Bem-Vindo à Casa dos Espíritos

Christopher Buehlman · Capítulo 8 de 134

Páginas do PDF

Bem-Vindo à Casa dos Espíritos

Capítulo 7

 

Andrew leva Anneke para casa.

A grama está crescendo depressa agora que o verão chegou para

valer, e as estrelas ali dão um show.

Ele dá a volta no carro e abre a porta do carona. O veículo é um Ford

Mustang 1968, por isso a porta é pesada e as dobradiças rangem. Ela

permite que ele faça isso — é seu ato de cavalheirismo com ele.

— As estrelas — diz Andrew.

— Sim.

— Tenho algo para você. Está no porta-malas.

— É um cachorrinho?

— Bem, na verdade, é um basilisco, então não olhe nos olhos dele.

— O que é um basilisco?

— Algo que você não deve olhar nos olhos.

Ela sai para acender um cigarro.

— Ainda não.

Ela deixa o cigarro pendurado nos lábios, enquanto ele abre o porta-

malas e tira algo do tamanho de um livro, embrulhado no papel de

presente oriental da loja de cartões em Oswego.

— Você embrulha muito mal.

— Só tento fazer isso quando me importo.

Ela gosta disso.

Ela puxa um canivete do bolso e corta o embrulho, e o cigarro salta

no estilo Franklin Delano Roosevelt, porque ela está sorrindo como uma

menininha. Porque ninguém dá presentes como Andrew Ranulf

Blankenship.

 

Fazendo Pedras se Moverem

— Incluindo a Ressuscitação da Matéria Viva

Transformada em Mineral

Michael Rudnick (1990)

Orville Hephaestus Yeats (1867)

 

O livro tinha uma capa vermelha, letras pretas e folhas mal coladas.

Alguém devia fazer aquilo em casa ou talvez com a ajuda do escritório

da FedEx. Ela folheia, estreitando os olhos sob o luar. O texto tem dois

terços de páginas fotocopiadas da caligrafia do século XIX e um terço

mal datilografado em uma Smith Corona: impossível de ler na luz fraca,

embora provavelmente não fosse tarefa fácil mesmo sob uma lâmpada

forte.

— Um grimório.

— Os originais são mais fortes, claro, mas é por isso que não têm

preço. Com estudo e prática, você pode conseguir fazer alguns truques,

principalmente coisas de Rudnick. Ele também começou como oleiro,

trabalhando com argila e pedra, como você faz, e deveria ter uma

intuição em relação ao ponto certo.

— Consegue fazer as coisas desse livro?

— Não com muita facilidade. Nem bem. Mas eu nunca me esforcei

muito nessas artes. Não são a minha especialidade.

— Como conseguiu o livro?

— Com a minha especialidade.

Ela sabe a resposta mesmo quando pergunta. Eles raramente

compram alguma coisa. Eles trocam. São como uma verdadeira

comunidade, espalhada pelo mundo, cujos integrantes se conhecem pela

reputação, e agora, graças à internet, podem se comunicar em tempo real

com a resposta (e o desenvolvimento) da ciência para a bola de cristal.

Sem dúvida, Andrew realizou um ato de necromancia (falando com os

mortos por meio da mídia captada enquanto eles viviam) para outra

pessoa como ele, recebendo como recompensa o livro.

Como ele.

Um bruxo.

Mas ele odeia essa palavra.