Bem-Vindo à Casa dos Espíritos
Capítulo 41
O fogo é mágico em sua origem, mas felizmente não em sua natureza:
um extintor comum apaga as chamas em segundos. Não que a casa fosse
ser incendiada: Andrew espalhou extintores por todos os cantos da
propriedade. O alarme de fumaça toca, ferindo os ouvidos com o
barulho estridente. Andrew deixa o extintor de lado, silencia o alarme. A
sala está tomada de fumaça e nitrogênio. Anneke, com o estômago ainda
fraco depois de recobrar a sobriedade, segura a vontade de vomitar.
— Bem — diz Andrew —, é assim que a mágica funciona quando
usada como arma. Não é nada legal.
— Nada é legal quando usado como arma.
— Adoro sua abordagem de tolerância zero com bobagens.
— Você está tentando parecer autoritário, como se estivesse no
controle. Mas não está, está?
— Não totalmente.
— Não totalmente? Mais bobagem. Você não tem a menor ideia de
quem fez isso?
— Acho que tenho.
— Como eles entraram na casa? Na sua casa?
Ele percebe o fio que liga o MacBook Pro à televisão com o último
filme.
— Através disso — responde ele, apontando.
Ele desconecta, segurando o fio como se fosse uma serpente que
ainda pudesse picar.
— Preciso enviar um e-mail a uma pessoa.