada com relação à concavidade e pontos de inflexão.
2. Esboce o gráfico de cada uma das funções do exercício anterior.
3. 3 2 Seja f ( x ) = ax + bx + cx + d, a ≠ 0. Prove que f admite um único ponto
de inflexão.
4. Se p for ponto de inflexão de f e se f′(p) = 0, então diremos que p é ponto
de inflexão horizontal de f. Cite uma condição suficiente para que p seja ponto de inflexão horizontal de f.
5. Se p for ponto de inflexão de f e se f′(p) ≠ 0, então diremos que p é ponto
de inflexão oblíquo de f. Cite uma condição suficiente para que p seja ponto de inflexão oblíquo de f.
6. a Sejam f uma função derivável até a 5 ordem no intervalo aberto I e p ∈
I (5) . Suponha f contínua em p. Prove que
f (4) (5) ′′( p ) = f ′′′( p ) = f ( p ) = 0 e f (p) ≠ 0
é uma condição suficiente para p ser ponto de inflexão de f. Generalize tal resultado.
7. a Seja f derivável até a 2 ordem em R e tal que, para todo x, xf′′(x) + f′(x) =
4.
a) Mostre que f′′ é contínua em todo x ≠ 0
b) Mostre que f não admite ponto de inflexão horizontal
8. 5 4 3 Seja f ( x ) = x + bx + cx − 2x + 1.
a) Que condições b e c devem satisfazer para que 1 seja ponto de inflexão
de f? Justifique.
b) Existem b e c que tornam 1 ponto de inflexão horizontal? Em caso
afirmativo, determine-os.
9. Suponha que f′′(x) > 0 em ]a, +∞[e que existe x > a tal que f′(x ) > 0. 0 0
Prove que
10. Seja f definida e derivável no intervalo aberto I, com 1 ∈ I, tal que