Bem-Vindo à Casa dos Espíritos
Capítulo 112
As orelhas de Marina Yaganishna estão zunindo e o quepe de general
está na neve. O tanque pega fogo, iluminando os troncos dos bordos e o
leve cair de neve, vomitando montes de fumaça de óleo preto para cima.
Ela é invadida por um flash de nostalgia deslocada, mas afasta o
sentimento com a neve que cai em suas costas e em seus ombros.
Atira agora na frente da casa.
Pop-pop-pop.
— Moroz — diz ela.
Ele aparece. Não mais um homem adorável e barbudo, mas um
homem com cabelos brancos como a neve e a pele azulada dos que
morrem congelados.
Ele encontrou uma calça de poliéster vermelha.
Seus pés descalços não têm dedos.
A camiseta do Pac-Man sobreviveu.
Marina olha nos olhos brancos dele, olhos que parecem ter catarata,
mas não têm.
— Ele vai matar os soldados — diz ela. — E então Misha vai matar
ele. Ou não. De qualquer modo, entre na casa enquanto Misha estiver
fazendo isso.
Moroz assente, vira-se para sair.
— Espere. Tem um poço?
Moroz inclina a cabeça como um cachorro.
— Um poço?
Moroz pensa.
Sim. Devo congelá-lo?
— Não! Mostre para mim onde é.
Moroz aponta.
Ela se vira e caminha na direção, dizendo, sem olhar para trás.
— Deixe mais frio.