Bem-Vindo à Casa dos Espíritos
Capítulo 126
Anneke entra na biblioteca.
Shelly Bertolucci luta e geme, em um duelo com a bruxa que colocou
Anneke na cabana. Um sabre ensanguentado está no chão perto delas. A
bruxa tem arranhões perto dos olhos. O nariz de Shelly está quebrado.
Livros, uma broca quebrada, uma mesa virada e outros destroços se
espalham pelo chão perto dos duelistas.
As duas se movem como se estivessem embriagadas.
Anneke fica paralisada.
Olha para o sabre outra vez.
Parte em direção à arma, o ombro doendo.
Segura o sabre.
As mulheres lutam.
As duas viram Anneke pegar a arma: cada uma parece determinada a
impedir a outra de falar.
A bruxa ataca com um cotovelo, acerta Shelly na orelha.
Anneke dá um passo à frente, empunha o sabre para atacar.
Marina fala.
— Anneke Zautke! Sou Andrew! No corpo errado!
Anneke interrompe o movimento, que teria acertado Marina
Yaganishna nas costelas.
Uma cilada. A cadela russa que se foda.
Ela afasta a arma.
Inspirada, Marina fala de novo.
— Vamos assistir a Papillon!
Agora, Shelly bate no rosto de Marina, segurando com força, ainda
que sem graciosidade, com a parte inferior da mão.
E faz com que ela se cale.
Consegue um segundo para falar.
— O que você está fazendo? Não permita que ela me machuque!
Um pedido simulado de uma amante simulada.
Sotaque russo?
Anneke estreita os olhos.
— Depressa! — grita Shelly.
Parece dizer deprexa!
— Engraçado — diz Anneke.
Como Shelly vê Marina prestes a falar de novo, a impede com um
golpe fraco, mas doloroso, na garganta, fazendo a outra ir para trás.
Marina leva as mãos ao pescoço, cai na poltrona de couro de Andrew.
Shelly está livre agora.
Shelly com o sotaque russo.
Anneke, em choque, com o rosto pálido.
Decide.
Afasta o instinto de não ferir Shelly e usa a oportunidade para atacar.
Com força.
AGORA!
Bate com a ponta curvada no sol japonês vermelho na camiseta da
mulher mais jovem.
O sabre para por um milésimo de segundo no esterno, entra de modo
nojento, atravessa, erguendo o algodão do outro lado, antes de perfurá-
lo.
O olhar de fúria de Shelly se torna dor e surpresa.
Ela coloca as mãos no sabre.
E volta a ser pedra.
Ao redor do aço do sabre.
Veste uma camiseta ensanguentada e um jeans folgado.
Anneke faz um som gutural, como um uivo.
— Ela vai tentar invadir seu corpo! — grita a bruxa, na cadeira, com
a garganta ferida. — Contraia os músculos... respire bem, depressa e não
muito fundo.
Anneke faz isso.