Um Curso de Cálculo, Volume 1
16.2 Polinômio de Taylor de Ordem 2
e) f(x) = cos 3x, x = 0 0
f)
2. Calcule um valor aproximado e avalie o erro.
a)
b)
c) sen 0,02
d 0,001 ) e
e) cos 0,01
f) ln 0,99
16.2 Polinômio de Taylor de Ordem 2
Vimos que o polinômio de Taylor, de ordem 1, de f em volta de x , tem em 0 comum com f o valor em x e o valor da derivada em x . 0 0
Suponhamos que a f tenha derivadas até a 2 ordem no intervalo I e seja
x ∈ I. Vamos procurar o polinômio P, de grau no máximo 2, que tenha 0
em comum com a f o valor em x , o valor da derivada 1 em x e o valor da
0 0
derivada 2 a em x . Queremos, então, determinar P, de grau no máximo 2,
0
tal que
f(x ) = P (x ), f′(x ) = P′(x ) e f″(x ) = P″(x ). 0 0 0 0 0 0
Podemos procurar P da forma
P 2 ( x ) = A + A ( x − x ) + A ( x − x ) .
0 1 0 2 0
Como P (x ) = A , devemos ter A = f(x ). 0 0 0 0
P′(x) = A + 2A (x − x ) 1 2 0
e
P″(x) = 2A . 2
Daí, P′(x ) = A e P″(x ) = 2A . Segue que devemos ter 0 1 0 2
A = f′(x ) 1 0
e
O polinômio procurado é então
O polinômio ① denomina-se polinômio de Taylor, de ordem 2, de f em
volta de x . 0
Observe que f e P admitem a mesma reta tangente em (x , f(x )). 0 0
Como P″(x ) = f″(x ), segue que se f″(x ) ≠ 0 e f″ contínua em x , para x 0 0 0 0 próximo de x , os gráficos de f e P apresentam concavidades com mesmo 0
sentido. É razoável esperar, então, que, para x suficientemente próximo de x , o polinômio de Taylor de ordem 2 aproxime melhor f do que o 0
polinômio de Taylor de ordem 1.
Exemplo 1
Seja x f ( x ) = e . Determine os polinômios de Taylor, de ordens 1 e 2,
de f em volta de x = 0. Esboce os gráficos de f e dos polinômios. 0
Solução
Indiquemos por P e P os polinômios pedidos. 1 2
Temos
P (x) = f(0) + f′(0) (x − 0) 1
e
De x f ′( x ) = f ″( x ) = e , segue f′(0) = f″(0) = 1.
Assim,
P (x) = 1 + x 1
e
Seja P o polinômio de Taylor, de ordem 2, de f em volta de x . Para 0
cada x em D , seja E (x) o erro que se comete na aproximação de f(x) por P f
(x). Assim, para todo x em D , f
ou
Temos:
Assim,
E (x ) = E′(x ) = E″(x ) = 0. 0 0 0
O próximo teorema fornece-nos uma expressão para o erro E (x) em
termos da derivada de 3 a ordem de f.
Teorema. a Seja f derivável até a 3 ordem no intervalo I e sejam x , x em I. Então, existe pelo
0
menos um entre x e x tal que 0
Demonstração
E (x ) = E′(x ) = E″(x ) = 0 e E‴(x) = f‴(x). 0 0 0
Sendo 3 h ( x ) = ( x − x ) ,
0
h (x ) = h′(x ) = h″(x ) = 0 e h‴(x) = 6 = 3! 0 0 0
Temos
Pelo teorema de Cauchy existe entre x e x tal que 0
Temos
Pelo teorema de Cauchy, existe entre x e tal que 0
De E″(x ) = 0 = h″(x ) segue 0 0
Novamente, pelo teorema de Cauchy, existe entre e x tal que 0
Como
Exemplo 2
Seja a f derivável até a 3 ordem no intervalo I e seja x ∈ I. Suponha
0
que existe M > 0 tal que ≤ M para todo x em I. Prove que, para todo x
em I,
em que
Solução
De acordo com o teorema anterior
Daí, para todo x em I,
Exemplo 3
Calcule um valor aproximado para ln 1,03 e avalie o erro.
Solução
Seja f(x) = ln x. Vamos utilizar o polinômio de Taylor de ordem 2 em
volta de x = 1. 0
De f′(x) = e f″(x) = segue f′(1) = 1 e f″(1) = −1. Assim,
ou
Temos
ln 1,03 ≅ P (1,03)
mas,
P (1,03) = 0,02955,
logo
ln 1,03 ≅ 0,02955.
Avaliação do erro
f ‴(x) = , assim, |f″′(x)| ≤ 2 para x ≥ 1. Pelo exemplo anterior,
Segue que
ou
|f(1,03) – P(1,03)| ≤ 0,000009.
Assim, o módulo do erro cometido na aproximação
ln 1,03 ≅ 0,02955
é inferior a 10 −5 −6 −5 . (Observe: 0,000009 = 9 · 10 < 10 .)
Como, para 3 x > 1, E ( x ) = ( x − 1) > 0, segue que 0,02955
é uma aproximação por falta de ln 1,03.
Exemplo 4
Calcule um valor aproximado para e avalie o erro.
Solução
Seja f(x) = . Vamos utilizar o polinômio de Taylor de ordem 2 em
volta de x = 8. 0
De
segue que
Daí
logo,
Assim,
Avaliação do erro
Neste problema, interessa-nos o intervalo de extremos 7,9 e 8.
Como 1,8 3 = 5,832 < 7,9, segue que, para todo x, 7,9 ≤ x ≤ 8.
e, portanto,
Daí
e, portanto, para 7,9 ≤ x ≤ 8,
e daí
( 8 −3 Observe : 81 · (1,8) > 1.000 ⇒ < 10 .) Deste modo, o
módulo do erro cometido na aproximação
é inferior a 10 −5 .
Observação. A escolha de 1,8 foi feita por inspeção. Poderíamos ter escolhido 1,9, pois
(1,9) 3 < 7,9. Com a escolha de 1,8 conseguimos um M > 0 tal que
|f″′(x)| = < M para 7,9 ≤ x ≤ 8, o que nos permitiu utilizar o Exemplo 2.
Evidentemente, quanto menor o M, menor será a majoração para o erro. Neste problema, a
escolha de 1,9 seria preferível. Se tivéssemos escolhido 1,9, chegaríamos à conclusão de que o
erro cometido na aproximação é, em realidade, inferior a 10 −6 . Observe, ainda, que, para 7,9
≤ 3 x < 8, E ( x ) = ( x − 8) < 0, o que mostra que 1,9916319 é aproximação por
excesso.
Seja a f derivável até a 2 ordem no intervalo I e seja x ∈ I. Seja E (x)
0
o erro que se comete na aproximação de f(x) por P (x), em que P (x) é o polinômio de Taylor de ordem 2 de f em volta de x : 0
Vamos mostrar a seguir que, para x → x , o erro E (x) tende a zero mais 0
rapidamente 2 que ( x − x ) . De fato,
0
Pela 1 a regra de L’Hospital
Assim,
Provaremos a seguir que
é o único polinômio de grau no máximo 2 que goza da propriedade de o erro 2 E ( x ) tender a zero mais rapidamente que ( x − x ) , quando x → x .
0 0
Seja então
f 2 ( x ) = f ( x ) + A ( x − x ) + B ( x − x ) + E (x)
0 0 0 1
em que
Vamos provar que
De fato, de
segue
e, portanto,
uma vez que
Segue que
daí
o que implica A = f′(x ) (observe que, se tivéssemos A ≠ f′(x ), o limite 0 0 acima não poderia ser zero). Assim
e, portanto, B = .
Exemplo 5
Seja 2 f ( x ) = . Mostre que P ( x ) = 1 + x + x é o polinômio de
Taylor, de ordem 2, de f em volta de x = 0. 0
Solução
Basta mostrar que E (x) = f(x) − P (x) tende a zero mais rapidamente
que 2 x , quando x → 0.
Outro processo. Calcular f(0), f′(0) e f″(0) e verificar que
Dizemos que φ (x) é um infinitésimo, para x → x , se = 0. 0
Sejam φ (x) e φ (x) dois infinitésimos, para x → x . Dizemos que φ (x) é 1 0 um infinitésimo de ordem superior à de φ (x) se, para x → x , φ (x) tende 1 0
a zero mais rapidamente que φ (x), ou seja, se = 0. É usual a 1
notação
φ (x) = o (φ (x)) para x → x 1 0
para indicar que φ (x) é um infinitésimo de ordem superior à de φ (x), para 1 x → x . 0
Assim, sendo φ (x) e φ (x) infinitésimos para x → x , 1 0
Observe que x − x só é infinitésimo para x → x ; assim, 0 0
E (x) = o (x − x ) 0
significa que E (x) é um infinitésimo de ordem superior à de x − x , para x 0 → x . 0
Do que vimos anteriormente, segue que
(i) f(x) = f(x ) + f′(x ) (x − x ) + o (x − x ) 0 0 0 0
(ii) 2 2 f ( x ) = f ( x ) + f ′( x ) ( x − x ) + ( x − x ) + o (( x − x ) ). 0 0 0 0 0
Exercícios 16.2
1. Determine o polinômio de Taylor, de ordem 2, de f em volta de x 0
dado.
a e x = 0 0 ) f ( x ) = ln (1 + x )
b x e x = 0 0 ) f ( x ) = e
c e x = 1 0 ) f ( x ) =
e x = 0 0
d) f(x) =
e e x = 4 0 ) f ( x ) =
f e x = 0 0 ) f ( x ) = sen x
g e x = 0 0 ) f ( x ) = cos x
2. Utilizando o polinômio de Taylor de ordem 2, calcule um valor
aproximado e avalie o erro.
a) ln 1,3
b)
c)
d)
e 0,03 ) e
f) sen 0,1
g)
h) cos 0,2
3. Mostre que, para todo x,
a)
b)
4. Mostre que, para 0 ≤ x ≤ 1
5. 2 Utilizando a relação sen x = x + o ( x ), calcule
a)
b)
( 2 2 Sugestão : o ( x ) é um infinitésimo de ordem superior a x , para x → 0, isto é, )
6. Verifique que
a x 2 2 ) e = 1 + x + x + o ( x )
b 2 ) cos x = 1 − + o ( x )
c 2 ) sen x = x + o ( x )
d 2 2 ) ln x = ( x − 1) − ( x − 1) + o (( x − 1) )
7.
Seja
a) Determine o polinômio de Taylor de ordem 2 de f em volta de x = 0
0.
b) Seja a > 0 um número real dado. Mostre que não existe M > 0 tal
que para todo x em [0, a], |f″′(x)| ≤ M.
8. a Seja f derivável até a 2 ordem no intervalo I e seja x ∈ I. Mostre 0
que existe uma função φ (x) definida em I tal que, para todo x em I,
com = 0.