Bem-Vindo à Casa dos Espíritos

Christopher Buehlman · Capítulo 78 de 134

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Bem-Vindo à Casa dos Espíritos

Capítulo 79

 

 

Dog Neck Harbor, Nova York.

Hoje.

Andrew espeta o dedo indicador com um dardo antigo com cabo de

madeira. Derrama doze gotas dentro de um buraco que abriu em uma

maçã. Canta “The British Grenadiers” da melhor maneira que consegue,

tentando dar mais ênfase à parte do rufar dos tambores. Qualquer

canção de bar poderia ser cantada, mas ele gosta mais dessa.

Ele come a maçã.

 

Andrew vai a uma fazenda na 104 A, uma fazenda onde sabe que é

possível comprar uma galinha viva. O atendente pergunta se é para

comer e, quando ele diz “sim”, se oferece para fazer o serviço.

— Prefiro fazer isso com minhas próprias mãos — diz ele.

Algo no modo como fala isso leva o garoto a olhá-lo com uma cara

esquisita.

Andrew leva a galinha para casa, arranca o olho. Entoa um feitiço em

russo, palavras que precisa rememorizar de um livro. Queima o olho em

uma ripa de madeira retirada de uma árvore atingida por um raio,

mistura as cinzas com água da chuva e óleo mágico, passa a pasta preta

nas duas pálpebras. O feitiço menciona o olho de uma águia, coruja ou

falcão. As águias-americanas fazem ninhos perto de ribanceiras, mas ele

não é capaz de fazer isso com uma águia.

— Magos éticos são perdedores — diz ele a Salvador, puxando penas

de galinha.

Ainda assim, acha que uma galinha serve.

Talvez não tenha o mesmo efeito, mas esse é um feitiço bem

poderoso.

Cozinha a galinha.

Salvador se lembra do cheiro de ave assada, mexe o quadril sem

parar.

Ele costumava comer os miúdos.

 

Noite.

Andrew pega o cajado de cima da lareira.

É de carvalho com uma ponta de metal e um castão de ferro

arredondado na extremidade, um castão que se encaixa muito bem na

mão, mas que obviamente tem o formato perfeito para bater. Há um

círculo de prata embaixo do castão, com palavras gaélicas gravadas.

Pense enquanto seu crânio está bom. Beba enquanto sua boca está

inteira. Cumprimente o homem enquanto ele estende a mão.

Andrew esfrega o castão com óleo de noz.

Beija-o.

Leva de volta à fogueira, coloca a ponta de ferro no carvão, diz

palavras em gaélico que fazem o metal brilhar mais forte. Aproxima-se

do casco de tartaruga que encontrou — não foi fácil encontrar uma

tartaruga morta com um casco inteiro perto da estrada — e bate a ponta

do cabo, carregando a palavra de acesso.

Broquel.

 

Andrew vai à loja de usados.

Compra um conjunto de seis copos de vidro amarelo.

Não é o suficiente.

Dirige até o píer 1, ao norte de Syracuse.

Compra uma dezena de taças amarelas de vinho.

Faz um vaso todo de pedras de vidro temperado.

Coloca no sótão.

Pega um trompete de uma banheira do sótão.

 

O próximo é o seu preferido.

Invenção do seu mentor.

Ele esfrega com óleo mágico seis moedas, que coloca viradas para

cima em um cepo de árvore, organizadas como uma pequena plateia.

Toca o trompete alto (e mau) para o sexteto de Abes Lincolns por

quase uma hora.

Coloca as moedas em um saco de couro que pendura no pescoço.