Bem-Vindo à Casa dos Espíritos

Christopher Buehlman · Capítulo 99 de 134

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Bem-Vindo à Casa dos Espíritos

Capítulo 101

 

— Aí está. Estou vendo.

Michael está olhando por um telescópio naval de latão de 1888.

Andrew consegue ver a respiração do mago mais velho.

— Qual é a distância?

— Cem metros. Cento e dez.

— Longe demais?

— Sim. Duas vezes a distância. Terei que esperar até aquela coisa se

aproximar. Tem certeza de que ela está lá dentro? Anneke?

— Sim — responde Andrew.

Michael balança um pouco a cabeça.

Andrew olha para Salvador, que segura binóculos de visão noturna

contra a cabeça, observando o outro lado.

— Caralho — diz Michael.

— O quê?

— Alguma coisa está saindo da janela.

— Binóculos! — pede Andrew, e Salvador cruza o sótão com eles.

Michael conta.

— Dois, três... quatro. Seis.

Andrew olha.

A casinha está inclinada para a frente, como um homem vomitando.

Ele observa três bonecas de aniagem caírem da janela, como se a casa

estivesse chorando. Não, não estão caindo. Estão pulando.

— Caprimulgus. Vá ver — diz Andrew, e aponta para um noitibó

empalhado. O pássaro se chacoalha e se estica, e então olha para ele.

— Ah, é claro.

Andrew abre a janela.

A neve entra.

O pássaro sai voando, piando e zunindo.

Pouco tempo depois.

Andrew vê pelo olho do pássaro.

Ele voa para o casebre, olha pela janela.

Anneke de cabeça para baixo, pendurada como um pernil, mas

acordada.

Um colar no pescoço.

Eu conheço essa merda.

Sei o que está fazendo com ela.

Um maluco sangrando, balançando, algemado. Sua pele retalhada.

Não demora muito para você enlouquecer ali.

Não perca as estribeiras agora, Blankenship, seja forte.

Força superior, me ajude.

Agora, a casinha se afasta.

Preciso ver o que saiu dela.

Agora o pássaro voa de árvore em árvore, observando o terreno.

Movimento!

Um homem com roupa de militar?

Soviético, anos 1940.

O pássaro vira a tempo de ver um segundo homem apontando um

rifle.

A boca do cano brilha.

 

— Ah, MERDA! Levei um tiro! Levei um tiro!

Andrew cai no chão, segurando o olho, em pânico.

Michael, que se afastou da janela e se abaixou ao ouvir o tiro, inclina-

se na direção do amigo, puxando a mão dele.

— Deixa eu ver.

O olho e o rosto estão intactos.

— Você está bem — diz Michael. — Fique calmo. Foi só o pássaro.

Encerre o feitiço com ele.

Andrew faz isso.

Olha para Michael, que ergue as duas sobrancelhas para ele.

— Soldados russos. Segunda Guerra Mundial.

— Merda — diz Michael.

— É.