Bem-Vindo à Casa dos Espíritos

Christopher Buehlman · Capítulo 4 de 134

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Bem-Vindo à Casa dos Espíritos

Capítulo 3

 

— Eu odeio essa palavra — dissera ela. — Parece meio fria.

— E é — confirmou ele, levando um soco dela bem entre os

músculos mirrados do braço.

Com força.

Aquela tinha sido a noite em que tentaram ser amantes pela primeira

vez. O filme havia terminado, assim como a bruschetta preparada por ela

— sobrando apenas as folhas de manjericão e o queijo ralado secando

no prato. Ela beijou Andrew mais por solidão do que por tesão, até que

por fim o levou para a cama para uma brincadeira consciente, que na

maior parte do tempo provocou risadas entre eles, principalmente na

hora de colocar a camisinha.

 

Agora, eu, Ranulf, rei dos bretões, empunho minha arma, ataco (sem

esmorecer) (uma ajudinha, por favor) (ah, Excalibur!), e ataco de novo,

como é meu direito.

Cale-se e faça logo, se é mesmo que vai fazer.

Pois não, senhorita.

 

Estava claro que o amor que ela sentia por ele estava acima da linha da

cintura, e sempre estaria, por mais feminina que fosse a estrutura

corporal de Andrew ou por mais exóticos que fossem os perfumes em

seus cabelos pretos compridos. Seu odor mais profundo era masculino,

seus ângulos marcados demais, sua língua grande demais dentro da boca

da moça.

Andrew sabia que poderia usar feitiços para fazer com que ela

morresse de amores por ele, e daria resultados: quanto mais longe a

pessoa estivesse do desejo verdadeiro, mais efeito o feitiço causaria.

Suicídio, insanidade e doença eram frutos a longo prazo do abuso do amor, fossem por meios mágicos ou não, como muitos tinham escrito e

pouquíssimos acreditado.

Andrew acreditava.

Já tinha visto o que acontecia com aquelas que o amaram por mais de

duas décadas desde que foram bicadas pelo corvo da bruxa.

Sarah.

Anneke ficaria a salvo do bico do corvo.

A maldição que matava aquelas a quem Andrew amava e que

também o amavam.

Ela não o amaria e, se ele a amasse, o sangue seria derramado.

Acho que Papillon foi o filme errado para tentar seduzir você.

Talvez não. Você trepa como se tivesse um rolo de dinheiro enfiado

na bunda.

Espera aí, pensei que eu fosse o Papillon, não o Dustin Hoffman.

Você é o Dustin Hoffman.